<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808</id><updated>2012-03-04T07:26:50.451-08:00</updated><title type='text'>Malemolência Zuga</title><subtitle type='html'>"Malemolência": moleza, calma excessiva, jogo de atitudes, gestos, jeito de falar ou mover-se que denota qualidades diversas, como a manha, a malícia, a elegância, a destreza.

"Zuga": portuga que vive entre brazucas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>51</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-8302984371378178113</id><published>2012-03-02T04:42:00.004-08:00</published><updated>2012-03-02T04:52:29.266-08:00</updated><title type='text'>Trópico do umbigo</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/GLTGoDsps68" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia de aniversário do Rio de Janeiro (ontem), escrevi sobre como o Carnaval me ajudou a perceber melhor a cidade, o tempo carioca e até os portugueses &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;História e as lições do passado&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Entrei no Carnaval como os primeiros portugueses entraram no Rio de Janeiro, devagar e com cerimónia, com interesse, mas pouco empenho. O Rio foi descoberto em 1502 mas apenas 53 anos mais tarde, quando os franceses já tinham montado colónia no território, os portugueses, liderados por Estácio de Sá e disparando canhões, expulsaram franceses e mataram índios  tupinambás, decidindo que ali seria fundada a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Demoraram meio século mas vieram com tudo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Também demorei. E só dei uma de Estácio no final da tarde de terça-feira de carnaval – os meus amigos já tinham ido aos melhores blocos, levavam dias de festa; eu estava relutante porque na última semana tinha enfrentado, fosse no supermercado ou num passeio pela orla, as multidões nas ruas, lixo e mais lixo no chão, gente apertada e suada, qualquer coisa entre a Queima das Fitas e o Oktoberfest, embora com 30 graus e menos roupa. A cidade emperra, ônibus, vans e táxis rolam sobrelotados ou ficam empatados no trânsito. Tentei entrar no Carnaval a fundo, mas o pré Carnaval, que começa duas semanas antes, já tinha drenado o meu entusiasmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei tarde, mas vou a tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como os portugueses, que demoraram para tomar o Rio de Janeiro, demorei a perceber o encanto, a importância e o significado do Carnaval para um carioca.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu momento Estácio de Sá aconteceu quando a tarde tombava para a noite, no Jardim Botânico, no bloco Último Gole. Terça-feira de carnaval. Quando tudo deveria estar acabando, estava, afinal, apenas no começo. De t-shirt e calções, levava uma mascarilha de má qualidade que, confesso, estava mais para o S&amp;M do que para o Zorro. Como vi poucas pessoas mascaradas, comentei que talvez abdicasse do disfarce ambíguo. Uma amiga, que nos dias anteriores se fantasiara de Marylin Monroe e cowgirl, disse: “Esse não é o espírito. No Carnaval vale tudo. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu fiz o que ela mandou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Coisas que aprendi com o Carnaval&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há sempre gente em todo o lado, a qualquer hora, como se numa cidade de zombies foliões que não dormem. Durante o Carnaval mais de cinco milhões de pessoas saíram para rua. A cidade arrecadou 650 milhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Carnaval não são dois dias. São três semanas, com pré e pós carnaval. E uma dessas semanas é tão intensa – para miúdos e graúdos – que parece uma viagem de finalistas, umas férias com amigos, uma oportunidade para não pensar em mais nada se não em folia. Os jornais fazem manchetes e cadernos dedicados ao carnaval. É disso que se fala, é isso que interessa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um português, que nos últimos tempos foi, como os seus compatriotas, recipiente de sermões sobre austeridade e contenção, todo aquele desprendimento carnavalesco me assustou – e o desemprego? e os impostos? e a mão na cabeça em arrependimento? Talvez por isso só tenha entrado no Carnaval a fundo na quarta-feira de Cinzas. E fui mais obediente à sabedoria da minha amiga – “Esse não é o espírito. No Carnaval vale tudo” – do que ao discurso oficial da parcimónia. Atirei-me para o bloco “Me beija que sou cineasta” a fim de perceber o que é isso do carnaval carioca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja arriscado para um estrangeiro tentar decifrar aquilo que outros levam anos vivendo. Mas como estrangeiro, habituado a carnavais de kispo e salas de aula com zorros encasacados e princesas de galochas, é assombroso perceber a importância destes dias na ordem natural das coisas cariocas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém romantiza namoros de Inverno. É no verão que a memórias mais se impregnam na carne. E aqui o Carnaval é no verão, durante as férias grandes. De dezembro até ao carnaval a cidade é mais eléctrica, as pessoas estão mais na rua, há mais lugares onde ir e coisas que fazer. É um constante crescendo que atinge o climax com o Carnaval. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, depois do êxtase, as crianças regressam à escola, há menos gente na praia, a cidade fica mais serena ao entrar no outono. Por isso, o Carnaval é a felicidade antes da obrigação, as coisas boas antes dos deveres, o excesso antes da vida regular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi velhos pulando como se nos loucos anos 20, vi e senti a pulsão das massas se cantam um samba em conjunto, vi uma boa disposição geral, uma simpatia e disponibilidade, apesar dos bêbebos, das toneladas de lixo, da exasperação das filas, de acordar às oito da manhã por que passa um bloco diante do prédio tocando muito mais alto do que a aparelhagem do vizinho.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi actores beijando actrizes, actores beijando actores e actrizes beijando actrizes. Vi mulheres vestidas de trepadeira com botox nos lábios, vi o povo invadir a exclusividade do Leblon e a cidade tornar-se tão democrática como entupida. Vi gente tão criativa e com sentido de humor como o rapaz que, por estar dentro de um elevador, sobreviveu a uma derrocada de três prédios, em Janeiro, no Centro. Neste Carnaval, o rapaz saiu para a rua mascarado de elevador  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia de aniversário do Rio de Janeiro, com céu azul e 39º de máxima, vi crianças no regresso à escola e desapareceram da rua, por fim, os banheiros químicos do Carnaval. Reabrem-se as agendas. Diz-se por aqui que “agora sim começa o ano”. E perante a responsabilidade desta evidência, o Carnaval faz agora muito mais o sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-8302984371378178113?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/8302984371378178113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/03/tropico-do-umbigo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/8302984371378178113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/8302984371378178113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/03/tropico-do-umbigo.html' title='Trópico do umbigo'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/GLTGoDsps68/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-691675722836226141</id><published>2012-03-02T04:20:00.002-08:00</published><updated>2012-03-02T04:25:50.709-08:00</updated><title type='text'>Me beija que sou escritor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qhUZyrnApB4/T1C8NB2wO1I/AAAAAAAAAyk/56SoZ7EO_i8/s1600/me%2Bbeija.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 141px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-qhUZyrnApB4/T1C8NB2wO1I/AAAAAAAAAyk/56SoZ7EO_i8/s200/me%2Bbeija.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5715274859155569490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na quarta-feira de cinzas não se matam os modos exagerados nem há parcimónia. Na praça Santos Dumont, pai da aviação, os foliões do bloco “Me beija que sou cineasta” disparam para os céus com a música, a maconha, a temperatura a bater nos 30 e muitos, os sakolés chupados entre bisnagadas e beijos na boca a desconhecidos. Vi pelo menos um actor, que já fez de bandido, tripando na multidão – seus olhos faziam adivinhar o outro lado do espelho, onde as pessoas e as plantas e até o lixo eram muito mais bonitos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas nada que se compare com o grupo de amigos, homens e mulheres, que, todos os anos, vestidos de noiva, desfilam no bloco Boitatá sob o efeito de ácidos (ao pé disto saltos de pára-quedas são para meninos).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O “Me beija que sou cineasta” é um bloco de artistas e, já se sabe, essa gente gosta de explorar e experimentar. Não é Sodoma nem Gomorra, nem os beijos são tão vulgares como no carnaval de Salvador. Mas a galera é livre, bonitinha e procura emoções.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como os artistas são adeptos do ócio, este bloco não desfila, fica sempre no mesmo lugar, o que transforma a praça numa festa a meio da tarde, ao ar livre, onde aquilo que muitos consideram exageros, são, para outros, uma expressão da sua natureza, uma celebração do belo, um palco para as coisas boas que a vida e o corpo nos oferecem – uma amiga disse que, passada uma semana a vestir fantasias, regressou ao seu guarda-roupa de sempre e percebeu o aborrecimento dos dias comuns.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não era o Eyes Wide Shut. Mas eu tinha uma máscara e entrei num restaurante onde o empregado, português e solidário com o seu patrício, me abastecia e reabastecia de rum porque a cerveja de lata vendida na rua devia ser placebo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi então que ela apareceu, brilhando como as princesas, morena e de lantejoulas douradas, cabelo longo, caminhando na minha direcção em fast forward. Vinha da fila do banheiro e, mais bélica que lasciva, trotou para mim. A minha educação e respeito pelas mulheres impede-me de usar as dimensões da princesa como efeito cómico, mas há coisas que têm graça, por isso que se dane a diplomacia entre sexos: ela era pesada, massiva, com ombros de nadadora. E ainda que, como Mandrake, eu ame todas as mulheres, não esperei que o meu primeiro beijo de sempre no Carnaval carioca fosse um atropelamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Voraz e sem dar-me tempo para dizer o que fosse, a princesa não acertou com a boca na boca, dando-me uma queixada e um encontrão que me fizeram cair, qual Kramer, sobre a mesa de comensais lambuzados de picanha e chope.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando me levantei, ela já não estava lá. Mas toda a sala olhava para mim e sorria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fiz uma pequena vénia para sacudir a vergonha e entrar na onda. O garçon português esperava-me com um rum. Sempre soube que os escritores perdem para os cineastas, os músicos e os Dj’s. Mas não passava ainda das duas tarde e a quarta-feira de cinzas parecia sábado de Carnaval.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-691675722836226141?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/691675722836226141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/03/me-beija-que-sou-escritor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/691675722836226141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/691675722836226141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/03/me-beija-que-sou-escritor.html' title='Me beija que sou escritor'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qhUZyrnApB4/T1C8NB2wO1I/AAAAAAAAAyk/56SoZ7EO_i8/s72-c/me%2Bbeija.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-1970470992122456720</id><published>2012-02-28T05:34:00.002-08:00</published><updated>2012-02-28T05:35:45.170-08:00</updated><title type='text'>Reflexões sobre a vida carioca</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-YLryHA2OzMU/T0zX-zpAmMI/AAAAAAAAAyY/W-LxZ4pzuek/s1600/leblon.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 117px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-YLryHA2OzMU/T0zX-zpAmMI/AAAAAAAAAyY/W-LxZ4pzuek/s200/leblon.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5714179501240391874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dia ela vai passar tanto tempo com o filho como passa com iPhone, o terapeuta e o professor de beach ténis. até lá, tem babá para botar o dvd preferido da criança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-1970470992122456720?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/1970470992122456720/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/reflexoes-sobre-vida-carioca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1970470992122456720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1970470992122456720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/reflexoes-sobre-vida-carioca.html' title='Reflexões sobre a vida carioca'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-YLryHA2OzMU/T0zX-zpAmMI/AAAAAAAAAyY/W-LxZ4pzuek/s72-c/leblon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-1453022837422417863</id><published>2012-02-27T12:51:00.001-08:00</published><updated>2012-02-27T12:54:03.931-08:00</updated><title type='text'>This is how it goes</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/BVLLD7CgPa8" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;dizem que a paixão o conheceu mas hoje vive escondido nuns óculos escuros&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Al Berto&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele tinha o coração arrancado da caixa torácica, que é muito pior para a saúde do que ter o coração partido. Ele tinha frio em casa – puta Europa e as suas frentes frias, uma cidade amarrada pelo vento, um apartamento apenas com um radiador que, numa noite de whisky solo em demasia, caíra sobre a carpete, iniciara um churrasco de ácaros, colapsara o electrodoméstico. Por isso, ele tinha frio, mas também tinha frio porque, com um buraco no peito e outro na carpete, estava mais susceptível a ser túnel para correntes de ar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele não tinha coração e vestiu um sobretudo, calçou as luvas, saiu para a calçada escorregadia de uma cidade que parecia um banco de nevoeiro, aqui e ali um prédio ou um candeeiro público, o som dos bares e das casa de passe, talvez uma coxa com liga a assomar numa porta, apunhalando a nebulosidade que não parava de se instalar no buraco que ele tinha no peito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Humidade. Ele era um homem cheio de humidade nos cantos e nos recantos, como a casa de uma velha junto ao mar.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Passou perto do rio e as coisas pioraram. Por trás de neblina que tinha sabor de sal e diesel, ouviam-se marinheiros ao estalo com travestis nas ruas com caixotes do lixo tombados e traficantes providenciando droga marada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fazia tanto frio na cidade e atrás daquele sobretudo, fazia tanto frio que ele levantou o braço para um táxi, procurando o aquecimento e os estofos. Mas já se sabe que por vezes as coisas estão irremediavelmente fodidas e o taxista explicou que o aquecimento se escangalhara há duas horas. Por trás do sobretudo sentiu algo viscoso, não uma dor escorrendo mas uma falta.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;Ele enfiou a mão dentro do sobretudo, atravessou o corpo, tocou nos estofos. Nada de nada e, no entanto, a rádio tocava When you’re smilling, por Louis Armstrong, The Majestic Years.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Suck my cock”, disse ele para o Universo, numa língua que não era a sua mas que, por ser franca, chegaria aos ouvidos do Buda ou da Mãe Natureza ou do Jezzy Creezy ou de quem fosse responsável pela cena fodida do amor que arranca corações.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele entrou no aeroporto, comprou uma passagem, sentiu-se como uma mula colombiana de cocaína quando os seguranças pediram que tirasse o sobretudo. Apreenderam o isqueiro que ele trazia no bolso das calças, mas foram indiferentes ao buraco que estava no centro daquele homem que apertava o cinto nas calças, com dificuldade, tal e qual a criança que se debate com os cordões dos ténis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um espectáculo tão triste como a mulher que ele vira semanas antes, chorando dentro de um carro, no parque de estacionamento de um hospital. Mas ele já tinha a sua dor e, como diz a canção, a dor é minha, a dor não é de mais ninguém.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando aterrou noutro continente nevava e os táxis eram iguais aos táxis dos filmes. Primeiro caminhou pelas ruas ventosas, jornais voadores despenhavam-se na cara das pessoas, havia muitos homens a beber álcool em garrafas pequenas, enfiadas em sacos de papel, ao mesmo tempo que esfumaçavam beatas e anunciavam o apocalipse.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele entrou no bairro onde não se ouvia um carro. As árvores, tão brancas de neve, tinham sido copiadas de um livro de banda desenhada japonesa. Ele subiu os degraus e tocou à campainha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fazia menos frio dentro daquele apartamento. Ela não disse nada. Foi ao frigorífico, afastou os chocolates e o queijo light, tirou o embrulho de papel, algo que se traz de um talho, um pedaço de qualquer coisa. Depois entregou-lhe o embrulho e disse:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Devias ter vindo buscar isto há mais tempo.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele abriu o papel melado como se fosse uma bomba. Passara demasiado tempo com aquele buraco. Como seria ter outra vez um coração a bater no peito? Por mais que a pergunta lhe parecesse um título de romance para mulheres mal fornicadas, o seu cinismo não era capaz de vencer a necessidade de sobrevivência. Ele pegou no coração e meteu-o dentro de si, encaixou aurículos, sintonizou ventrículos, apertou-o várias vezes para que voltasse a bombar sangue e calor. Disse:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Já está.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E a cidade rebentou de luz como um fogo-de-artifício, em vez de neve as árvores eram mais verdes que uma selva tropical, havia cães na rua e as crianças andavam de triciclo, pais amavam os filhos e visitavam os progenitores em lares de terceira idade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Hoje será um bom dia”, disse ele.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Isto está a ficar um pouco piegas”, disse ela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E o coração dele falhou um batimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele abriu o sobretudo. A pulsão dela foi tão poderosa e veloz como a dentada de um bicho: arrancou-lhe o coração outra vez.&lt;br /&gt;Ele saiu para a rua e sentou-se nos degraus. Estavam de volta a neve e o frio. Levantou as golas do sobretudo, pegou num cigarro e, com ele na boca, percebeu que não tinha lume. Ela apareceu na janela e atirou-lhe uma carteira de fósforos. Conseguiu acender o cigarro depois de cinco fósforos e olhou para cima, onde ela lhe dizia adeus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Puxou o fumo e sentiu os pulmões substituindo os prazeres do coração.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez regresse, em pouco tempo e com efeitos definitivos, para recuperar aquilo que é seu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-1453022837422417863?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/1453022837422417863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/this-is-how-it-goes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1453022837422417863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1453022837422417863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/this-is-how-it-goes.html' title='This is how it goes'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/BVLLD7CgPa8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-6865815009719618419</id><published>2012-02-25T07:03:00.002-08:00</published><updated>2012-02-25T07:04:40.524-08:00</updated><title type='text'>Consertar as coisas erradas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-waJZCLKbhOc/T0j4dMKG3JI/AAAAAAAAAyM/qBj4ZQDUYs0/s1600/segregation-drinking-fountain.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 116px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-waJZCLKbhOc/T0j4dMKG3JI/AAAAAAAAAyM/qBj4ZQDUYs0/s200/segregation-drinking-fountain.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5713089307682987154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma dia vamos olhar para a proibição da adopção de crianças por casais do mesmo sexo como olhamos hoje para as placas que, em tempos, diziam: "White only."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-6865815009719618419?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/6865815009719618419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/consertar-as-coisas-erradas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6865815009719618419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6865815009719618419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/consertar-as-coisas-erradas.html' title='Consertar as coisas erradas'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-waJZCLKbhOc/T0j4dMKG3JI/AAAAAAAAAyM/qBj4ZQDUYs0/s72-c/segregation-drinking-fountain.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2834721771161572624</id><published>2012-02-24T14:20:00.003-08:00</published><updated>2012-02-24T15:15:42.808-08:00</updated><title type='text'>Olhar pessoas: a garota do bar de sucos</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/NZZlQAOLXjA" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegas quando a tarde se enlaça na noite e há nuvens de mosquitos, como chuva, na contra luz dos candeeiros públicos. Chegas como se saída de um carro de outra época, uma época certamente bela, porque tens cabelo negro de espia ou dançarina de cabaret ou apenas de menina maldosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegas com um vestido preto e ténis que, com certeza, compraste em Berlim. Deves ter amigos artistas e designers e já beijaste mulheres na boca - ou pelo menos gostarias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bar de sucos, os empregados têm a gordura dos fritos na pele; os clientes estão de bermudas e areia nos pés. Mas tu aproximas-te do balcão como se no intervalo da ópera - em vez de champanhe, pedes um açaí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pouco xarope, mas pouquinho mesmo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E imagino que talvez sejas uma fanática da linha, uma comedora exclusiva das coisas que nos fazem bem, uma chata. Não é apenas isso, é a forma como as unhas vermelhas, há segundos enigmáticas como uma cicatriz, de repente parecem vulgares unhas vermelhas porque apenas se dedicam ao Blackberry. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no outro lado do balcão, o empregado com cabelo de água oxigenada limpa a telinha do seu celular com um guardanapo, metódico como nunca foi na escola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os celulares mataram a solidão da espera. Será que já ninguém se senta num ponto de ônibus ou aguarda um açaí sem procurar a companhia dos outros navegadores da rede?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela saca do seu iPhone. Poderosa, ligada, antenada, dentro do esquema, mas fora da caixa. iPhone &amp; Blacberry, a dupla de sucesso que a deixa mais enturmada com tudo. Mesmo tudo. Tudo, tudo, tudo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pergunta: "Tem Wi Fi?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho vontade de rir, mas não vou cuspir o suco de melancia. Amachuco o guardanapo que me limpou a boca e atiro-o para o lixo, pensando que podia dizer-lhe que há internet grátis ali ao lado, num shopping, ou então deixá-la enfrentar, sem ajuda de muletas electrónicas, a solidão mais apetecível do final do dia: comer um açaí num bar de sucos, ao balcão, ver os outros, respirar, sair da ondas hertzianas, estar apenas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despeço-me do moço do bar de sucos, olho para ela, bonita e dedicada ao Facebook no celular, e penso: o mundo virtual é cada vez mais um corta tesão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ou talvez seja apenas a sorte de viver numa realidade em que vou deixando de precisar de sucedâneos dessa mesma realidade. "A vida como ela é", declarou Nelson Rodrigues. Isso mesmo: a vida como ela é. No meu caso, e por isso agradeço, a vida empolgante como um livro de aventuras.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garota do bar de sucos, encanto e desencanto, tão veloz como um post, tão passageira como um twitt, tão dispensável como uma aplicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é bela, garota do bar de sucos, por vezes, a vida apenas como ela é, pode mesmo ser bela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2834721771161572624?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2834721771161572624/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/olhar-pessoas-garota-do-bar-de-sucos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2834721771161572624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2834721771161572624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/olhar-pessoas-garota-do-bar-de-sucos.html' title='Olhar pessoas: a garota do bar de sucos'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/NZZlQAOLXjA/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7559565316438631844</id><published>2012-02-19T05:23:00.002-08:00</published><updated>2012-02-19T05:34:52.138-08:00</updated><title type='text'>Minha carne é de Carnaval, meu coração é igual</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EEEnrHmMmf4/T0D6bf8_2mI/AAAAAAAAAyA/HF3pH6vWQ-I/s1600/bloco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 105px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-EEEnrHmMmf4/T0D6bf8_2mI/AAAAAAAAAyA/HF3pH6vWQ-I/s200/bloco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5710839677846542946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um português acorda num domingo, no Rio de Janeiro, procurando a paz das ruas e um quiosque para comprar o jornal, mas em vez da placidez das manhãs de fim-de-semana depara-se com um grupo de legionários romanos, várias gatinhas, coelhinhas, diabinhas, e mais um sem fim de gente mascarada e agarrada a latas de cerveja. São os seguidores (mais de dez mil) do Bloco Suvaco do Cristo, que arranca da Gávea pelas oito da manhã. &lt;br /&gt;Nota: não é sequer Carnaval, falta uma semana para os festejos oficiais, mas há dias que o português percebeu uma alteração na cidade, na disposição dos cariocas, algo que vai mais além das imagens do Sambódramo, que ele viu, durante anos nas notícias da televisão em Portugal, algo que vai mais além da imagem batida da mulata ou das reportagens sobre os vips da TV Globo nos camarotes da Sapucaí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler o artigo na íntegra, &lt;a href="http://www.dinheirovivo.pt/Faz/Artigo/CIECO035358.html"&gt;clique aqui.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7559565316438631844?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7559565316438631844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/minha-carne-e-de-carnaval-meu-coracao-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7559565316438631844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7559565316438631844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/minha-carne-e-de-carnaval-meu-coracao-e.html' title='Minha carne é de Carnaval, meu coração é igual'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EEEnrHmMmf4/T0D6bf8_2mI/AAAAAAAAAyA/HF3pH6vWQ-I/s72-c/bloco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7571596411952714601</id><published>2012-02-16T05:47:00.004-08:00</published><updated>2012-02-16T06:10:57.821-08:00</updated><title type='text'>Europa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-uvwOFCjr1j0/Tz0JdzyafNI/AAAAAAAAAx0/C_fvOPM-q_A/s1600/greece.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 131px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-uvwOFCjr1j0/Tz0JdzyafNI/AAAAAAAAAx0/C_fvOPM-q_A/s200/greece.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5709730310298172626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mais um episódio de grande qualidade do &lt;a href="http://www.thisamericanlife.org/radio-archives/episode/455/continental-breakup"&gt;This American Life&lt;/a&gt;. Este mostra a crise europeia vista pelos olhos americanos. O que mais ficou: as declarações do braço direito de Delors, dizendo que todos sabiam, desde as conversações para o euro, que os gregos fabricavam números e que os alemães e os franceses só não os confrontavam por educação diplomática. Ele diz isto e ri-se e admite o ridículo da situação. Esta é a nossa Europa. Esta é a Europa em que todos são responsáveis (franceses e alemães também) e, como tal, deveria ser também uma Europa mais solidária - mesmo com aqueles a quem deixaram mentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7571596411952714601?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7571596411952714601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/europa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7571596411952714601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7571596411952714601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/europa.html' title='Europa'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-uvwOFCjr1j0/Tz0JdzyafNI/AAAAAAAAAx0/C_fvOPM-q_A/s72-c/greece.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7434064693457158198</id><published>2012-02-16T04:16:00.000-08:00</published><updated>2012-02-16T04:18:32.249-08:00</updated><title type='text'>Cenas que me passam pela cabeça</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/1GAKOLOnfV4" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo falha, quando a terapia, a religião, os martinis duplos, a internet, a masturbação, as drogas, a família e o amor ficam aquém, é no vazio antes da luz, que a escrita mais parece a saída de emergência, o sopro do ópio, a viagem para o espaço. O escritor que, na génese do seu ofício, procura a liberdade absoluta, é também ele escravo da sua dependência e da crença que, quando tudo falha, só a escrita o salvará. É verdade. Entre os milhões de motivos que levam pessoas a escrever um deles, pelo menos, é comum a todos: gostem de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7434064693457158198?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7434064693457158198/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/cenas-que-me-passam-pela-cabeca.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7434064693457158198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7434064693457158198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/cenas-que-me-passam-pela-cabeca.html' title='Cenas que me passam pela cabeça'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/1GAKOLOnfV4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-4968601611739714610</id><published>2012-02-15T06:10:00.002-08:00</published><updated>2012-02-15T06:13:28.668-08:00</updated><title type='text'>Homens que mijam em lavatórios e alguma literatura</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ujbTiSnU3lI/Tzu9e-HrJhI/AAAAAAAAAxo/9HvWrlJckq4/s1600/pee.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ujbTiSnU3lI/Tzu9e-HrJhI/AAAAAAAAAxo/9HvWrlJckq4/s200/pee.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5709365292391147026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É um tema meio secreto, pouco falado, mas há anos que me inquieta. Talvez tudo tenha começado com aquela bebedeira no primeiro jantar de turma da faculdade – bifinhos com cogumelos e vinho branco –, quando um colega resolveu, por sobrelotação da casa de banho, desgoverno alcoólico e aflição da bexiga, correr o fecho das calças e pôr-se a mijar para dentro do lavatório. Má sorte: foi apanhado pelo dono, arrastado para a vergonha pública da sala de refeições e atirado porta fora, enquanto tentava metê-lo para dentro das calças e sofria as dores de ter interrompido uma mijadinha a meio – os senhores que mijam de pé sabem do que falo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ou talvez tenha começado antes, quando li “A insustentável leveza do ser”, livro que a minha namorada começou a reler há uns dias. A dada altura perguntou-me: “Já leste?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu respondi que sim e disse-lhe que uma das memórias que tinha desse livro era a conversa de um médico sobre os seus colegas de profissão que, como ele, preferiam mijar em lavatórios.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas nada disto se juntou dentro da minha cabeça até que, por acidente, encontrei na internet uma citação de Charles Bukowsky:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Sometimes you just have to pee in the sink.” &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez exagere, talvez seja defeito de escritor que procura (inventa e força) verdade e beleza e sentido em tudo o que encontra pelo caminho, talvez nada disto tenha a importância que lhe atribuo. Mas quando li a frase do Bukowsky percebi, mais uma vez, a importância da literatura. Numa simples sequência encadeada de palavras, ele oferecia-me o final para a minha história de mijadores em lavatórios, dava-me uma epifania cheia de verdade, as palavras no osso, e até um certo humor que, arriscando-se a roçar o mau gosto, ascende muito acima da piada de casa de banho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas de nada me interessam explicações. Antes pelo contrário. Sometimes you just have to pee in the sink. Está dito e redito. Para quê explicar, esmiuçar, ir procurar razões pelas quais os homens (quantos?) resolvem mijar em lavatórios ou se o fazem com mais frequência quando estão bebedos? Isso é trabalho para os jornais e para os cientistas da sociedade. O que importa é o estrondo, a clarividência e a identificação provocada pela simples frase:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Sometimes you just have to pee in the sink."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não faz todo o sentido?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-4968601611739714610?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/4968601611739714610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/homens-que-mijam-em-lavatorios-e-alguma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4968601611739714610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4968601611739714610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/homens-que-mijam-em-lavatorios-e-alguma.html' title='Homens que mijam em lavatórios e alguma literatura'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ujbTiSnU3lI/Tzu9e-HrJhI/AAAAAAAAAxo/9HvWrlJckq4/s72-c/pee.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7053119065474788108</id><published>2012-02-10T05:25:00.001-08:00</published><updated>2012-02-10T05:30:55.462-08:00</updated><title type='text'>The boceta kid</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/bkx-alzLyDA" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Antes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho foi ver um Benfica Porto lá no boteco do Joaquim, na Cupertino Durão, fodido da carteira e sem um rolé de cama há meses. Mudara-se do Porto para o Rio com perspectivas de emprego e um filme editado na cabeça: mulheres morenas, de pernas malhadas e marcas de biquíni; mulher loiras com lábios devotos ao sexo oral e tanta ternura depois, como malícia antes; mulheres mulatas, japonesas, negras como o café da manhã, mulheres que compensassem a sua adolescência casta e a idade adulta com pouca quilometragem – três namoradas, duas visitas a prostíbulos do Porto.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho era do Boavista e estava-se a cagar para o jogo. Tinha combinado com JP, um belenenses com cartão de sócio, que também dispensava o clássico, mas que gostava de cervejas baratas e confusão ao fim da tarde. Sem prestarem atenção no ecrã ou sequer nos outros portugueses com cachecóis ao pescoço e “filhadaputa” na ponta da língua, JP e Pedrinho puseram-se a sorver cachaças e chopes, acabando, como sempre, dedicados ao tema que mais desassossego provocava a ambos: boceta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Eu sou movido a boceta, tenho de admitir. O meu motor de arranque são gajas. Sou assim desde pequeno, não consigo estar num bar só com homens, fico inquieto.” JP interrompeu o discurso e ficou a olhar para uma milf que regressava da praia comendo um picolé. “Estás a ver o que te digo. Basta sair à rua. Sabes o que disse Buñuel?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O toureiro?”, perguntou Pedrinho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O gajo do cinema, que fez aquele documentário sobre os pobrezinhos ali perto de Salamanca, e que matou uma cabra para tornar aquilo mais dramático.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Não faço ideia.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Caga nisso. O Buñuel tinha 70 anos e disse: ‘Com esta idade ainda não me livrei do tirano.’ Entendes? Isto é uma tirania.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Não entendo.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O sexo, a boceta, o pau duro, um gajo ir ao supermercado e entrar no corredor dos produtos de beleza só porque viu uma gaja boa passar.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Que romântico.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Por falar nisso. Quantas quecas é que já te valeu esse romantismo desde que aterraste no Rio?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Não sou como tu. Não gosto de pegação. Não é a minha cena.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Tu és um mestre Jedi. Como é que consegues suportar os meses de abstinência?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Nunca ouviste dizer que a espera intensifica o prazer.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Essa foi a coisa mais gay que te ouvi dizer nos últimos dois dias.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Estou aborrecido.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Jogo de merda.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“E tu, tens triunfado?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Ontem foi lá a violinista a casa.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“E então?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Foi fixe. Mas acho que não vou repetir.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Terceira vez?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Quarta.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Bate certo, é o teu padrão.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho foi ao banheiro, as solas das havaianas chapinharam na película de mijo e água e papel higiénico. Balançando diante do urinol, pôs-se a pensar que, quando saísse daquele boteco e entrasse na rua, tudo iria mudar. De peito inchado pela confiança da cachaça, almofadado pelo airbag alcoólico e sem medo da rejeição, Pedrinho decidiu que o que tem de ser tem muita força, acabavam-se ali as longas conversas e o cavalheirismo, ia partir directo para a sacanagem, pegação a toda a ordem, vamos varrer geral.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois pensou no conselho que JP lhe dera, semanas antes, durante uma festa: “Tens de saltar-lhes à boca. Não digas nada. Chegas lá e saltas-lhes à boca.” &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho voltou a terra firme e passou pelas mesas do boteco, olhou as mulheres susceptíveis de serem beijadas após três cachaças e seis chopes (60 por cento das presentes), imaginou-se a saltar à boca de uma delas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas logo se acagaçou, pensando que agarrar uma mulher, sem “com licença” ou “por favor”, e meter-lhe a língua na boca, era missão para os rangers de Lamego ou os forcados de Santarém.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho estava habituado a cafezinhos e mais cafezinhos antes de receber um beijo nos lábios. Lidava melhor com programas tradicionais: cineminha no dia que era mais barato, lanches em pastelarias, um pé de dança numa discoteca e férias na loucura de Vilamoura – localidade onde, depois de muita insistência de Pedrinho e outros tantos copos de sangria, a sua namorada se masturbou para ele, pela primeira vez, em sete anos de relação. Nunca se falou no assunto. Muito menos se repetiu a prática. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No boteco era diferente. Tudo era possível. Pedrinho sentou-se e informou JP da epifania resultante da sua visita ao banheiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Eu sou como um jogador de futebol brasileiro na Europa, mas ao contrário.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Come again?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Não se diz que, por vezes, os jogadores brasileiros levam tempo a adaptar-se ao futebol europeu?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Ya.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O mesmo acontece comigo aqui, mas no campeonato do engate. Eu estou num processo de adaptação, mas chego lá.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“É isso que eu gosto de ouvir. Hoje vais ser o Ronaldinho e eu o Ronaldo Fenómeno.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Não posso escolher outro?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Ok, podes ser o Mozer.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No intervalo do jogo pagaram a conta e caminharam para lado nenhum. JP falava como numa palestra:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Tem tudo a ver como a forma com encaras o determinismo biológico do teu género. Nós fomos feitos para espalhar a semente e um dia podemos até ficar obsoletos, mas enquanto aqui estivermos é melhor aceitar esta tirania do que reprimi-la. O sexo faz muito bem à saúde. Tens ideia da quantidade de doenças que a prática continuada de sexo previne?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Sífilis? Sida? Gonorreia?”. Pedrinho estava mais solto, esta seria a sua noite.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JP pegou no telemóvel, levantou uma mão para que Pedrinho se calasse, e abriu o livro da lábia chapa cinco:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“E aí, bonitinha, onde você anda? Está com amigas?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Depois&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedrinho apareceu no quarto de JP a meio da manhã, abriu as cortinas com intenção de causar danos nas córneas do amigo, e começou a desaparafusar o aparelho de ar condicionado. JP sentou-se na cama:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O que estás a fazer aqui a estas horas?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Não sou eu, é o tirano.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Como é que entraste?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O tirano convenceu a tua companheira de casa que era um assunto urgente.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho já ia no quarto parafuso quando JP reparou na caixa de ferramentas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Que merda é esta?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O tirano veio cobrar. Uma das tuas amigas acabou lá em casa. A meio da noite pediu-me duzentos reais mais dinheiro para o táxi. Quando disse que não, que não tinha acordado nada com ela, apareceu-me um negão lá em casa.” Levaram-me o ar condicionado como garantia de pagamento.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JP saltou da cama, abriu os braços em louvor ao universo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Tu não percebes? Tudo mudou. Olha para ti, cheio de auto-confiança. Entras aqui, nem se nota que estás de ressaca. Todo decidido. Tiras o ar condicionado da parede, falas alto, estás mais contundente. Não percebes o que está a acontencer? Isto é coisa de Mr. Miyagi, wax on, wax off. Tu estás finalmente preparado. Os teus níveis de masculinidade estão a bater ferros. As mulheres adoram isso.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho pousou o ar condicionado na cama. De facto sentia-se mais pujante desde que estivera com aquela mulher. O tirano precisava de ser alimentado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;JP enfiou-se nuns calções de banho. Não vestiu t-shirt: “Agora é uma questão de continuarmos com o programa de treinos. Vamos lá beber um suco à rua.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pedrinho olhou o amigo: “Achas mesmo que a minha sorte vai mudar?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“E eu alguma vez te ia mentir sobre uma coisa destas?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Então vai andando que eu vou montar o aparelho outra vez.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Faz isso. Olha, tens aí vinte reais que me emprestes? Nice. És um bacano. E não te esqueças: wax on, wax off.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7053119065474788108?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7053119065474788108/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/boceta-kid.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7053119065474788108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7053119065474788108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/boceta-kid.html' title='The boceta kid'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/bkx-alzLyDA/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-4631650234779395748</id><published>2012-02-08T09:47:00.000-08:00</published><updated>2012-02-08T09:51:48.814-08:00</updated><title type='text'>Casa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TAjx6wFi7Bs/TzK2H7sKi4I/AAAAAAAAAxc/9kri9gHekiE/s1600/jump.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-TAjx6wFi7Bs/TzK2H7sKi4I/AAAAAAAAAxc/9kri9gHekiE/s200/jump.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5706823925230111618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Vê se vês terras de Espanha&lt;br /&gt;areias de Portugal&lt;br /&gt;olhar ceguinho de choro.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;para  Gonçalo Salgado&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não lhe chamemos visão que, de místico, isto não tem nada. Digamos antes que, na ribanceira do sono, me apareceu a memória de algum lugar onde já estive sem saber ao certo qual. Era uma rua de pedra, uma rua cor de terra como só há em Espanha, com luzes acesas nas casas, nos bares, nos corações da gente callejera que oferece cigarros e bebe e conversa até altas horas. Um desses lugares onde parávamos nas viagens pelo sul da Europa, comendo franguinhos assados numa pensão para poder beber cervejas em discotecas da moda. Por exemplo, o fiasco de um final de ano em Cáceres, com baratas a subir as paredes de um bar – Faunos – que rapidamente se revelou um prostíbulo da subcave do bas-fond, o que levou um dos nossos amigos a disparar porta fora receando as investidas de uma marroquina que, até hoje, suspeitamos chamar-se Muhammad ou mesmo José Luís. E aquela estação de comboios onde se comiam churros a desoras, o portuga da malandragem que nos serviu de guia e que, soube-o anos mais tarde, montou um negócio de sites porno. E a erva de produção caseira, transportada numa lata de Herbalife, quando eu ainda não fumava – soubesse o que sei hoje e esses dias em Cáceres teriam sido muito mais doces, mais de fumo e risota imparável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta semana falámos, por email, e quando tu devias ir deitar os teus filhos e eu devia estar a cozinhar os bifes de frango, estávamos antes a trocar emails disparatados exactamente como quem troca piadinhas na aula de Biologia da Dina – numa dessas aulas, com a barriga em desarranjo, fui duas vezes à casa de banho para, no regresso, ouvir o coro: “Cagão, cagão”. Tenho a certeza que também gritaste. Eu teria feito o mesmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nesses emails falámos de trabalho mas logo te puseste a dizer que tinhas um treinador igual para cada um dos nossos amigos – e até foste buscar o Marinho Peres ao fundo do baú.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que ter quero dizer é isto: esqueci-me, durante muitos anos, o que era uma casa. Sabes que andei por aí, de cidade em cidade, de pessoa em pessoa, dizendo que a minha vida cabia em duas malas de viagem, um slogan de t-shirt que achava tão dogmático como acessório para conversas de engate. Talvez seja da idade, talvez seja o segundo acto disto que andamos para aqui a fazer, talvez tenha sido o inferno de alugar um apartamento no Rio, quatro meses e cinco casas depois, um nomadismo que me traumatizou, fui enganado, enrolado, fiquei especado, perdi, preyboy.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas exactamente no dia do teu aniversário, entro por fim na casa onde viverei, espero, por uma longa temporada. É um dia importante para mim, o céu amanheceu tão azul que uma nuvem se dissolveria caso arriscasse aparecer no horizonte. Uma daquelas manhãs em que sabemos que tudo rolará impecavelmente, manhãs com o mesmo aroma das manhãs de praia quando éramos crianças e a maré baixa era campo de futebol, cenário de guerra de areia, território de piscinas. Numa manhã destas sabe bem ter uma casa, ser parte de um bairro, falar com o vizinho quando vamos ao pão, como aconteceu há umas horas, assim que pus o pé na rua e me lembrei que era o teu aniversário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nessa viagem matinal pensei em ti e soube, já o sei há algum tempo, que ter uma casa me fazia falta. E não falo apenas do apartamento na Gávea que, espero, visitarás e onde repetiremos as mesmas histórias de sempre – os estaladões do professor de francês Sales Gomes, o capotanço de tequila  algures no Algarve, as desventuras do Guilherme Pancadas, do Fernando Jabum, do senhor Herculano que tomava conta dos balneários e transpirava bagaço.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não falo apenas do meu apartamento. Falo de todas essas coisas, das conversas sobre o Marinho Peres às cenas de pancadaria com forcados de Santarém, mas também aquilo que, ao longo dos anos, por orgulho macho ou apenas porque sim, não foi preciso dizer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É nas tais ruas de Espanha que cruzámos vezes sem conta de copo na mão e a esperança de algo extraordinário, no pelado do Vale de Santa Rita onde as tuas qualidades de central incluíam golos em cantos e pontapés de canela, nos reencontros em que a parvoíce é o veículo de comunicação mais usado, nas recordações do senhor António da mercearia, que conduzia de cabeça à banda, do senhor Henrique, que nos treinou com a famosa táctica do fole, do setôr Bagaço, que mandou a turma inteira para a rua, é em tudo isso que também se encontra agora alicerçada a minha casa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez tenha sido necessário ter viajado milhares de quilómetros, durante anos, para perceber a importância de um porto de abrigo. Tu já o sabias muito antes de mim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Parabéns, com cadeiras pelo ar e gajos pendurados nos candeeiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-4631650234779395748?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/4631650234779395748/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/casa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4631650234779395748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4631650234779395748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/casa.html' title='Casa'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-TAjx6wFi7Bs/TzK2H7sKi4I/AAAAAAAAAxc/9kri9gHekiE/s72-c/jump.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-1571205470826873167</id><published>2012-02-06T06:05:00.000-08:00</published><updated>2012-02-06T06:09:29.699-08:00</updated><title type='text'>Sport Lisboa e Ipanema</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-v3vM__cfFcc/Ty_fB1NPBsI/AAAAAAAAAxQ/ROkaymxpHuQ/s1600/benfas.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-v3vM__cfFcc/Ty_fB1NPBsI/AAAAAAAAAxQ/ROkaymxpHuQ/s200/benfas.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5706024475457160898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem rola pelo calçadão de Ipanema pode ver a bandeira do Benfica desfraldada no areal, no conhecido e apregoado Posto 9, entre a Rua Vinicius de Moraes e a Farme de Amoedo. Fosse a praia carioca um bairro lisboeta e estaríamos no Chiado.&lt;br /&gt;Em vez de miúdas descendo a Rua Garrett temos garotas de biquíni, em vez de pastelarias e lojas de cadeias internacionais, temos panteras negras - caipivodka black com fruta - e sportings no menu da barraca do Chico, que desde dezembro passou a ser também a barraca do Sport Lisboa e Benfica no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Encontro-me com os produtores desta ideia quando o Sol está a pique e as havaianas fervem na calçada. Diogo Anjos e João Viana Ruas descem comigo para o areal, cumprimentam Chico, o dono da barraca, e Diogo questiona um dos empregados: "Galo, você viu os vídeos do Benfica que postei no Face?"&lt;br /&gt;Um guarda-sol montado e três cadeiras na sombra depois, Diogo e João, amigos há cinco anos e companheiros de negócios no Brasil, começam por pedir sportings. A explicação aparece no cardápio que Galo me entrega: "Sporting: garrafa de água, ou seja, não faz mal a ninguém."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto do texto poder ser lido no site do &lt;a href="http://www.dinheirovivo.pt/Faz/Artigo/CIECO033661.html"&gt;Dinheiro Vivo&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-1571205470826873167?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/1571205470826873167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/sport-lisboa-e-ipanema.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1571205470826873167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1571205470826873167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/sport-lisboa-e-ipanema.html' title='Sport Lisboa e Ipanema'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-v3vM__cfFcc/Ty_fB1NPBsI/AAAAAAAAAxQ/ROkaymxpHuQ/s72-c/benfas.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-6908673517142828999</id><published>2012-02-03T05:31:00.001-08:00</published><updated>2012-02-03T05:42:12.124-08:00</updated><title type='text'>Trezentos e sessenta e dois dias</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Of8-euMkwTM/TyvkGS1-WSI/AAAAAAAAAxE/2YgdJor7TCk/s1600/IMG_0460.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Of8-euMkwTM/TyvkGS1-WSI/AAAAAAAAAxE/2YgdJor7TCk/s200/IMG_0460.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5704904149783435554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Not that I want to be a god or a hero. Just to change into a tree, grow for ages, not hurt anyone.” -Czeslaw Milosz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miúda da Gávea,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca imaginaste que as manhãs pudessem ser tão limpas e importantes, com tanta luz a elevar o teu corpo quando pedalas na orla e a maresia é uma viagem no tempo: outra vez a Praia Grande e o fôlego da Serra de Sintra, miúdos a gritar na areia molhada da maré baixa, os teus pais tão novos como és agora, a tua irmã precisando de ajuda para ir ao banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca imaginaste que os dias começassem assim que o sol aparece sobre a pedra do Arpoador, logo tu, bicho de metabolismo nocturno, exemplo máximo da prática do verbo inglês to linger: na cama, no sono, nos dez minutos após o despertador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linger on, miúda da Gávea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que o barco zarpou de Lisboa, já foste miúda de Ipanema, garota do Alton Leblon, tiveste um pé (uma perna, a curva do pescoço) no BG. Chegaste, por fim, a porto seguro, numa rua com o nome do verdadeiro santo padroeiro de Lisboa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais voltas que dês, há este fio de vai e vem, duas cidades, os aurículos cá e os ventrículos lá, a pulsação dessintonizada. É, para ti, uma inquietação nova. Mas deixa-me dizer que faz parte da bagagem de quem dá o salto. Deixa-me dizer que é bom andar para trás e para a frente nesse fio e que os regressos a Lisboa serão sempre tão assombrosos como os regressos à infância que fazes todas as manhãs assim que entras na maresia. No regresso, não receberás apenas a beleza e o amor de um lugar que será sempre teu - terás também o jogo de espelhos, a perspectiva do viajante, vais chegar diferente e mudada a um lugar que imaginas igual - embora nunca esteja. E isso também conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que tenhas demorado dez horas de avião para chegar ao Rio de Janeiro, a verdade é que só meses depois, tantos como a viagem da corte em 1808, pareces chegar a porto seguro - demasiadas casas, agruras burocráticas, azares do acaso carioca. Estás cansada da viagem, mas não apareces de cabelo rapado, como as aristocratas que, depois de uma praga de piolhos a bordo, tiveram de recorrer a navalhas, surgindo ao povo do Rio com turbantes. Dizem que chegaram maltrapilhas e sujas, mas eu vi-te chegar ao aeroporto do Galeão, e garanto que se as mulheres portuguesas usam turbante, hoje ou há duzentos anos, será sempre por questões de estilo. Ficam-te bem as fitas na cabeça e esses óculos escuros. Come and star in my movie. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez horas de avião, alguns meses depois, estás por fim na tua nova casa. Na tua nova cidade. Na tua nova vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos antes de saber que viverias no Rio ou que estaria a escrever-te neste momento, um escritor português que te conhece bem, abria o romance de estreia com uma frase: "Acendam-se as luzes para o mundo começar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava, sem  saber, a referir-se exactamente a este dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linger on as long as you like, miúda da Gávea.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-6908673517142828999?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/6908673517142828999/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/trezentos-e-sessenta-e-dois-dias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6908673517142828999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6908673517142828999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/trezentos-e-sessenta-e-dois-dias.html' title='Trezentos e sessenta e dois dias'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Of8-euMkwTM/TyvkGS1-WSI/AAAAAAAAAxE/2YgdJor7TCk/s72-c/IMG_0460.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-1160183791562681110</id><published>2012-02-01T05:10:00.000-08:00</published><updated>2012-02-01T05:17:28.406-08:00</updated><title type='text'>Mudar de vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-U73qzdniBEA/Tyk7TJTpo7I/AAAAAAAAAws/_wwbZFy8hIs/s1600/Zoo1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 120px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-U73qzdniBEA/Tyk7TJTpo7I/AAAAAAAAAws/_wwbZFy8hIs/s200/Zoo1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5704155603143336882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para os meus sobrinhos, Manuel e Francisco, que me levaram ao Zoo de Lisboa. Espero que cresçam num Portugal melhor que este&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;Ele quis ser primeiro-ministro durante muitos anos, mas a meio da legislatura já tinha olheiras de turno da noite e a cabeça afectada por dentro e por fora: a calvície acelerada, os cabelos brancos que, em vez de charme, anunciavam fadiga, sinapses que produziam sound bites, discursos de inauguração num quartel de bombeiros, em conferências de imprensa, em comícios de domingo. Ele quis ser primeiro-ministro, mas não aguentou a falta de horas de sono, as viagens de avião, a presença dos seguranças, o telemóvel em efervescência permanente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não tinha filhos nem mulher. Não teria tempo para eles e jamais conseguiria força para mudar fraldas, ajudar com a Matemática, sintonizar o relógio do leitor de DVD, namorar no sofá no intervalo de um filme. Havia demasiada gente a pedir a sua atenção para que quisesse uma família.&lt;br /&gt;De manhã encontrava-se com embaixadores, almoçava com autarcas, participava na condecoração de atletas ao lanche, passava o pôr-do-sol com os assessores, no gabinete, preparando uma entrevista. Era maquilhado, desmaquilhado, não desligava o telemóvel durante o sono. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;Durante a visita à maior fábrica de enchidos do país, os jornalistas perguntaram-lhe sobre uma revolução que acontecia longe no mapa e ele repetiu o que outros líderes mundiais tinham dito nas notícias – uma mensagem produzida automaticamente, soando como a voz gravada que anuncia as estações de comboio. Lamentou a perda de vidas de inocentes e desejou a chegada da democracia, por fim, àquele território já tão fustigado. Entrou no carro e não se lembrava do nome do país em questão. Não sentia empatia pelos familiares dos mortos nem desprezo pelo ditador. Estava exausto e não conseguia sentir nada. Assustou-se. Durante o resto da viagem, ficou com uma perna dormente, depois um braço, os dedos deixaram de tocar os estofos. Fazia frio por causa do ar condicionado e a alta velocidade da comitiva oficial deixou-o tão enjoado como na noite em que ganhou as eleições na universidade e bebeu vários litros de vinho. Há anos que não bebia, não fumava, há anos que não esquecia as horas para falar e beber e comer com os amigos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entraram na cidade e o primeiro-ministro pediu ao motorista para parar o carro. Dispensou os seguranças, desligou o telemóvel, deixou para trás a gravata e o casaco, despenteou-se um pouco, ordenou que ninguém o seguisse. Caminhou debaixo do sol, sentindo na pele o vigor das temperaturas altas. Entrou no primeiro lugar bonito que encontrou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;Há anos que não ia ao Jardim Zoológico. Ficou a olhar os tigres durante quase uma hora, apreciando como se espreguiçavam e abriam a boca sem cerimónias e se empoleiravam nos vidros como se quisessem brincar com as crianças. Ele gostava de ter a vida dos tigres.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não se deu conta das famílias gordas, equipadas de câmaras de filmar nos telemóveis, que o gravavam, sentado e com as mãos nos bolsos, nem se incomodou com os guinchos dos miúdos mal comportados. Quando os tigres pareciam dormir, avançou zoo adentro, passando pela aldeia dos macacos onde os habitantes se catavam mutuamente, um nepotismo símio, uma promiscuidade que lhe parecia familiar. Um dos edifícios da aldeia dizia “Hotel da Barafunda” e de repente, olhando para aqueles macacos, pensou quão parecido era o código genético dos macacos com o código genético dos humanos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Invejou a placidez dos gorilas, deu folhas a girafas com línguas malabaristas, enterneceu-se com lémures, crias de leopardo e hipopótamos bebés. Junto do fosso dos leões pensou no que faria se uma criança caísse lá dentro. Estava outra vez com delírios de grandeza, os mesmos que o impediram de reconhecer que não tinha cabedal para ser primeiro-ministro. Esse não era o seu destino. Esqueceu o salvamento das crianças em apuros e foi ver o espectáculo dos golfinhos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela era tratadora, muito bonita, aguentava mais de um minuto debaixo de água e dava beijos no focinho dos golfinhos. Os animais empurravam-na para o fundo da piscina e depois catapultavam-na para a superfície – um salto gigante acima da água que pôs o primeiro-ministro a bater palmas e a dizer “uau” como as crianças de infantário em visita de estudo na plateia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele tinha cometido um erro e soube-o, com toda a certeza, diante do esplendoroso salto daquela mulher: não seria capaz de mudar o país nem de solucionar todos os anseios do seu povo. Não estava feito para aquilo. Sentia-se cansado, desiludido e encardido. Talvez o país lhe perdoasse se ele fosse para um alto cargo internacional, mas não entenderia que deixasse o poder assim, sem avisar, um desistente apaixonado por uma mulher que tratava de mamíferos aquáticos, uma mulher que ainda nem sequer conhecia. Os aliados no partido iriam desertá-lo, os inimigos dariam entrevistas para falar da irresponsabilidade do primeiro-ministro. Mas alguma coisa tinha de ser feita para não perpetuar o erro. Ele gostava muito de vê-la saltar acima da água.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nessa noite, depois de informar o país da sua decisão, procurou informações sobre golfinhos na internet. No dia seguinte voltou ao zoo. Não sairia dali enquanto não soubesse o nome da tratadora. Caso fosse necessário mergulharia no tanque a meio do espectáculo. Já tinha feito coisas bem mais ridículas por causas menos importantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-1160183791562681110?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/1160183791562681110/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/mudar-de-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1160183791562681110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1160183791562681110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/02/mudar-de-vida.html' title='Mudar de vida'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-U73qzdniBEA/Tyk7TJTpo7I/AAAAAAAAAws/_wwbZFy8hIs/s72-c/Zoo1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2685069802731627687</id><published>2012-01-30T13:32:00.000-08:00</published><updated>2012-01-30T14:10:25.558-08:00</updated><title type='text'>Depois de um dia difícil (o meu), sugestões de coisas boas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jYRhH68V2lA/TycU-t02LeI/AAAAAAAAAwg/-WcsYm7AO0k/s1600/bike.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 145px; height: 130px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-jYRhH68V2lA/TycU-t02LeI/AAAAAAAAAwg/-WcsYm7AO0k/s200/bike.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703550520773717474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;1 &lt;br /&gt;Os lisboetas podem recorrer a um serviço novo em Portugal nos seus iPhones. O &lt;a href="http://eatoutapp.com/"&gt;Eat Out Lisbon&lt;/a&gt; foi criado por portugueses e está a ser um sucesso - o primeiro guia de restaurantes de Lisboa em formato mobile, inaugurado dia 20 de Janeiro, atingiu já o primeiro lugar na categoria de aplicações gratuitas da App Store, com mais de 5.000 downloads nos primeiros quatro dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 &lt;br /&gt;Os cariocas têm de agradecer e aproveitar a iniciativa da perfeitura e do banco Itaú. &lt;a href="http://www.mobilicidade.com.br/bikerio.asp"&gt;Bike in Rio&lt;/a&gt;, ou &lt;a href="http://www.mobilicidade.com.br/bikerio.asp"&gt;Move Samba&lt;/a&gt;, como lhe quiserem chamar, tem tido uma aderência inesperada - o que só prova que o Rio está farto de carros e que deveria aproveitar a sua geografia e investir em mais ciclovias. As bicicletas são boas, o serviço também - apesar de algumas falhas a rectificar - mas, em geral, e tendo em conta que o serviço tem apenas dois meses, funciona bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil (basta ter um celular) e muito barato (10 reais por mês). Estas magrelas laranja passaram a ser o meu principal meio de transporte na cidade. Agora só falta que os motoristas - especialmente os de ônibus - se convençam a dar prioridade aos ciclistas em vez de os perseguirem como num filme de terror. E os pedestres também, que caminham alegremente na ciclovia e, se avisados da falta, ainda nos insultam. Talvez um dia (sim, falta muito) os cariocas respeitem as magrelas como os holandeses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 &lt;br /&gt;No mundo da imagem a trezentos mil à hora, em que refilamos como crianças mimadas se o site não abre em dois segundos, ainda há quem se dedique a ouvir e a contar. O muito premiado programa de rádio &lt;a href="http://www.thisamericanlife.org/"&gt;This American Life&lt;/a&gt; pode ser ouvido online ou descarregado como podcast. E vale tanto a pena. Numa altura em que o jornalismo parece estar a ficar cada vez mais tonto, estes senhores são extraordinários contadores de histórias. Deixo aqui o link para o programa sobre &lt;a href="http://www.thisamericanlife.org/radio-archives/episode/448/adventure"&gt;os aventureiros&lt;/a&gt; e outro sobre &lt;a href="http://www.thisamericanlife.org/radio-archives/episode/455/continental-breakup"&gt;a visão dos norte americanos sobre a crise do euro&lt;/a&gt; - este último deveria ser obrigatório em escolas mas também nos parlamentos de todo a Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 &lt;br /&gt;Por fim, porque tive um dia fodido, um pouco de música para, sem qualquer ruído do mundo cheio de arestas e motores, fechar os olhos e não pensar em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/64Xb3qiXR9Y" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2685069802731627687?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2685069802731627687/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/depois-de-um-dia-dificil-o-meu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2685069802731627687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2685069802731627687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/depois-de-um-dia-dificil-o-meu.html' title='Depois de um dia difícil (o meu), sugestões de coisas boas'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jYRhH68V2lA/TycU-t02LeI/AAAAAAAAAwg/-WcsYm7AO0k/s72-c/bike.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-39879950826921329</id><published>2012-01-30T11:22:00.000-08:00</published><updated>2012-01-30T11:24:07.587-08:00</updated><title type='text'>When the going get's tough read a tough writer</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-n3uuHoA6X5k/TybuPWbDOSI/AAAAAAAAAwU/v1tA3rFjjCc/s1600/Ernest-Hemingway.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 152px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-n3uuHoA6X5k/TybuPWbDOSI/AAAAAAAAAwU/v1tA3rFjjCc/s200/Ernest-Hemingway.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703507925595797794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bad luck, fate, may destroy a man, but if he mantains his own standards, he will mantain his dignity and not be defeated."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ernest Hemingway&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-39879950826921329?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/39879950826921329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/when-going-gets-tough-read-tough-writer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/39879950826921329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/39879950826921329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/when-going-gets-tough-read-tough-writer.html' title='When the going get&apos;s tough read a tough writer'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-n3uuHoA6X5k/TybuPWbDOSI/AAAAAAAAAwU/v1tA3rFjjCc/s72-c/Ernest-Hemingway.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2053031952984859379</id><published>2012-01-30T10:36:00.000-08:00</published><updated>2012-01-30T10:46:03.662-08:00</updated><title type='text'>Gato sem botas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OIZg-FLwKFc/TyblONvE-mI/AAAAAAAAAwI/8ps8BfL5KCw/s1600/ze.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-OIZg-FLwKFc/TyblONvE-mI/AAAAAAAAAwI/8ps8BfL5KCw/s200/ze.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703498010479360610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Zé Diogo Quintela não é misantropo mas prefere estar em casa. O humorista que já foi processado por Pinto da Costa fala de futebol, de fruta e da sua carreira como atleta de luta greco-romana nos Estados Unidos. Também cita um filósofo português.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a primeira coisa que salta à vista quando entramos no escritório da casa: a fotografia de um mangas em mangas de camisa, cabelo com popa na dianteira, pele curtida na cara, olhar de ex-pugilista, qualquer coisa entre o pintas do bairro e o vilão do filme. Zé Diogo diz: “Já viste a confiança do gajo? Às vezes fico aqui a olhar para ele.” Comprou a fotografia do campeão da bazófia a uma artista portuguesa e continua a olhar para ela com espanto: “É um sem abrigo da Praia da Rocha. O gajo tem aquele ar de sou muito bom, um grande campeão. Gosto muito.” O escritório tem livros, uma secretária, um plasma rodeado de Dvds e o computador onde acontecem as coisas mais importantes: “Queres ver a minha equipa do Fantasy League?”. Enquanto abre a página da internet comenta a compra de Raul Meireles pelo Chelsea: “Não me parece que vá calçar.” Depois apresenta o seu onze inicial (Rooney e Torres na frente de ataque) e indica no ecrã a sua posição entre os mais de dois milhões de participantes: “Cento e dezassete mil quatrocentos e treze.” Pergunto: “Quem ganha isto, no final, ganha o quê?” Zé Diogo responde: “Quem ganha isto é um Deus do futebol”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol aparece na conversa em vários momentos. Por exemplo, assim que cheguei a sua casa, quando atravessávamos um longo corredor: “Aqui faço grandes jogatanas com os putos, já partimos umas molduras na parede.” No seu escritório há uma mesa cujo tampo é o emblema do Sporting: “Era de um dos miúdos mas já não cabia no quarto e iam mandá-la fora. Disse logo que não.” O futebol já aparecera, durante o almoço, num restaurante perto da casa de Zé Diogo, antes de nos sentarmos no escritório para analisar a sua equipa na Fantasy League: “Estava cansado de escrever sobre futebol, ainda por cima o Sporting ganha pouco.” Durante alguns anos, teve uma crónica no jornal A Bola, que deixou após uma polémica com Miguel Sousa Tavares: “Eu respondi a uma crónica em que o Miguel Sousa Tavares, também na Bola, sugeria ao Pinto da Costa que me processasse. Já tinha tido prazer de ser processado pelo Pinto da Costa, por causa de um sketch dos Gato, e de ter ganho. Mas a minha crónica foi cortada pelo director do jornal e publicada sem que estivesse na íntegra. Dava a ideia que a minha resposta era tíbia.” Zé Diogo abandonou a colaboração e pôs uma queixa na ERC, que lhe deu razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais futebol ao almoço: “Tudo é normal no futebol português. É normal que um árbitro visite o Pinto da Costa dois dias antes de ir arbitrar um jogo do Porto com o Beira-Mar, em que o Porto foi beneficiado. O Secretário devia ter sido expulso aos dez minutos. Os adeptos do Porto dizem que nessa época até foram campeões europeus. O Secretário não foi campeão europeu porque o titular nessa época era o Paulo Ferreira. Nesse jogo com o Beira-Mar, o Porto jogou com os coxos, onde se incluía o Secretário, porque tinha uma meia-final da Liga dos Campeões. O Marselha fez o mesmo quando jogou a final com o Milan. Comprou o jogo para o campeonato, antes da final, porque ia jogar com os suplentes. Foi punido por isso. Mas eu não vejo os jornais desportivos a fazer estas análises. Aliás, esses jornais têm pouco de jornalismo e de desportivos. Jornalismo fazem pouco, porque se limitam a escrever sobre as agendas dos clubes e a reproduzir conferências de imprensa. E desportivos não são porque só falam de futebol. ” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Diogo tem uns óculos de massa estilosos. Pergunto: “Isso é da moda.” Ele diz: “Por acaso não, foram os óculos que usei no programa que os Gatos fizeram no fim de ano, parti os meus e só tinha estes.” Depois regressamos ao futebol: “O caso Apito Dourado reflecte o que é o nosso futebol e o nosso país. É normal que o Pinto da Costa ofereça fruta, que são putas, a árbitros. É normal que dê conselhos matrimoniais ao pai de um árbitro. Claro, se eu fosse árbitro e o meu pai andasse com uma puta também queria conselhos do Pinto da Costa. Nunca acontece nada. Está tudo nas escutas mas não ficou provado em tribunal, era a palavra de um contra o outro. O facto de uma coisa não ficar provada em tribunal, não significa que não acontece. Não costumo ler filósofos nem citá-los, mas no livro do José Gil (Portugal, Hoje: O Medo de Existir), ele fala da não inscrição, as coisas não ficam marcadas na memória, em Portugal as coisas acontecem mas depois parece que se passa por cima com rolo compressor.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ainda durante o almoço que me fala da Carta dos Deveres da Celebridade. Há uns dias foi fotografado com a família na praia, por um paparazzo. Quando foi pai, os predadores da objectiva rondaram o hospital. “Pensei que se tens de mostrar à tua filha que por vezes é necessário bater em alguém, aquela seria uma dessas alturas.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, com os pés em cima da mesa do escritório, descalça o sapato e a meia: “Fui à pedicura.” Pergunto por que é importante que um homem cuide dos pés. Zé Diogo explica: “Porque é uma ferramenta, temos de cuidar dela, dá para jogar futebol, correr e dar pontapés no rabo de um paparazzo.” Em tempos, um jornalista disse-lhe que as celebridades têm deveres. Zé Diogo respondeu: “Claro, os deveres das celebridades, consagrados na Carta dos Deveres da Celebridade que foi publicada no mesmo ano que a Carta dos Direitos da Criança.” Pergunto: “Também fazes manicura?” Zé Diogo responde: “Não, isso é uma mariquice.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fala dos jogos de futebol no corredor, da fotografia do pintas da Praia da Rocha ou da graça que tem acender um isqueiro para incendiar um traque, Zé Diogo tem postura de traquinas silencioso, o submarino da turma que apronta sem ser apanhado. Ele descreve a sua versão infantil assim: “Era um geek, sempre usei óculos e tinha uma pala no olho (por causa do estrabismo)”. Mas quando fazia composições preocupava-se em fazer os outros rir. E a família? “Tinha umas tias que me punham a fazer aquele jogo das diferenças no jornal. Nisso eu era muito bom.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último ano de liceu passou-o no Wisconsin, uma cidadezinha chamada Madison, com neve, liceu de filme de adolescentes e uma família de acolhimento: “Havia os jocks, os populares, os nerds. Eu era o estrangeiro. Também havia uma islandesa andrógina, um boliviano que era horrível e uma dominicana muito boa. Fiz luta greco-romano. Mas os gajos eram enormes. Perdi todos os combates” Pergunto: “E usaste aqueles maiots justinhos?” Zé Diogo responde: “Já não há fotografias disso.” Em Madison devorou séries televisivas como Seinfeld e Friends. Pensou que devia ser giro fazer aquilo. Mas antes de se tornar humorista houve o desinteresse com um curso de comunicação social: “Tinha professores que ditavam as sebentas nas aulas.” Descontente com o sistema educativo foi trabalhar para o protocolo da EXPO 98: “Levava o presidente da &lt;br /&gt;Índia ou o ministro da agricultura belga a ver o Oceanário.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou uns textos para as Produções Fictícias. Como não lhe ligaram de volta, insistiu e foi recebido pelo fundador, Nuno Artur Silva, que lhe propôs, como teste, escrever dois sketchs para algum dos programas criados ali – Contra Informação, Herman, Maria Rueff, Conversa da Treta. Escolheu os dois últimos. Fez um workshop nas PF e acabou por ser convidado, juntamente com o Tiago Dores, para fazer parte da equipa que escreveu o Programa da Maria: “Lembro-me do excitamento de ver o primeiro episódio em casa e depois perceber que tinham mudado uma data de coisas. Era um rookie, claro que tinham de mudar.” Percebeu que podia fazer vida daquilo, os pais apoiaram-no e acabou por conhecer os restantes Gatos. Depois veio o blog, a participação no programa Perfeito Anormal, o programa Gato Fedorento na Sic Radical, o jogo do vai e vem entre a Sic e a RTP, e a entrada na política diária, durante a campanha para as legislativas de 2009, com o Esmiúça os Sufrágios. Ultimamente, as campanhas da Meo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Agora escrevo a crónica do Público, os guiões, com os outros Gato, do Fora da Box e faço anúncios para essa grande empresa que é a Meo. Tens Meo? Não te convence a campanha?” Conto-lhe a opinião de Bill Hicks, comediante americano, sobre os humoristas que fazem publicidade: “É como beber um cocktail com um cagalhão lá dentro.” Zé Diogo ri-se e diz: “Isso é muito estúpido.” Esforço-me para explicar que Hicks, um espírito contrário, por vezes raivoso e pregador, que morreu de cancro, queria dizer que os comediantes perdem autenticidade e liberdade se são pagos por um empresa para promovê-la. “Isso não faz sentido. Há empresas que não me pagam e sobre as quais também não faço humor. O limite é aquele que me imponho. Mas olha, se calhar eu já bebi um cagalhão, na noite, quando saía e bebia tudo o que me davam.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há planos para novos programas de televisão. Os Gato Fedorento não se querem repetir: “Não fizemos mais um Esmiúça os Sufrágios, nas últimas eleições, porque não havia nada de novo a dizer, já tínhamos entrevistado toda a gente, os temas andam sempre à volta do mesmo. Tens de terminar as coisas antes que o público pense que estás a repetir-te. Não valia a pena.” Diz que votou neste governo e espera não se ter enganado. Não mostra grande entusiasmo: “Não estou desalentado mas não tenho grandes ilusões com o estado do país. Custa-me ver amigos a ir para fora, tenho amigos na Polónia, em Londres, em Madrid, nos Estados Unidos, no Brasil.” Mesmo em tempo de crise, virou homem de negócios e investiu no negócio de um primo: “Pão que não engorda. Não, estou a brincar. É a Padaria Portuguesa. Pastelaria com boa relação qualidade preço e um ambiente cuidado.” Zé Diogo gosta de estar em casa: “Não sou misantropo mas sou um bocadinho anti-social.” Tem uma filha de seis meses: “Sou um stay at home dad”. O pai que fica em casa com a filha (e uma empregada), que dá passeios com ela pelas redondezas, que tem uma fralda ao ombro e um biberão. &lt;br /&gt;Quando falamos das fotografias para o artigo, Zé Diogo pega na sua câmara e começa a auto-retratar-se. No email que me mandou mais tarde, com as fotografias, escreveu: “Podes pôr que o vaidoso humorista cedeu algumas das milhares de fotografias que fazem parte do seu espólio de auto-retratos. Zé Diogo só se fotografa a si próprio.”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Texto publicado na revista GQ de Outubro. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2053031952984859379?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2053031952984859379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/gato-sem-botas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2053031952984859379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2053031952984859379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/gato-sem-botas.html' title='Gato sem botas'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OIZg-FLwKFc/TyblONvE-mI/AAAAAAAAAwI/8ps8BfL5KCw/s72-c/ze.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7347347058544206151</id><published>2012-01-29T14:48:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T15:01:00.228-08:00</updated><title type='text'>Mala educación</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-EntzCArRX1w/TyXPaojM3aI/AAAAAAAAAv8/h7UhT-je6j0/s1600/celular-sangue-mulher.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 146px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-EntzCArRX1w/TyXPaojM3aI/AAAAAAAAAv8/h7UhT-je6j0/s200/celular-sangue-mulher.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703192559603211682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É incrível ver como são, tantas vezes, os cariocas privilegiados que se comportam como selvagens ou déspotas ou indiferentes ao outro - no trânsito, por exemplo, enquanto buzinam e falam ao celular. Na Gávea, aos domingos, a fila para a entrada do parque de estacionamento do shopping é um desfilar de bons carros e famílias com babás. Gente que buzina furiosamente e se acha no direito de incomodar os outros. Tal como se acha impune - parece ser uma característica de classe. Hoje passei-me com uma perua que não tirava a mão da buzina enquanto falava alegremente no seu iPhone. Fui pedir que parasse. Ela mandou-me passear. Já me disseram que um dia levo uma tareia. Que seja. Se para manter-me homo sapiens preciso de apontar o dedo aos neanderthal, arriscando-me a levar no trombil, que seja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7347347058544206151?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7347347058544206151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/mala-educacion.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7347347058544206151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7347347058544206151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/mala-educacion.html' title='Mala educación'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-EntzCArRX1w/TyXPaojM3aI/AAAAAAAAAv8/h7UhT-je6j0/s72-c/celular-sangue-mulher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-5024737940502015919</id><published>2012-01-29T12:15:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T12:28:37.532-08:00</updated><title type='text'>Frangos assados &amp; galetos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-tmfU7ywiXcQ/TyWryqNnX1I/AAAAAAAAAvk/paZu1iCgybM/s1600/portas.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 143px; height: 107px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-tmfU7ywiXcQ/TyWryqNnX1I/AAAAAAAAAvk/paZu1iCgybM/s200/portas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703153389947805522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ia cortar a guedelha mas cheirou-me a frango assado e substitui a angústia de me sentar, uma vez mais, na cadeira de um barbeiro que não é meu patrício, pelo consolo da pelezinha tostada, as batatatas salteadas e o pão cortado em fatias que uso para limpar a molhanga do prato. Traumatizado por experiências capilares menos felizes nas mãos de russos, venezuelanas e italo-americanos, custa-me entrar num barbeiro e ter de começar tudo de novo. Devia haver uma ficha entre barbeiros, como há entre médicos, que explicasse a história do cliente: remoinho indomável na franja, entradas valentes, benfiquista que não se importa de falar de bola enquanto a tesoura faz o seu trabalho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Há sempre uma desculpa para evitar cortar o cabelo – um frango assado na confeitaria Rio-Lisboa é mais que suficiente para interromper a minha busca e sentar-me na esplanada. Muitas vezes, quando saio de casa, não sei onde vou parar. Mas muitas vezes acabo na Rio-Lisboa, como a mesma gula com que uma criança obesa encara um Happy Meal. Frango assado, meia porção de batatas salteadas, pão, suco de melancia. O prazer prolonga-se por minutos tal como a combinação de sabores dentro da boca. Resta-me ficar, sem pensar em ler jornais, sem fazer o mapa de deveres, sem tirar apontamentos no bloquinho. Fico ali, como se numa cama de rede, observando e ouvindo. Não fazendo nada a não ser respirar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É bom esvaziar a cuca dos apitinhos do telemóvel, jogar tempo fora, cagar no mundo da alta velocidade e perceber a importância das esplanadas nas esquinas das cidades. Saboreio o frango. Molho o pão, remato com um gole de suco de melancia. É como ver a canarinha de 82, tudo feito com suavidade e beleza, um gosto por gostar, diversão antes de eficácia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Meia hora assim, somente respirando como o peito de Sócrates quando recebia a bola e levantava a cabeça para o império diante de si. Meia hora: este é o meu tempo para pensar nas coisas que não têm tempo para ser pensadas. Coisas como: isto não é um frango, isto é um galeto – assim chama esta galera aos frangos assados. Mas frango assado é outra coisa, é esperar no automóvel da família enquanto o meu pai ia ao Galego ou ao Jardim dos Frangos ou ao Manolo. Frango assado é os jantares de adolescentes que preferiam gastar a massa em vodka, dividindo as aves e empanturrando-se em batatas fritas e pão saloio. Frago assado é a rua das Portas de Santo Antão, em semana de santos, com turistas lambendo os dedos e indianos vendendo cães de peluche a pilhas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Galeto é outra coisa. Galeto é este ritualzinho que começo a praticar todas as semanas. Sair de casa, dar um passeio, querer jogar minutos fora e seguir o cheiro da gordura queimada. Galeto será agora esta memória de sabores na boca e bulício de esquina carioca.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando se joga tempo fora comendo galeto é isto que nos vem à memória: uma alemã disse-me, em Nova Iorque, que dizer “orange” nunca seria o mesmo que dizer “laranja”. Perguntou: “Em que pensas se dizes laranja?” E eu pensei no Algarve, na casa dos meus avós, qualquer coisa com muito verão. Podia ter feito um anúncio para tv com tanta imagem solarenga.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Coisas que se descobrem quando há tempo para jogar fora: frango assado é uma coisa, galeto será outra coisa. Tudo isto usando a mesmo língua. Hoje, mordendo uma coxinha suculenta e vendo o tráfico de pessoas na calçada, percebi o privilégio de poder usar duas versões do mesmo idioma e o impacto que isso terá em todos os portugueses que vivem aqui e aí. Assustem-se os puristas, mas se há tantos milhares de jovens tugas no Brasil como se supõe, com o passar dos anos, com as viagens de vai-e-vem, com os filhos dessa gente crescendo aqui, a língua começará a ser outra coisa. Isso, confesso, não me assusta. E se por ventura esta miscigenação linguística acontecer, enquanto indivíduo que se diverte com este ofício, vejo o futuro como algo entusiasmante.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ou talvez tudo isto seja apenas o delírio de quem tem tempo para jogar fora e procura epifanias no estado de transe provocado pelo galeto da Rio-Lisboa. Há quem reze, faça meditação, jogue búzios. Eu vou comer galetos para encontrar paz e clarividência e perspectiva.  God bless the chicken. Ou como dizia o outro: “It beats working.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-5024737940502015919?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/5024737940502015919/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/frangos-assados-galetos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5024737940502015919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5024737940502015919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/frangos-assados-galetos.html' title='Frangos assados &amp; galetos'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-tmfU7ywiXcQ/TyWryqNnX1I/AAAAAAAAAvk/paZu1iCgybM/s72-c/portas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-8267372366227315100</id><published>2012-01-29T12:09:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T12:29:48.773-08:00</updated><title type='text'>Europa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PdhxpoHSIh0/TyWsJ9Er60I/AAAAAAAAAvw/rVLSUq0eEzs/s1600/eco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 68px; height: 102px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-PdhxpoHSIh0/TyWsJ9Er60I/AAAAAAAAAvw/rVLSUq0eEzs/s200/eco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703153790147619650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acredito na Europa, muito. Só não acredito no que fizeram com ela. E há anos que penso isto, melhor dito, claro, por Umberto Eco: "The university exchange programme Erasmus is barely mentioned in the business sections of newspapers, yet Erasmus has created the first generation of young Europeans. I call it a sexual revolution: a young Catalan man meets a Flemish girl – they fall in love, they get married and they become European, as do their children. The Erasmus idea should be compulsory – not just for students, but also for taxi drivers, plumbers and other workers. By this, I mean they need to spend time in other countries within the European Union; they should integrate."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A totalidade da entrevista pode ser lida no The Guardian, &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/world/2012/jan/26/umberto-eco-culture-war-europa"&gt;clicar aqui. &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-8267372366227315100?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/8267372366227315100/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/europa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/8267372366227315100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/8267372366227315100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/europa.html' title='Europa'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-PdhxpoHSIh0/TyWsJ9Er60I/AAAAAAAAAvw/rVLSUq0eEzs/s72-c/eco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-9015680304813485573</id><published>2012-01-19T14:10:00.000-08:00</published><updated>2012-01-20T03:19:43.314-08:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro rola que rola</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/eoca1Jb33Ts" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De todas as cidades onde vivi, esta é a mais montanha-russa. Dias de sol onde tudo parece avançar ao ritmo do entusiasmo da cidade são seguidos de dias de chuva onde a burocracia nos manda a três lugares diferentes, o agente imobiliário não aparece e o empregado de mesa traz o suco dez minutos após a sanduíche. &lt;br /&gt;Mas, ainda assim, o Rio continua lindo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro e último texto da série "Como mudar de cidade", que escrevi para o Dinheiro Vivo. Para ler na íntegra, basta &lt;a href="http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO031166.html"&gt;clicar aqui.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-9015680304813485573?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/9015680304813485573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/rio-de-janeiro-rola-que-rola.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/9015680304813485573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/9015680304813485573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/rio-de-janeiro-rola-que-rola.html' title='Rio de Janeiro rola que rola'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/eoca1Jb33Ts/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2202233447107384326</id><published>2012-01-19T12:00:00.000-08:00</published><updated>2012-01-19T12:09:52.509-08:00</updated><title type='text'>Madrid me da la vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-PXWp7FGPQE4/Txh4f8HyZ7I/AAAAAAAAAvA/qR7kRN1ALi0/s1600/madrid.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-PXWp7FGPQE4/Txh4f8HyZ7I/AAAAAAAAAvA/qR7kRN1ALi0/s200/madrid.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699437818547431346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Esqueça o sofisma: os espanhóis não se esforçam por entender o que dizemos. De facto, por causa da nossa fonética muda, eles não percebem. É mais fácil um português aprender espanhol que o contrário. Não há outra solução: falar espanhol é preciso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo texto da série "Como mudar de cidade", que escrevi para o Dinheiro Vivo. Para ler na íntegra, basta &lt;a href="http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO031169.html"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2202233447107384326?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2202233447107384326/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/madrid-me-da-la-vida.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2202233447107384326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2202233447107384326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/madrid-me-da-la-vida.html' title='Madrid me da la vida'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-PXWp7FGPQE4/Txh4f8HyZ7I/AAAAAAAAAvA/qR7kRN1ALi0/s72-c/madrid.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7510597946763644606</id><published>2012-01-19T10:28:00.000-08:00</published><updated>2012-01-19T10:34:16.165-08:00</updated><title type='text'>I Still love you New York</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9nG_VDbDkb8/TxhiEhpMIUI/AAAAAAAAAu0/ZrGYfYDNZyo/s1600/carrollgardens9.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-9nG_VDbDkb8/TxhiEhpMIUI/AAAAAAAAAu0/ZrGYfYDNZyo/s200/carrollgardens9.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699413158327492930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Na primeira vez que entrei num supermercado saí sem comprar nada, assustado com o preço de uma pêra (vendida avulso) e com o delírio de produtos estranhos – “I can’t believe it’s not butter”. Comer sai caro em Nova Iorque. E a obsessão dos nova-iorquinos com os restaurantes já levou alguém a questionar a utilidade de saber-se o nome de 76 tipos de sushi."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro texto da série "Como mudar de cidade", que escrevi para o Dinheiro Vivo. Para ler na íntegra, basta &lt;a href="http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO031160.html"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7510597946763644606?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7510597946763644606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/i-still-love-you-new-york.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7510597946763644606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7510597946763644606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/i-still-love-you-new-york.html' title='I Still love you New York'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-9nG_VDbDkb8/TxhiEhpMIUI/AAAAAAAAAu0/ZrGYfYDNZyo/s72-c/carrollgardens9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2533340808504089931</id><published>2012-01-18T05:10:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T05:13:02.401-08:00</updated><title type='text'>Haiku do movimento perpétuo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-_shJygG_G38/TxbFFbgLDfI/AAAAAAAAAuo/KBHXqf5uSPI/s1600/069.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-_shJygG_G38/TxbFFbgLDfI/AAAAAAAAAuo/KBHXqf5uSPI/s200/069.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5698959075556658674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a bala e o ricochete:&lt;br /&gt;perseguir a paz de espírito&lt;br /&gt;num cavalo sempre a galope&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2533340808504089931?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2533340808504089931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/haiku-do-movimento-perpetuo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2533340808504089931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2533340808504089931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/haiku-do-movimento-perpetuo.html' title='Haiku do movimento perpétuo'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_shJygG_G38/TxbFFbgLDfI/AAAAAAAAAuo/KBHXqf5uSPI/s72-c/069.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-6735087535284242665</id><published>2012-01-11T04:18:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T04:27:59.847-08:00</updated><title type='text'>Nêguinha literária</title><content type='html'>&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/IbbnzgUJ3PY" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela decidiu ser escritora porque não sabia fazer mais nada e porque achou que seria uma carreira com benefícios – sem hora para acordar, sem hora para dormir, libertinagem em forma de pesquisa, viagens interiores, férias em cidades distantes, muitos groupies com livros para autografar, gente que despiria a roupa sob seu comando.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas ela só tinha escrito uns poemas e uns contos, coisa pouca, escritora bissexta e sacerdotisa da procrastinação. Publicou poemas na revista da faculdade, escreveu uma frase num muro de Santa Teresa, chupou o pau de um escritor que nunca lhe escreveu nada, nem um puto soneto ou um bilhete com o número de telefone.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sexo para atingir a ascensão literária é uma merda, pensou ela, quando saiu do apartamento de um vate com prémios ganhos e traduções múltiplas. Antes tivesse fodido para receber um carro ou um vestido, pensou. Antes se deslumbrasse por alguém que pagasse as contas da luz e da internet mais o condomínio e jantares e um passeio que não acabasse sempre na cama, com ela recebendo a virilidade vaidosa de poetas, romancistas, letristas e editores.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Queria um senhor que tomasse conta de mim, pensou ela. Que se foda o feminismo e a literatura cocktail molotov. Eu quero colo e botox nas rugas na testa. Eu quero a geladeira cheia e uma casa na Ilha Grande.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Levava anos a escrever e nada. Os benefícios eram agora mais pragas que bênçãos. O seu fígado compadecia-se em certas manhãs, acordar tarde já lhe tinha custado alguns empregos, e nunca ninguém aparecera no seu quarto de hotel, durante um festival literário, pronto para adorá-la e para, mesmo antes de gozar, gritar bem alto: “A sua escrita mudou a minha vida.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Putaquepariu para esses velhos da academia, comernocu romancistas preyboys, vãosefoder poetisas das colectâneas e roteiristas de merda nenhuma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela decidiu que ia arranjar um emprego, um namorado com mastercard, visa e american express. Ia dar para ele todo a noite antes de deitar, ia dar ordens para a empregada, ia dar passeios enquanto as babás tomavam conta dos pequenos, ia dar o que fosse preciso para receber o que lhe fazia mais falta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Literatura é coisa de veado e de putinha, pensou ela. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Literatura é coisa de teen gótica e de egomaníacos eloquentes, pensou ela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Desde esse dia nunca mais frequentou saraus, recitais, lançamentos, entregas de prémios e camas com velhos romancistas – um deles disse-lhe que não tomava viagra porque a atenção dos jornais e das fãs, durante os dias do festival literário de Parati, garantiam dureza e desempenho de manhã à noite.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Literatura é coisa de velho tarado, pensou ela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Literatura é coisa de mulher que fica para tia e não se masturba, pensou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Havia uma milhão de razões para ela não ser feliz escrevendo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Podem vê-la agora em bares de hotel e restaurantes sugeridos por uma qualquer revista, bebendo e jantando com homens de camisa social, relógio e perfume comprado no free shop. Podem vê-la também no calçadão, coberta de roupa e de protector solar para não ficar com a pele morena dos pobres. Nêguinha quer ar condicionado e vidros fumados e a ordem e o progresso que este país promete. Nêguinha já não é nêguinha. É princesa. Nêguinha ficou tão branquelas na alma como uma tarde de shopping no Leblon com valet parking e vinho argentino na esplanada de um bar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nêguinha já era. Agora tem de falar princesa. E princesas, como se sabe, não precisam de literatura para serem adoradas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-6735087535284242665?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/6735087535284242665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/neguinha-literaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6735087535284242665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6735087535284242665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/neguinha-literaria.html' title='Nêguinha literária'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/IbbnzgUJ3PY/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-6987114445130012833</id><published>2012-01-05T05:14:00.000-08:00</published><updated>2012-01-05T05:28:22.641-08:00</updated><title type='text'>Curva e contra curva</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xdeXTwoRK6Y/TwWjvIUYAsI/AAAAAAAAAuc/U0cxS6nOYyg/s1600/027.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-xdeXTwoRK6Y/TwWjvIUYAsI/AAAAAAAAAuc/U0cxS6nOYyg/s200/027.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694137333961982658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-beZyNUqM9E0/TwWjj4GR_OI/AAAAAAAAAuQ/zvWaa_LELws/s1600/005.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-beZyNUqM9E0/TwWjj4GR_OI/AAAAAAAAAuQ/zvWaa_LELws/s200/005.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694137140629339362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--mHxQt6qHlY/TwWjTfNNzmI/AAAAAAAAAuE/5lK4mwS5eiQ/s1600/015.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--mHxQt6qHlY/TwWjTfNNzmI/AAAAAAAAAuE/5lK4mwS5eiQ/s200/015.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694136859069632098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma tarde a passear pela cidade com Soraia Chaves tornou-se numa conversa nocturna com vinho e comida sobre a mesa. A actriz, que prefere viajar ou estar em casa a ver filmes, aborrece-se com jornalistas e gosta de cocktails fortes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O nosso plano era comer um gelado no Santini, depois dar um giro por Lisboa antiga com direito a viagem de eléctrico e miradouros e talvez compras nalguma loja de roupa. Faz muito calor em Lisboa e a fila para os gelados mais populares da cidade derrama-se para a rua. Recombinamos o encontro, num sítio com ar condicionado e onde a espera seja amenizada com livros nas prateleiras. Na Fnac, pensa este jornalista, talvez haja pretextos para lançar a conversa com a actriz que mais gente leva ao cinema em Portugal e que deixa homens de pernas bambas só de olharem para um poster. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, mulheres bonitas ficam bem em livrarias.&lt;br /&gt;Soraia desce as escadas rolantes e olha para o livro que o jornalista tem na mão – “Man without women”, de Ernest Hemingway – (um truque para começar a conversa com a actriz). Mas não é literatura que lhe interessa nesse momento, ainda que confesse a sua fidelidade a autores como Charles Bukowsky ou Philip Roth – acabou de ler, recentemente, o “Teatro de Sabbath”, a história de um velho artista de marionetas, manipulador de mulheres e entusiasta de sexo a abrir e fora da norma. “Gosto de escritores masculinos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ernest Emingway era um entusiasta de dry martinis, chamava-lhes “silver bullets”, porque, atraentes e prateados, chegavam ao cérebro sóbrio como a velocidade de uma bala. É uma desculpa para perguntar, tendo em conta a fila para o Santini: “E se fossemos antes beber um copo?” Soraia concorda que um cocktail é mais pertinente que um gelado numa conversa entre adultos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na alcatifa silenciosa da livraria, há ainda tempo para falar das trivialidades da estação: “Onde vais passar férias?” Soraia responde enquanto ascende nas escadas rolantes: “Tinha pensado passar um mês na Índia, mas tenho trabalho. Vou amanhã para Berlim, passar uns dias com uma amiga que vive lá.” Tem uma saia comprida, um top, uma écharpe e uns óculos escuros, muito mais discreta que a modernidade da indumentária dos frequentadores do Chiado, que sobem e descem a rua Garrett – brincos, tatuagens, fatiotas com inspiração londrina, calçõezinhos tão curtos que parecem ter encolhido na máquina. Soraia não dá nas vistas e raros são aqueles que percebem quem ela é. Avança como se fosse comprar o jornal ou apanhar o autocarro. &lt;br /&gt;Pergunto-lhe se tem truques para passar despercebida, como Robert De Niro, que aconselhou Leonardo DiCaprio a usar óculos de ver porque são a melhor forma de descaracterizar uma cara que aparece em ecrãs em todo o mundo. Ela responde: “No meu caso é a simplicidade, as pessoas têm uma ideia de mim muito produzida, por causa dos filmes, mas ando de chinelos e calças de ganga e t-shirt. Por vezes olham para mim, mas não têm a certeza se sou eu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que, como disse o realizador António Pedro Vasconcelos, que a dirigiu em “Call Girl” e “A bela e o paparazzo”, a câmara adora Soraia Chaves, fora de um plateau a actriz é muito menos personagem – sente-se pouco cómoda em entrevistas, não gosta de falar da sua vida, esconde-se um bocadinho das perguntas e das máquinas fotográficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamo-nos na esplanada do restaurante Pharmácia, com relva, vista para o Tejo, para a ponte e para o entardecer de fogo de Lisboa. Soraia pede uma imperial e explica porque, sendo ex-modelo e actriz, não tem grande desenvoltura diante de jornalistas: “Sinto-me mais desconfortável a fotografar do que quando comecei como manequim. Acho que tem a ver com o facto de me sentir mais observada. Com a exposição de “O Crime do Padre Amaro”… Na altura foi um bocado (longa pausa). Não sei, foi estranho, as pessoas saberem o meu nome, saberem quem eu sou. Inicialmente era muito genuína e sentia-me à vontade em entrevistas. Tinha uma certa inocência. Depois começaram a surgir as notícias falsas dos namoros, os rumores. Diziam que eu tinha provocado um divórcio ou que andava com o Cristiano Ronaldo, que namorava com este e com aquele, comecei a sentir-me invadida, isso tornou-me mais reservada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornalistas da imprensa cor-de-rosa queriam colar as personagens sexy e arrojadas na pele da actriz. Inventaram-lhe casos, apareceram no aeroporto para ver quem a ia buscar, chegaram a plantar-se na porta de casa dos seus pais. E é por isso que quase não fala da família, que é grande e feminina: “Tenho quatro irmãs, sou a penúltima, e em minha casa havia sempre muitas mulheres. Cresci na Trafaria, perto da praia, andava muito de bicicleta, apanhava fruta, fui muito livre, quase como crescer no campo, não tem nada a ver com a vida citadina que tenho hoje. Ter crescido entre mulheres marcou a minha forma de ser. ” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega o primeiro cocktail, prova dos hábitos citadinos da actriz. O jornalista acompanha, escutando o relato de uma infância que, nas palavras de Soraia, foi “muito muito girly”: “Passava muito tempo com as minhas irmãs, fazíamos personagens, uma era a mãe, outra a filha, brincávamos às casinhas, víamos filmes e dançávamos e ouvíamos &lt;br /&gt;música. Era tudo muito teatral.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não frequentou a faculdade mas sempre gostou de estudar: “Adorava a escola, adorava aprender”. O seu primeiro desgosto escolar – aos dez anos teve uma doença que a obrigou a ficar todo o primeiro período em casa –, acabou por resultar em boas notas. Mesmo fechada em casa, pedia a matéria e estudava. Quando foi fazer os testes, em Dezembro, apresentou-se como aluna de satisfaz muito bem. No entanto, tinha uma falha, como devem ter todas as personagens de cinema. No seu caso era a Matemática. A outra falha: ingenuidade. Escolheu, no décimo ano, a área de jornalismo, efabulando com viagens pelo mundo e reportagens em terras longínquas. Soraia não chegou sequer a perceber, na prática, que o jornalismo nem sempre é romântico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 14 anos começou a trabalhar como manequim: “Nos anos 90 houve o boom das super modelos com a Claudia Schiffer e a Cindy Crawford, eram lindíssimas, havia todo aquele glamour da moda e isso influenciou a menina que eu era. Mas não sonhava ser modelo, queria apenas saber como era fazer uma sessão fotográfica, ter aquela experiência.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava no 9º ano quando participou no concurso de uma revista para adolescentes. Escreveu uma carta e mandou fotografias: “Encontrei uma dessas fotos no outro dia, espero não ter enviado essa, estava de biquíni e com a gata da família ao colo, chamava-se Branquinha.” Soraia ri-se do seu relato, como se não se levasse muito a sério, capaz de fazer humor com a narrativa da sua vida diante de um jornalista.  &lt;br /&gt;O fotógrafo gostou da postura daquela miúda de 14 anos e sugeriu-a à agência Elite. “Eu nem sabia que havia agências de manequins”. Ganhou o concurso Elite Model Look e foi representar Portugal no estrangeiro. Viajou para Nice e teve uma revelação: “Existem muitas mulheres bonitas no mundo. Não tinha a menor hipótese de ganhar, não era convencida mas aquilo foi um reality-check, deu-me perspectiva.” O concurso, claro, foi ganho por uma holandesa alta, loira e linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas pausas dos trabalhos como modelo, Soraia voltava a comer hambuguers e gelados. Nunca quis saber muito de moda nem da linha – adora comer –, não chegou a deslumbrar-se com o universo glamouroso, trabalhava e regressava a casa para estar com os amigos que, mais que adoradores da nova estrela da Trafaria, sempre souberam brincar com a exposição da amiga. Também os pais que, durante a adolescência, a acompanharam nos trabalhos como modelo, contribuíram para que não descolasse os pés do chão e perdesse a cabeça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma temporada na África do Sul, onde trabalhou como manequim, resolveu regressar a Portugal com a certeza que queria ser actriz: “Já o sabia há muito tempo mas tinha que fazer alguma coisa para isso.” Paul Auster diz que as boas histórias só aparecem a quem sabe contá-las. Parece que esse foi o caso de Soraia. Um dia depois de regressar da África do Sul, recebeu uma chamada para fazer uma audição para “O Crime do Padre Amaro.” O filme mais visto de sempre em Portugal deve muito desse sucesso ao magnetismo sexual da actriz e, com tantos voyeurs encapotados e adoradores reprimidos da nudez feminina na audiência, tornou-se num fenómeno de bilheteira. &lt;br /&gt;Para esse filme, Soraia trabalhou com o realizador João Canijo, durante dois meses, antes de começar a filmar: “O João Canijo não esteve ligado ao filme, mas foi contratado para me ajudar a perceber o ofício de actriz, chegámos a trabalhar textos de Fassbinder e Shakespeare. A nudez para mim é fácil, o difícil é abordar o texto com verdade. Isso sim é que me interessava.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público, já se sabe, prefere gajas nuas. E as revistas sabem disso. Quando começou a perseguição mediática, Soraia mandou-se para Nova Iorque. Esteve lá três meses, estudou representação, não fez amigos, ia ao teatro e a concertos sozinha. Escrevia muito em caderninhos, nos cafés, ninguém a reconhecia. Depois chegou-lhe o guião de “Call Girl”, sobre uma prostituta de luxo e a corrupção em Portugal. E ela regressou a Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não tiveste receio de repetir um papel muito sexual?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Claro que não, eu queria fazer aquela personagem, que era fortíssima. Não queria simplesmente ser uma actriz medíocre, queria fazer o melhor. Por isso sempre investi na minha formação. O meu objectivo não é aparecer nas revistas mas tentar ser o melhor que consiga.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi para Madrid em 2008 onde esteve três anos, a estudar na escola de Juan Corazza, o mesmo que treinou Javier Bardem. Com os espanhóis diz ter aprendido outra forma de estar, mais aberta e livre: “Foi bom para mim porque sou muito reservada e fechada, ajudou-me a tirar algumas das minhas capas de protecção. O anonimato também foi bom.” &lt;br /&gt;Os seus amigos vão chegando ao restaurante, o tempo da entrevista esgota-se, os pratos e as garrafas de vinho aterram na mesa. Não houve tempo para compras em lojas de mulher – Soraia não é adepta das tardes de shopping – nem para passeios turísticos por Lisboa. Com a noite acaba a conversa. Iniciam-se os copos. Soraia gosta mais de estar à mesa com comida e amigos do que diante de um jornalista que faz perguntas. E não acredita que haja um sex symbol que seja em Portugal – nem mesmo ela. Aliás, essa conversa, de tão batida, aborrece-a. Também não faz questão de falar dos seus filmes e actores preferidos: “Não sei, nunca sou capaz de fazer essas listas. Gosto de Gena Rowlands, dos papéis que fez com o John Cassavetes. E do Daniel Day-Lewis.” O jornalista percebe que estes temas perdem para o convívio da actriz com os amigos, o vinho e os pratos na mesa. Mas o jornalista insiste, olhando para os homens das obras que desmontam andaimes ali ao lado: “E as pessoas, os homens, metem-se muito contigo?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não, nem por isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns meses o jornalista estava no mesmo bar que Soraia, com amigos comuns, e viu como um homem se aproximou sorrateiramente, tentando encostar-se a ela, sem dizer nada, sem cojones para falar-lhe frente-a-frente. Conto-lhe esse episódio. Ela responde: “Isso, acredita, acontece a todas as mulheres. Nós já estamos habituadas.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto publicado na GQ de Agosto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-6987114445130012833?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/6987114445130012833/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/curva-e-contra-curva.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6987114445130012833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6987114445130012833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/curva-e-contra-curva.html' title='Curva e contra curva'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xdeXTwoRK6Y/TwWjvIUYAsI/AAAAAAAAAuc/U0cxS6nOYyg/s72-c/027.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-1926391475169619527</id><published>2012-01-03T06:16:00.000-08:00</published><updated>2012-01-03T08:38:45.395-08:00</updated><title type='text'>O morro e o asfalto</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-iHcY3V23Xbs/TwMOeZ3TEpI/AAAAAAAAAt4/TWdQP5pIG-A/s1600/8.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-iHcY3V23Xbs/TwMOeZ3TEpI/AAAAAAAAAt4/TWdQP5pIG-A/s200/8.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693410269428126354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há um mês e meio, quando subi o Vidigal pela primeira vez, havia homens com metralhadoras na rua enquanto outros despachavam saquinhos com drogas – pastilhas, maconha, cocaína. Faltavam algumas semanas para a invasão da polícia e aplicava-se ainda a lei dos traficantes. Não era um estreante em favelas (também não era um perito), sabia que a maioria dos seus habitantes não quer nada com o crime. Mas, enquanto passageiro pendura no dorso de uma moto, foi impossível não reparar primeiro nos soldados do tráfico, que seguravam armas automáticas, enquanto a vida de bairro corria normal, como pano de fundo, com crianças a jogar futebol, senhoras carregando compras e uma das melhores vistas do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia encontrar-me com Gonçalo Pires, um português de 28 anos, habitante do Vidigal, opositor dos lugares-comuns sobre as favelas e conhecedor da tendência que os jornalistas de fora têm para ver apenas homens com armas. Gonçalo não tem telemóvel – “Era muita informação”, justificou-se –, por isso combinámos um encontro através do Facebook. Explicou que era preciso subir o morro de mototáxi, ir para o Bar do Carlão, na rua 3, e perguntar onde vivia o portuga. Gonçalo partilha um apartamento com o amigo e sócio alemão, André Koller. Chegou a São Paulo em 2005, trabalhou como designer, viajou pelo Brasil durante um ano, tem uma prancha de surf e um skate: “Vim para o Rio sem grandes perspectivas, estava farto do trabalho de escritório. Precisava do mar.” Na varanda de sua casa é o mar que aparece: uma vista de quarto de hotel cinco estrelas com direito a ilhas tropicais no horizonte. Gonçalo chegou ali há dois anos, depois de viver no chique bairro do Leblon e de trabalhar para grandes companhias. Montou a sua empresa de design e web design – “Vidigalo”, um estúdio de comunicação visual – e trabalha a partir de casa. Numa favela carioca, um português e um alemão desenvolvem projectos para empresas de todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por insistência do jornalista e porque a invasão policial estava para breve, Gonçalo falou do tráfico: “Os bandidos já sabem, estão todos a bazar. Não vai haver tiros como no Complexo do Alemão no ano passado.” Dias mais tarde, as autoridades informaram aquilo que os locais já sabiam: Rocinha, Vidigal e a Xácara do Céu, favelas contíguas na zona sul do Rio de Janeiro, com uma população total em volta dos 150 mil habitantes, seriam ocupadas pelas forças policiais que, pela primeira vez, ficariam depois da invasão, instalando uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).  &lt;br /&gt;Em Novembro de 2008, a secretaria de Segurança do Rio instalou a primeira UPP no morro de Santa Marta. Desde então, a polícia entrou, ocupou e permaneceu em mais 18 favelas. O resultado imediato: os cabecilhas do tráfico fogem ou são presos, e deixa de haver bandidos armados na rua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonçalo pensou fazer um stencil com um polícia a pilhar uma televisão. Queria espalhá-lo pelo Vidigal antes da ocupação. Como outros habitantes da comunidade, Gonçalo tem esperança que o paradigma da corrupção seja alterado mas ainda desconfia da polícia. Conhece o acordo entre bandidos e fardados: os primeiros pagam bem, os segundos não entram no morro. São frequentes as notícias sobre a “banda podre” da polícia: um oficial que mandou matar uma juíza, um agente que fazia parte da escolta de um traficante, as declarações do chefe da Rocinha, Nem, que, depois de capturado, anunciou que metade do dinheiro do tráfico era para a polícia – e tudo isto só no último mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonçalo lembra-se da invasão do Complexo do Alemão, em 2010, com tanques do exército, tiroteios, traficantes que escaparam por um túnel e uma transmissão em directo para todo o Brasil. Foi a mais mediática das invasões, uma prova da determinação do Rio em limpar-se perante a comunidade internacional antes do Campeonato do Mundo de Futebol (2014) e dos Jogos Olímpicos (2016). Mas quase um ano depois, o Complexo do Alemão não tem ainda uma UPP e os habitantes queixam-se dos abusos e dos roubos da polícia. &lt;br /&gt;No dia antes da ocupação do Vidigal, os bandidos que não tinham mandado de captura estavam na praia, era dia de folga. Nem, o líder do grupo criminoso Amigos dos Amigos (ADA), que controlava a Rocinha, o Vidigal e a Xácara do Céu, foi preso dias antes da invasão. Gonçalo nunca chegou a fazer o stencil e, durante ocupação do Vidigal, na madrugada de 13 Novembro, não se disparou um tiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira vez que entrei no Vidigal após a ocupação, foi fácil perceber o que tinha mudado da noite para o dia. Além da presença do Batalhão de Choque da Polícia, com camuflados cinzentos, coletes à prova de bala e metralhadoras, os mototáxis estavam parados onde antes era uma “boca de fumo” – entreposto de venda de droga. Fui informado que passara a ser obrigatório o uso capacete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia traficantes armados na rua. Mas o tráfico continuava, muito mais silencioso e escondido. O próprio secretário de segurança, José Beltrame, disse que as UPP não servem para acabar com o tráfico. Em primeiro lugar, são a entrada do Estado em territórios dominados pela magistratura dos traficantes há décadas. Pretendem tirar as armas da rua e evitar cenas impunes de violência como aquela que aconteceu num baile funk, no Vidigal, quando visitantes chegados da Rocinha se desentenderam com um local. Pertenciam todos ao mesmo grupo criminoso, ADA, mas o bate boca acabou com dois homens abatidos a tiro de pistola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última vez que subi o Vidigal, antes de escrever este artigo, encontrei três portugueses, sem t-shirt, descendo a ladeira. Gonçalo ia almoçar com amigos. Um deles, Diogo, é dono de confeitarias no Rio. João estava apenas de visita mas, tal como Diogo, procurava terrenos e casas para comprar no Vidigal. Gonçalo apresentou-os a alguém que sabe do mercado imobiliário do morro. O homem, sogro de um português que vive no Vidigal, ofereceu ajuda: “Se eles percebem que vocês são gringos vão aumentar o preço. Falem comigo que vou junto.” Há quem diga que os preços duplicaram num ano, que já tinham começado a subir com a perspectiva da pacificação. Um barraco de tijolo, quarto e sala, pode custar 20 mil euros. Mas há prédios no Vidigal. E moradias que podiam aparecer em revistas de arquitectura. Um desses prédios, bem alto, na parte baixa do morro, tem a cobertura à venda: 840 mil euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na procissão de cumprimentos e conversas que são os passeios com Gonçalo – parece que conhece toda a gente no Vidigal – apareceu alguém da VDGTV, televisão local, vista por 50 mil pessoas, com quem a empresa de Gonçalo colabora – a sua empresa também está envolvida num projecto de formação profissional no Complexo do Alemão e adoptou o sentido de entreajuda da comunidade como manual para o negócio: “Vivi dois anos no Leblon, não conhecia um vizinho. Aqui, se o meu fusca (volkswagen carocha) avariava, vinham logo oito pessoas a correr para me ajudar. Ninguém faz nada sozinho, uma &lt;br /&gt;pessoa só não dá em nada.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O orgulho de morar no Vidigal é honesto, a gratidão também: “Desde que vivo aqui que o meu trabalho mudou. Podes ir ver as coisas que fazia em São Paulo e os meus projectos desde que estou no Vidigal. Nota-se a diferença. É muito diferente criares alguma coisa depois de duas horas de trânsito, em São Paulo, dentro de um ônibus, ou acordares com esta vista e ires trabalhar depois de uma surfada.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonçalo e André, europeus emigrantes de longa duração no Brasil, querem participar da mudança no Vidigal, sabendo que umas coisas continuarão na mesma enquanto outras podem transformar-se demasiado depressa. Só a Rocinha terá obras no valor de 310 milhões de euros até 2014. Muitas casas receberão, pela primeira vez, saneamento e abastecimento de água, bem como serviço de correio, limpeza das ruas e recolha de lixo – no primeiro dia em que os serviços municipais trabalharam na Rocinha, foram recolhidas 135 toneladas de lixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, sem traficantes armados, com a presença da polícia e a promessa de ruas urbanizadas, aproveitando ainda a localização privilegiada na geografia do Rio, o eixo Rocinha, Vidigal e Xácara do Céu pode tornar-se na próxima zona da cidade a sofrer o aumento dos preços e a especulação imobiliária. E há quem tema que a normalização da favela seja também sinónimo do aumento do custo de vida, levando os habitantes a mudar-se para a periferia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Koller, 37 anos, que se mudou para o Vidigal antes do burburinho mediático, não tem ciúmes dos novos namorados do morro. Durante um almoço, lembrou os anos, antes da sua chegada, quando os ADA disputavam o Vidigal com o Comando Vermelho, numa constante guerra entre facções, com execuções, tiroteios e cabeças expostas. Num português carioca com leve sotaque germânico, André disse: “É normal que estas pessoas queiram aproveitar o momento e ter uma vida melhor. Foram muitos anos… Quem cresceu aqui joga com as cartas que lhe foram dadas, não pode escolher. Na Alemanha a maioria das pessoas pode escolher as cartas. Lá temos todos mais ou menos a mesma vida, a mesma educação, as mesmas hipóteses. Lá toda a gente tem um Golf, aqui é uma festa ter um Golf. Eu adorava carros, tinha um Mercedes. Agora tenho uma moto velha. Vim para aqui para ter uma vida diferente, mas percebo que as pessoas queiram ter coisas. Eles não entendem porque não estou na Alemanha, dizem-me que a vida dos alemães é um sonho. Para mim o sonho é isto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André saiu de Hamburgo para São Paulo em 2001, diz que gosta do espírito de vizinhança do Vidigal, fala sobre o homem que lhe entrega pão à porta e que não aceita gorjeta, do vigor e juventude do bairro: “Aqui há muita fome de vida.”       &lt;br /&gt;De acordo com um levantamento feito pelo jornal “Globo”, nos últimos três anos as UPP reduziram os homicídios a metade e houve menos 11 mil assaltos nos bairros circundantes a favelas com UPP. O Vidigal e a Rocinha esperam agora as UPP Sociais para aplicar políticas de saúde, educação e assistência social – algo que não aconteceu em outras favelas, como o Complexo do Alemão, e que leva os críticos a apontar um favoritismo das autoridades em relação às favelas da zona sul, onde se hospeda o turismo do Rio e onde o mercado imobiliário tem mais potencial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista Zuenir Ventura escreveu “Cidade Partida”, um livro que popularizou a expressão “o morro e o asfalto”, e que tratava do fosso entre as favelas e o resto da cidade, uma separação intensificada na década de 80 quando a polícia deixou de entrar nas favelas. Numa entrevista, Zuenir Ventura disse: “Uma vez, vi a cena de um menino de dois anos que teve desidratação. O traficante chegou e o levou para o hospital. Vai explicar para a mãe do menino que ele é um malfeitor... Esse vácuo do poder público, naquele primeiro momento, foi ocupado pelo tráfico.”     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aslfalto não visitou o morro durante anos. As autoridades foram substituídas pelos traficantes. Os moradores da favela aprenderam a viver assim, mas a violência e a pobreza estigmatizaram as pessoas que todos os dias saem do morro para ir trabalhar no asfalto – porteiros, empregadas domésticas, caixas de supermercado. É verdade que há cada vez mais estrangeiros a participar no quotidiano e desenvolvimento da comunidade. Mas também é verdade – apesar do medo e até dos preconceitos classistas – que há cada vez mais habitantes do asfalto a frequentar o morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que esta cidade não é apenas o que se vê do Pão de Açúcar. A favela – não é novidade – também não é só homens armados, estrangeiros com capacidades de adaptação, motocicletas desgovernadas, bailes funk e polícia corrupta. E quem visita o Vidigal percebe que alguma coisa está a mudar: um fim-de-semana depois da ocupação, Djs europeus tocaram no ponto mais alto do morro; toda a gente passou a usar capacete nos mototáxis, há portugueses a sondar o mercado imobiliário. A favela, como o resto do país, também quer aproveitar a crista da onda da prosperidade e do orgulho brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última vez que estive em casa da dupla luso-germânica, André chegou com roupa de corrida, feliz por ter subido ao topo da Rocinha, aproveitando uma vista antes só desfrutada pelos bandidos, que tinham o cume do morro como quartel-general. São mudanças simples e ao mesmo tempo magníficas. O Rio menos partido, mais inteiro, menos asfalto e morro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hugo Gonçalves, no Rio de Janeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto publicado na revista do jornal Sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-1926391475169619527?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/1926391475169619527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/o-morro-e-o-asfalto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1926391475169619527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1926391475169619527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/o-morro-e-o-asfalto.html' title='O morro e o asfalto'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-iHcY3V23Xbs/TwMOeZ3TEpI/AAAAAAAAAt4/TWdQP5pIG-A/s72-c/8.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-4048785052000857683</id><published>2012-01-02T06:47:00.001-08:00</published><updated>2012-01-02T06:48:54.262-08:00</updated><title type='text'>Samba enredo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HcV87G_CxOU/TwHDzqMyQWI/AAAAAAAAAts/4Y91jnZVJ9k/s1600/lixo_na_praia.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-HcV87G_CxOU/TwHDzqMyQWI/AAAAAAAAAts/4Y91jnZVJ9k/s200/lixo_na_praia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693046696241676642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Rio é lindo&lt;br /&gt;Rio é foda&lt;br /&gt;ou você se adapta&lt;br /&gt;ou você se dobra&lt;br /&gt;ou você se mata&lt;br /&gt;ou você adora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se canse&lt;br /&gt;não se trate&lt;br /&gt;não tem fórmula&lt;br /&gt;Rio é lindo &lt;br /&gt;Rio é foda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio fica nublado&lt;br /&gt;você é enrolado&lt;br /&gt;ninguém chega na hora&lt;br /&gt;mas logo faz sol&lt;br /&gt;você tem amor de sobra&lt;br /&gt;sozinho você não fica&lt;br /&gt;escuta as cordas e a cuíca&lt;br /&gt;Rio é gente ruidosa&lt;br /&gt;ônibus letal selva assombrosa&lt;br /&gt;Rio é pássaros e bichos&lt;br /&gt;noites de cama e sacrifícios&lt;br /&gt;carnavais, seriados e solestícios&lt;br /&gt;drama queens e deixa pra lá&lt;br /&gt;Rio te pega, te mastiga e te chupa&lt;br /&gt;Rio é taxas e condomínio&lt;br /&gt;peruas botox e babás de branco&lt;br /&gt;é chuva ácida e martírio&lt;br /&gt;poço de escravos, festas de espanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio é lindo&lt;br /&gt;Rio é foda&lt;br /&gt;ou você se adapta&lt;br /&gt;ou você se dobra&lt;br /&gt;ou você se mata&lt;br /&gt;ou você adora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se canse&lt;br /&gt;não se trate&lt;br /&gt;não tem fórmula&lt;br /&gt;Rio é lindo &lt;br /&gt;Rio é foda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do boteco do Zé no Catete&lt;br /&gt;ao shopping bem cheiroso do Leblon&lt;br /&gt;Rio é torto mas chega lá&lt;br /&gt;tudo demora, tudo se espera&lt;br /&gt;em todo lado tem a maior galera&lt;br /&gt;Ninguém diz não&lt;br /&gt;O Rio é convívio com a mesa do lado&lt;br /&gt;e se combinam uma refeição&lt;br /&gt;o tal almoço, "te ligo irmão"&lt;br /&gt;não desespere não fique danado&lt;br /&gt;o Rio te ama mas te deixa na mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio é lindo&lt;br /&gt;Rio é foda&lt;br /&gt;ou você se adapta&lt;br /&gt;ou você se dobra&lt;br /&gt;ou você se mata&lt;br /&gt;ou você adora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se canse&lt;br /&gt;não se trate&lt;br /&gt;não tem fórmula&lt;br /&gt;Rio é lindo &lt;br /&gt;Rio é foda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da praia dos fumetas sem nesga de areia&lt;br /&gt;à Lapa das garotas que caçam gringos &lt;br /&gt;todos gritam, tudo se incendeia&lt;br /&gt;tudo se ajeita para dar um jeito&lt;br /&gt;aqui uma folga, ali um aperto&lt;br /&gt;se quebra eu conserto&lt;br /&gt;te dou minha camisa te ofereço meu peito&lt;br /&gt;porque se hoje me falha &lt;br /&gt;amanhã o Rio vai fazer direito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio é lindo&lt;br /&gt;Rio é foda&lt;br /&gt;ou você se adapta&lt;br /&gt;ou você se dobra&lt;br /&gt;ou você se mata&lt;br /&gt;ou você adora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se canse&lt;br /&gt;não se trate&lt;br /&gt;não tem fórmula&lt;br /&gt;Rio é lindo &lt;br /&gt;Rio é foda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-4048785052000857683?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/4048785052000857683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/samba-enredo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4048785052000857683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4048785052000857683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/samba-enredo.html' title='Samba enredo'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HcV87G_CxOU/TwHDzqMyQWI/AAAAAAAAAts/4Y91jnZVJ9k/s72-c/lixo_na_praia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-5816642006511531223</id><published>2012-01-02T06:45:00.000-08:00</published><updated>2012-01-02T06:47:06.589-08:00</updated><title type='text'>Miniaturas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-gav3WwlgsCw/TwHDY6PNuRI/AAAAAAAAAtg/tGf1pTszATw/s1600/reveillon-rio-de-janeiro-02.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 132px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-gav3WwlgsCw/TwHDY6PNuRI/AAAAAAAAAtg/tGf1pTszATw/s200/reveillon-rio-de-janeiro-02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693046236690364690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Haiku da noite de fim de ano&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;esperando as drogas bater&lt;br /&gt;esperando a civilização ruir&lt;br /&gt;esperando o novo smart phone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Haiku do global warming&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;nuvens cruzando a manhã&lt;br /&gt;frente fria no jornal&lt;br /&gt;verão brocha: não fode nem sai de cima&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-5816642006511531223?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/5816642006511531223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/miniaturas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5816642006511531223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5816642006511531223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2012/01/miniaturas.html' title='Miniaturas'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-gav3WwlgsCw/TwHDY6PNuRI/AAAAAAAAAtg/tGf1pTszATw/s72-c/reveillon-rio-de-janeiro-02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2159390308191834969</id><published>2011-12-29T05:56:00.000-08:00</published><updated>2011-12-29T05:59:24.996-08:00</updated><title type='text'>Carta de Natal de um emigrante para o primeiro-ministro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-sRGojxOg934/Tvxx6qgon5I/AAAAAAAAAtU/39W7c8S_MIY/s1600/FotoImigrantes.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 127px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-sRGojxOg934/Tvxx6qgon5I/AAAAAAAAAtU/39W7c8S_MIY/s200/FotoImigrantes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691549281746984850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu avô emigrou. O meu pai também. Eu também. Três gerações, gente nascida em 1910, em 1944, em 1976. Três gerações que cruzaram fronteiras para dar razão ao lugar-comum: uma vida melhor. O senhor sabe a história do nosso país, esta coisa que parece inevitável, a nossa gente espalhada pelo globo, uma mistura de orgulho nacional e aflição permanente. Olhe, ainda no outro dia conheci o senhor Américo num boteco aqui do Rio de Janeiro, o seu sorriso de empregado de balcão abriu-se assim que lhe topei o sotaque e lhe estendi a mão: “Estou aqui desde 1963, mas todos os anos vou lá.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Lá: o senhor vive nesse “lá”, nessa terra, nesse país agora atormentado, e acredito que se esforça para que “lá” seja algo mais limpo e habitável e próspero. Tenho a certeza que preferia que o senhor Américo tivesse ficado junto da família, trabalhando e pagando impostos, celebrando o Natal com frio e pinheiros em vez de 35 graus e coqueiros. Essa é a sua missão, não é? Confesso que não lhe levo a mal o conselho – emigrem -, imagino que talvez o seu desespero seja igual ao desespero dos nossos compatriotas. Mas queria dizer-lhe uma coisa – sem amargura, sem raiva, com os olhos postos na janela que dá para o Rio de Janeiro, porto de chegada onde os portugueses vêm parar, há séculos, em momentos como este. Queria dizer-lhe que nem sempre é tão fácil partir como quanto o senhor fez parecer no seu discurso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não vou aborrecê-lo com a vida dos emigrantes. Nem sequer lhe vou dizer que somos vítimas chorosas, entregues ao infortúnio, lançadas num pranto porque saímos do nosso país. Não, claro que não somos. Mas posso dizer-lhe que, neste Natal, pode ter muito orgulho dos emigrantes portugueses. Olho para os milhares de jovens que chegam ao Rio, com quem me cruzo na rua, com quem troco ideias e conversa fiada, e fico orgulhoso, gente engenhosa e temerária, com uma capacidade de adaptação que faria inveja ao extra terrestre do “Predador”. Gente que fuça, que busca, que está disposta a trabalhar e a viver ilegalmente num país estrangeiro – são muitos. E olhe que não lhe falo dos portugueses que viviam na miséria das bidonville em Paris. Falo de agora, de rapazes e raparigas que abandonaram o privilégio da cidadania europeia, as maravilhas do Estado Providência, o passado da fartura e dos subsídios, que imaginámos que nos garantiria um futuro na terra onde nascemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso interessa agora para os que estão longe. Podemos ter os dentes todos, cursos universitários, conhecimento de outras línguas mas, tal como as gerações dos nossos pais e avós, tivemos de sair. E mesmo que nenhum de nós sofra de fatalismo crónico lusitano, tivemos de sair, percebe? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por isso, quando lhe disserem que Angola ou o Brasil são lugares fantásticos onde os portugueses levam vidas muito mais felizes que em Portugal, onde enriquecem e fazem praia todos os dias, por favor tenha cautela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aqui, como aí, já se sabe, temos de fazer pela vida. Não estou zangado consigo. E desculpe a intimidade, mas sou emigrante e estou longe e é&lt;br /&gt;Natal. Imagino que o senhor vá passar a consoada com a família. Eu não. E muitos outros portugueses que conheço aqui também não, impossibilitados de pagar dois mil euros ou mais para apanhar um avião e comer rabanadas junto da tal tia que oferece meias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero desejar-lhe um bom Natal e sublinhar o orgulho que deve ter em nós, naqueles que estão aí e nos que estão longe. Temos saudades e sabemos que, nem que seja como o senhor Américo do boteco, voltaremos pelo menos uma vez por ano. Peço-lhe, por favor, que acredite no que lhe digo: por mais excitante que seja a luz ao fundo do túnel da emigração, há aqui muitos – mesmo muitos – portugueses que trocariam o Natal tropical pelo Natal das lareiras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2159390308191834969?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2159390308191834969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/carta-de-natal-de-um-emigrante-para-o.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2159390308191834969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2159390308191834969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/carta-de-natal-de-um-emigrante-para-o.html' title='Carta de Natal de um emigrante para o primeiro-ministro'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-sRGojxOg934/Tvxx6qgon5I/AAAAAAAAAtU/39W7c8S_MIY/s72-c/FotoImigrantes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2439331114900306952</id><published>2011-12-29T05:53:00.000-08:00</published><updated>2011-12-29T05:56:35.225-08:00</updated><title type='text'>Natal sem ti (ii) e sem revisão de texto</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Z_6iz7qY9iM/TvxxfyvcRnI/AAAAAAAAAtI/NLkSY5Aau8c/s1600/Sorolla-JustOutOfTheSea.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 175px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Z_6iz7qY9iM/TvxxfyvcRnI/AAAAAAAAAtI/NLkSY5Aau8c/s200/Sorolla-JustOutOfTheSea.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691548820100105842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sento-me como se obedecesse a uma ordem, teclo como se fosse a única maneira de ainda chegar a ti, custa-me tanto escrever-te como me custa a tua ausência. Faz agora um ano que, nesta mesma cidade, manipulado pela saudade, me pus a escrever uma carta de Natal em formato de crónica – não era uma crónica, era a minha vida inteira sem ti, era a inevitabilidade de nunca mais voltar a ver-te. Eu sei que um homem da minha idade já não devia chorar, muito menos em público, muito menos usando o ofício que nunca pudeste conhecer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas são agora 27 anos, 27 natais, tanto tempo sem ti.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pensei que, tal como no ano passado, a fuga para um Natal tropical me salvasse desta saudade. Não dá. Desculpa mas não dá.&lt;br /&gt;Por isso escrevo, escrevo para tocar-te e para receber os teus presentes e para que me digas para acabar o prato de comida na mesa. Fazes-me tanta falta quando estou assim longe e voluntariamente sozinho e sem saber onde me agarrar se não na escrita.&lt;br /&gt;Olha, olha como escrevo bem, olha como escrevo para ti, para que tenhas orgulho e gostes de mim, para que passeies de mão dada comigo na rua e vás falar de mim às tuas amigas nas sessões de cabeleireiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Juro que ainda sou menino, podes ver como patino com o meu irmão – o teu primeiro filho – no terraço da casa, como me vestes t-shirts do Super-Homem ou tiras as natas do leite com chocolate – sabes que tenho pânico de natas, ainda hoje, se bebo leite, uso os incisivos como filtro. Sou tão pequeno quando te escrevo. Por isso talvez não possas saber como escrevo agora, achando que falo de coisas importante do mundo, guerras, favelas, senhores da política e tudo o que flutua como purpurina na actualidade mediática do globo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pudeste ver-me menino, mas não podes ver-me adulto. Não estás aqui, no Rio do Natal com duendes suando 34 graus, não estás na nossa casa com o cheiro de lenha na rua e frio nos pés – tu vinhas, calçavas-me as meias, puxavas o edredon para cima.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Queria dizer-te tantas coisas e no entanto é um soluço de palavras que me sai de algum lugar que ainda não cicatrizou, um lanho que se abre uma ou outra vez por ano e que me obriga a escrever-te. Mas como posso falar contigo de outra maneira, se não sou místico nem crente?&lt;br /&gt;Por isso te escrevo, escrevo-te porque por vezes acho que é isto o que me salva – não é – e porque não te sei falar de outra maneira, porque não estás, porque não te posso ligar e muito menos abraçar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Gostava de dizer-te: “Onde quer que estejas, espero que me estejas a ver.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas não sei onde estás, deixaste de estar – 27 natais, 27 anos, tanto tempo sem ti.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez para o ano, nesta ou noutra cidade, volte a tentar tocar-te, volte a olhar para a tua fotografia que trouxe na bagagem e me ponha a escrever, a escrever, a escrever tanto que vais saber que o menino cresceu e que sonha cativar-te com a escrita (onde estão os abraços, os mimos, o teu colo?)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É Natal, a família está a 10 horas de avião e tu estás ainda mais longe.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Gostava de dizer que um dia isto passa, que vou deixar de te aborrecer com as minhas cartas sazonais. É mentira. Poderei ter filhos e netos, irei sempre escrever-te.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esta saudade não se cura. Por isso, se me vires a chorar, se os outros meninos me chamarem de mariquinhas ou, neste Natal tropical, souberes que me vou enfrascar como um marinheiro no primeiro dia em terra, sê meiga comigo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tantas letras para quê? Tanta coisa para quê? Apenas para isto: fazes-me tanta falta, mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2439331114900306952?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2439331114900306952/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/natal-sem-ti-ii-e-sem-revisao-de-texto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2439331114900306952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2439331114900306952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/natal-sem-ti-ii-e-sem-revisao-de-texto.html' title='Natal sem ti (ii) e sem revisão de texto'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Z_6iz7qY9iM/TvxxfyvcRnI/AAAAAAAAAtI/NLkSY5Aau8c/s72-c/Sorolla-JustOutOfTheSea.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-5929657238356715</id><published>2011-12-29T05:50:00.000-08:00</published><updated>2011-12-29T05:53:17.115-08:00</updated><title type='text'>Rio Hard Core &amp; Pulp Noir</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8I4sPrBylW8/Tvxwtr4_OCI/AAAAAAAAAs8/1qXuCUMES9A/s1600/noir-rio.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-8I4sPrBylW8/Tvxwtr4_OCI/AAAAAAAAAs8/1qXuCUMES9A/s200/noir-rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691547959267637282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ray Cortese gostava de calor e de mulheres que se iam embora antes do amanhecer, mulheres entusiastas de quartos de hotel e de fumar na cama. Ray era um desses tipos duros como uma tira de couro onde se afia uma navalha. Praticou pugilismo em subcaves sem janelas, andou sozinho, a meio da noite, em bairros sem candeeiros públicos, foi atirador especial na guerra do Afeganistão. Cresceu nas ruas de Newark, filho de emigrantes portugueses, ágil nos esquemas, rápido de punhos, devorador de mulheres que cediam à sua mão, forte e precisa de atirador especial, segurando a cintura de um vestido, num canto escuro do bar, fumo nos olhos, álcool na língua, chamas nas virilhas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray Cortese gostava de calor e de mulheres fáceis. Sentou-se numa esplanada da Avenida Atlântica, tirou o chapéu de palha – uma cópia tropical dos chapéus de detective que usava no hemisfério norte. Pediu um rum sete anos com gelo e uma rodela de lima. Enrolou um cigarro, cruzou as pernas, varreu todo o território em seu redor com olhos de matador profissional. Nenhuma daquelas pessoas suspeitava de como seria uma vítima dócil e sem hipóteses de fuga. Mesmo ao seu lado, estava um italiano balofo com olhos raiados de sangue e pele viscosa de suor. Tão bêbedo como um adolescente na sua estreia com tequila, o italiano babava para cima de uma negra de cabelos esticados até aos ombros. Seria tão fácil degolá-lo numa rua a caminho do hotel, dar-lhe um tiro na nuca com silenciador, oferecer-lhe uma cerveja com pozinhos que desfazem as entranhas e provocam gritos suínos de dor.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray reformara-se, não matava mais ninguém, fosse em guerras, fosse num quarto de hotel nos Emirados Árabes, a troco de uma transferência para uma conta bancária numa qualquer ilha onde os narcos vão branquear dinheiro e os políticos vão esconder subornos.     &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray passara por Lisboa nos primeiros meses da sua aposentadoria. Namorou uma fadista amadora, Rosa Maria. Não deu certo. Ela encharcava-se em vinho e oferecia-se aos guitarristas. Ray quis apontar-lhe uma arma, talvez dar-lhe uns tabefes, chegou a agarrá-la pelo pescoço. Mas Ray estava reformado e já não fazia mal a ninguém. Voou para o Rio de Janeiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez viajasse pelo continente, costa a costa, do Rio a Santiago, só ele e um automóvel sem capota. Mas primeiro passaria algum tempo em esplanadas cariocas, fumando e bebendo, aproveitando a vista, deixando fortalecer a pulsão dentro de si, um crescendo musical, como uma orquestra, as cordas cada vez mais tensas, um constante rodopio de imagens de mulheres que se sentavam com turistas sexuais: pretas, brancas, sem peito, com bunda, safadas e tímidas, todas fazendo pela vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray não aguentava mais. Escolheu uma mulher jovem, longos cabelos de índia e boca de beijo na boca, lábios de negra e de fruta, corpo enxuto e olhos de quem gosta de aprontar. Ela quis sentar-se e pedir uma bebida. Ray perguntou:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Como te chamas?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E ela disse a primeira mentira da noite. No quarto de motel, ligou a rádio, sacou uma garrafa do minibar e disse a segunda mentira: “Vamos beber uma cerveja?” Ray não sentiu nada de estranho nas bolhinhas da cerveja gelada. Mandou-a tirar a roupa. Disse: “Fica assim, diante do espelho, agora toca-te. Mais devagar.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray queria que ela tivesse prazer. Insistiu: “Estás a gostar?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela não falou e veio sentar-se em cima dele, cavalgando-o sobre as calças, o púbis roçando no tecido. Ele agarrou-lhe os cabelos na base da nuca e disse:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Quero beijar-te.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Então beija.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fade to black. O quarto escuro, uma nesga de luz entrando pela janela e alguém a bater na porta. Ray abriu os olhos e a cabeça estalou como um glaciar desmoronando-se sobre o oceano. Levantou-se, desequilibrou-se, mas caminhou para a porta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Quem é?&lt;br /&gt;" &lt;br /&gt;“Já passa da hora, senhor.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Que horas são?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Uma da tarde.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray abriu a porta: “Onde é que estou?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Em Copacabana.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray olhou para o quarto e viu a sua roupa no chão, a carteira aberta, sem cartões ou dinheiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Filhadaputa.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Boa noite Cinderela”, disse o homem.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O quê?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Você foi roubado, doutor. Boa noite Cinderela: é uma droga que deixa você apagado, sem memória, buraco negro. Quer que eu chame a polícia?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Não.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O motel está pago, o senhor pagou na entrada. Tem como ir para casa?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray caminhou até ao hotel onde estava hospedado pela calçada de Copacabana. O sol a pique e o barulho de martelos pneumáticos, o bufar dos ônibus que ameaçavam atropelamentos e o corpo moído da droga, obrigaram Ray a entrar numa loja de roupa feminina com ar condicionado. Uma mulher trouxe-lhe um copo de água. Ray esperou alguns minutos, agradeceu e foi para o quarto de hotel planear o crime que interromperia a sua reforma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pediu o jantar pelo telefone. Filet com fritas, mal passado, e arroz com feijão. Bebeu uma cerveja gelada, tomou um duche e prendeu o revólver entre a base das costas e as calças.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nas ruas de Copacabana encontrou ainda o mesmo barulho, mas agora distorcido pelo álcool servido nos botecos, suavizado pelas coxas das moças e pela maresia que saía da praia como nevoeiro para se colar na roupa e diminuir a visibilidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray sentou-se na mesma esplanada da noite anterior. Reconheceu caras e bundas, voltou a ver os turistas que procuravam carne fresca e se chegavam à frente com a carteira sempre que aparecia uma conta, subsidiando romances tropicais com os euros das suas pensões, ordenados e cartões de crédito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi fácil a Ray saber onde morava Cinderela. Pagou, falou curto, não ameaçou, mas ficou claro que alguém se podia machucar caso um endereço não fosse escrito num guardanapo. Uma das mulheres alertou: “Vai não, esse lugar é perigoso.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray entrou num táxi e mostrou a morada ao taxista, que se recusou a fazer aquela corrida: “O senhor me desculpe, mas aí eu não vou não.” Ray entrou noutro táxi e atirou uma nota de cem euros para cima do banco do pendura.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma hora depois entrou numa rua cheia de barracos, na zona norte do Rio. Havia gente num boteco feito de madeira e chapas de zinco. Não eram dez da noite quando Ray saiu do táxi e viu Cinderela grelhando linguiças num braseiro, dois miúdos descalços brincando na terra, e uma televisão gritando reality shows no interior do barraco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray sentiu a coronha do revólver. Olhou para as crianças. Cinderela não hesitou um instante. Caminhou na direcção de Ray e pregou-lhe a maior bofetada na história da indignação das putas: “Como você se atreve a vir na minha casa. Meus pais estão lá dentro. Me respeite.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ray afastou a mão da pistola e caminhou para trás. Ela disse: “Passe lá amanhã, pelas nove, que eu lhe devolvo tudo.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No dia seguinte Ray vestiu-se como se para o baile do liceu. Foi sentar-se na esplanada. Ia esperar por ela. Dependia de uma puta ladra para, muitos anos depois do primeiro tiro, voltar a acreditar nalguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-5929657238356715?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/5929657238356715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/rio-hard-core-pulp-noir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5929657238356715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5929657238356715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/rio-hard-core-pulp-noir.html' title='Rio Hard Core &amp; Pulp Noir'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8I4sPrBylW8/Tvxwtr4_OCI/AAAAAAAAAs8/1qXuCUMES9A/s72-c/noir-rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-1533326772682107974</id><published>2011-12-14T04:43:00.000-08:00</published><updated>2011-12-14T04:56:10.915-08:00</updated><title type='text'>Papai Noel deu sorte</title><content type='html'>Domingo de chuva num décimo segundo andar e, lá fora, as decorações precoces de Natal ficam distorcidas por causa da água nas janelas. Dia espesso com luzinhas a piscar nostalgia. No outro lado da rua, o Shopping da Gávea emitia o mesmo burburinho que começa a sentir-se em cidades de todo o mundo por esta altura do ano. Também aqui se inaugura uma árvore gigante com direito a festa e romaria. É no meio da Lagoa e podia ser a nave espacial do Homem de Ferro. Já reparei nos supermercados com cartazes de duendes e renas. Já estranhei o bafo quente das noites enquanto pinheiros iluminados brilham nos apartamentos cariocas. Não há aqui memórias de cheiro a pinhas, frio nos dedos quando se vai fumar um cigarro após a ceia, ruas nubladas pelo fumo das lareiras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É domingo de chuva e, como se fosse visitada pelo fantasma do Natal passado, ela volta a contar a história do Papai Noel – já o tinha feito em Lisboa, já o fez no Rio. No início da carreira, ela trabalhava numa agência de publicidade. Um dos clientes, uma marca de lingerie, apreciava o arrojo e a polémica. Decidiu que queria fotografar um Papai Noel rodeado de gostosonas em trajes menores. Ela tinha como missão encontrar o Papai Noel mais vagabundo, desdentado, bebum, que só existe nos filmes ou em certos lugares do Brasil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois de pôr anúncios nos jornais e fazer entrevistas a candidatos, encontrou o seu Papai Noel desgraçado, fodido e com má sorte genética. Trabalhava num shopping lá na Casa da Desgraça e a perspectiva de passar um dia rodeado de mulheres jovens e bonitas, meio despidas, e ainda ser pago por isso, era suficiente para dizer que sim, assinar o contrato, e aparecer no estúdio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tudo corria bem. O cliente gostou, a campanha estava a ser um sucesso, o Papai Noel deu sorte e tinha guita no bolso para pintar a casa, comprar uma TV ou espatifar tudo no boteco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Antes do Natal ela começou a receber telefonemas do Papai Noel: os outdoors estavam por todo o lado, o centro comercial despediu-o por razões de conduta moral, os vizinhos não paravam de fazer piadas, as mães não queriam os filhos no colo do Papai Noel tarado. Não tinha trabalho. Disse: “Você desgraçou a minha vida.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os fantasmas do passado andam sempre connosco, seja na praia de Ipanema ou na casa da família portuguesa, onde o Natal é frio que dói mas podemos aquecer-nos no colo daqueles que são nossos desde nascença.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No final da tarde, já de saída, reparei no presépio da portaria do prédio. Além do burro e da vaca, um elefante com a tromba ao alto velava o Menino Jesus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já aceitei que agora o Natal será outra coisa. Um Papai Noel one hit wonder ou um Menino Jesus versão safari serão tão normais como as rabanadas da tia Albertina ou as crianças da família a abrir os presentes antes da hora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ela agora também é a minha família. Pela segunda vez consecutiva passarei a ceia de Natal em sua casa. Vou pedir-lhe que volte a contar a história do Papai Noel: é muitas vezes na repetição que encontramos o melhor dos consolos, o regresso a casa quando estamos longe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-1533326772682107974?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/1533326772682107974/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/papai-noel-deu-sorte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1533326772682107974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/1533326772682107974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/papai-noel-deu-sorte.html' title='Papai Noel deu sorte'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7192055664946253827</id><published>2011-12-08T08:58:00.000-08:00</published><updated>2011-12-08T09:01:35.830-08:00</updated><title type='text'>Molecada da peladinha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-uWAWldaUbuU/TuDtadGoApI/AAAAAAAAAsk/n_LFUxUmGF8/s1600/Mats%2BMagnusson.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 166px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-uWAWldaUbuU/TuDtadGoApI/AAAAAAAAAsk/n_LFUxUmGF8/s200/Mats%2BMagnusson.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5683803768486363794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"A gente não faz amigos, reconhece-os"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vinicius de Moraes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se me perguntam: “Qual é seu time?” Respondo: “Benfica.” Se me perguntam: “Qual é o seu time no Brasil?” Respondo: “Vasco da Gama.” Mas há uma grande diferença. Tal como não escolhi apaixonar-me por Sónia na primeira classe, também não decidi que seria do Benfica. Não me lembro do momento em que passei a ser benfiquista. Sou, fui e serei.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ninguém aqui me pergunta porque sou do Benfica – quem gosta de bola sabe que essa questão não tem uma resposta objectiva, que a escolha do primeiro clube do coração, bem como aquilo que nos faz ser mais trogloditas, drama kings ou uma pilha de nervos no tempo extra do jogo, não pode ser apurado com precisão histórica e distância científica. No entanto, quando respondo “Vasco da Gama” – eles sabem que foi uma escolha –, as sobrancelhas levantam-se, os flamenguistas indignam-se, os vascaínos abraçam-me, os tricolores dizem que sou cliché – o Vasco é o clube dos portugueses, tem no emblema a cruz de Cristo em tempos propagandeada pelas caravelas lusitanas, os primeiros acordes do hino são os mesmos da “Portuguesa”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É verdade, na busca racional que fiz para escolher um clube no Brasil, apoiar uma instituição fundada por portugueses parecia fazer algum sentido. Além disso, o Vasco foi o primeiro clube com negros no plantel, quando o Fluminense pintava os seus jogadores negros com maquilhagem branca, uma patética tentativa de burla, que levou o clube a ganhar o cognome de “Pó de arroz.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um dos meus músicos favoritos, Paulinho da Viola, é vascaíno. Um dos meus escritores brasileiros preferidos, Rubem Fonseca, e uma das suas personagens, Mandrake, mulherengo, advogado criminalista e Lone Ranger da Zona Sul, são vascaínos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas mais que tudo, foi um amigo, antigo emigra portuga no Brasil, com quem estive no Rio em Dezembro passado, que me falou do Vasco da Gama com tanto entusiasmo e boas memórias, que me pareceu evidente que me tornaria vascaíno. Sei que talvez tenha havido também um impulso infantil na escolha de clube feita pelo meu amigo quando chegou ao Rio (ele chama-se Vasco; mas entende-se e perdoa-se, na pós-adolescência admito que usei um perfume Hugo Boss porque me chamo Hugo). Mas o que é o futebol se não a recuperação semanal da infância, como escreveu o madridista Javier Marías?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não há nada de mal nesse impulso infantil, isso foi e será sempre uma parte das nossas conversas em botecos, em varandas com vista para a Xácara do Céu, nas sessões de parvoíce, na camaradagem, na amizade e na compreensão. Com o meu amigo, fui várias vezes ao estádio da Luz. Espero agora o dia em que entremos em São Januário para ver o Trem Bala da Colina, aka, Vasco da Gama. Sei que jamais agitarei a alma ou cansarei as cordas vocais, como aconteceu com o golo de Vata, o penálti de Veloso ou o 6-3 em Alvalade. Mas o meu coração, tal como o coração do meu amigo Vasco, é suficientemente grande para albergar a cruz de malta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7192055664946253827?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7192055664946253827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/molecada-da-peladinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7192055664946253827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7192055664946253827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/12/molecada-da-peladinha.html' title='Molecada da peladinha'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-uWAWldaUbuU/TuDtadGoApI/AAAAAAAAAsk/n_LFUxUmGF8/s72-c/Mats%2BMagnusson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-6842218487505231148</id><published>2011-11-30T06:26:00.000-08:00</published><updated>2011-11-30T06:30:34.925-08:00</updated><title type='text'>Breve história verdadeira sobre um portuga no Vidigal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-WElrOZH004k/TtY-AjNpfEI/AAAAAAAAAsY/aqquhsJZ0gw/s1600/220051_106838422737957_100002353998362_71219_7289454_o.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-WElrOZH004k/TtY-AjNpfEI/AAAAAAAAAsY/aqquhsJZ0gw/s200/220051_106838422737957_100002353998362_71219_7289454_o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5680796159147867202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O jogo da primeira mão entre Portugal e Bósnia passava na televisão de um bar no Vidigal. Os locais preferem dizer comunidade em vez de favela. O Vidigal fica bem perto da Rocinha, há até um caminho entre as duas comunidades. Três homens viam Cristiano Ronaldo na TV, havia cervejas nas mesas ao ar livre e uma vista para as ilhas Cagarras boiando no oceano. O meu amigo, habitante do Vidigal, entediado com o zero a zero, contou-me então a história de Nuno – nome fictício por razões que perceberão em seguida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nuno era menino de paitrocínio, tinha vindo para o Rio estudar ou estagiar ou fingir que procurava um emprego. Grande parte das divisas enviadas pela família portuguesa era gasta em sextas-cheiras, que passaram a ser também segundas-cheiras, terça-cheiras e por aí adiante, uma viagem para o abismo cocainómano do playboyzinho lisboeta. Nuno mudou-se para o Vidigal. Tinha um aluguer mais barato e estava perto dos seus abastecedores. O meu amigo contou que, certo dia, chegado de férias em Lisboa, subiu o morro e deu de caras com Nuno, metralhadora apoiada no braço, branco e magrelas e estrangeiro como mais ninguém naquele negócio. Nuno tinha entrado para o tráfico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nos botecos, nas calçadas, entre soldados e locais, rolava já a piada: se alguma coisa sujasse, o português seria o primeiro a ser entregue aos policiais. O meu amigo decidiu alertar Nuno. Disse-lhe que pensasse bem nos seus hábitos nasais e que ponderasse se fazia algum sentido um menino de Lisboa andar de fuzil nas favelas do Rio de Janeiro. Nuno não estava preparado para disparar aquela arma. Pirou-se sem beijinhos ou abraços, durante a noite, e deixou as suas coisas para trás. A casa foi pilhada pelos bandidos, que passaram a vestir a roupa de Nuno.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O jogo terminou zero a zero. A selecção aborrecida no Vidigal. O meu amigo disse-me: “Ainda podes ver aí bandidos com camisolas da selecção portuguesa e do Benfica que roubaram na casa do gajo.” Um desses traficantes matou dois bandidos da Rocinha num baile funk. O meu amigo estava lá. Ouviu os disparos. Os corpos, conta-se no Vidigal, foram pendurados de cabeça para baixo, o sangue drenado. Em seguida foram cortados em pedaços. Terminaram como comida para porcos. O tipo que os matou nunca mais mostrou a cara no Vidigal. O meu amigo diz que há um vídeo no Youtube onde ele aparece com a camisola da selecção portuguesa. Fui ver e é verdade. Mas não tem cara de bandido. Desci o morro e entrei numa van a caminho de Ipanema. Dias depois o Vidigal foi ocupado pela polícia. Ninguém morreu e a vida continua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-6842218487505231148?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/6842218487505231148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/breve-historia-verdadeira-sobre-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6842218487505231148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/6842218487505231148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/breve-historia-verdadeira-sobre-um.html' title='Breve história verdadeira sobre um portuga no Vidigal'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-WElrOZH004k/TtY-AjNpfEI/AAAAAAAAAsY/aqquhsJZ0gw/s72-c/220051_106838422737957_100002353998362_71219_7289454_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7421791603370290555</id><published>2011-11-19T05:22:00.000-08:00</published><updated>2011-11-19T05:23:58.217-08:00</updated><title type='text'>Fado de Outono</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-kZ37opNWfU0/Tset5Wb5bJI/AAAAAAAAAsM/MOsToMcvH7M/s1600/lx.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-kZ37opNWfU0/Tset5Wb5bJI/AAAAAAAAAsM/MOsToMcvH7M/s200/lx.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676697056110537874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na praça da cidade montam um carrossel e cruzo-me com os miúdos pequenos nalguma visita de estudo, as professoras atentas como sentinelas de uma manada de crias, dois a dois e de mãos dadas, a idade de quem acabou de perder os dentes da frente, uma daquelas tardes sem cor no céu e com o vapor de transpiração infantil nas janelas embaciadas da sala de aula, exactamente como quando na segunda classe a Sónia de olhos azuis e franja de escandinava estragou uma das minhas canetas de feltro molin – logo a vermelha, num estojo de 12. Quando fosse grande como o meu irmão, dizia a minha mãe, receberia um estojo de 48 canetas que parecia um órgão com teclas a tripar LSD. Sónia, se te dei um pontapé na canela foi porque gostava demasiado de ti – quando fazias um desenho a ponta da tua língua equilibrava-te, apertando-se entre os lábios cor de melancia sem sementes. Sónia, se fui mandado para a rua e te deixei a chorar, foi porque desde o primeiro período da Infantil que queria encostar a minha boca nas tuas bochechas cor-de-rosa, tão quentes e pegajosas como a sala de aula naquela tarde, e tu nunca sequer suspeitaste. Sónia, agora que passou tanto tempo, agora que os outros miúdos estão no recreio e nós de castigo, presos na idade adulta, não chores mais porque o rimmel que usas não é à prova de prantos. Sónia, não podia ser mais importante: deixa que a minha boca sinta a tua pele de fim de tarde e prometo-te que um dia vou ter um estojo com 48 canetas de feltro. A vermelha é para ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7421791603370290555?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7421791603370290555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/fado-de-outono.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7421791603370290555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7421791603370290555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/fado-de-outono.html' title='Fado de Outono'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-kZ37opNWfU0/Tset5Wb5bJI/AAAAAAAAAsM/MOsToMcvH7M/s72-c/lx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-4733331649989856418</id><published>2011-11-16T07:41:00.000-08:00</published><updated>2011-11-16T07:45:23.505-08:00</updated><title type='text'>Monsieur Camus e o amigo português</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-SLxfc0cY6iw/TsPahAQmWXI/AAAAAAAAAsA/GGCRyY2uVG0/s1600/camus.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 152px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-SLxfc0cY6iw/TsPahAQmWXI/AAAAAAAAAsA/GGCRyY2uVG0/s200/camus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675620215957117298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No aniversário do Cristo Redentor, o Rio foi tomado por um caso grave de nevoeiro londrino e até as senhoras putas, que não viam um palmo diante dos olhos em Copacabana, recolheram a casa. Pecou-se menos nessa noite. O Redentor devia estar contente, afinal de contas era o seu aniversário, ainda assim resolveu cobrir-se de nuvens, e não apareceu em nenhuma das celebrações que a cidade organizou em seu louvor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No outro dia, nas notícias, anunciaram que uma mulher grávida caiu de um nono andar e sobreviveu. Entrevistaram-na na cama de hospital. Estava bem, o filho impecável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E há uma semana, por exemplo, um amigo viu o Saci Pererê enquanto bebia cachaças e comia uma feijoada num restaurante do Jardim Botânico. Tinha a certeza que era ele, com aquele barretinho vermelho e sorriso trocista, aparecendo e desaparecendo entre as sombras da mata. Além disso só tinha uma perna, o que reforça o testemunho do meu amigo. Tudo bem, era noite de Halloween e havia gente mascarada, mas o que lhe quero dizer é que nesta cidade acontecem coisas estranhas. Por isso, não me espantei muito quando lhe pedi fogo e ouvi esse sotaque franciú e me dei conta que estava a falar consigo. Também vi no Facebook que esta semana fazia anos. Veio ao Rio para festejar a data?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Foi só então que me calei. Ele já tinha terminado o primeiro copo de cachaça. Eu oferecera a primeira rodada. Ele tocou com a língua nos dentes e um silvo disparou na direcção do garçon, que olhou, esperando o pedido. Ele levantou dois dedos. O garçon perguntou: “Salinas?”. Ele disse que sim com a cabeça.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Waldislei é fanático do Vasco da Gama. Trabalha aqui há vinte anos. Você gostava de futebol, não gostava?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Eu insistia em utilizar o pretérito imperfeito, como se ele estivesse morto. Mas ele estava ali, fumando cigarros de enrolar, golas do casaco levantadas, um homem bebendo e comendo carne seca na mesa do Caranguejo, um boteco de Copacabana. O meu desconforto não estava relacionado com os pormenores sobrenaturais do episódio. Se me encontrava nervoso e falador e pronto a embebedar-me mais, foi porque em tempos fui grouppie de Camus – o primeiro escritor que achei que podia fazer um road trip com Steve McQueen e que, descobri mais tarde, morreu num acidente de carro.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E se fossemos a outro lugar?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Entrámos na orla e caminhámos pelo calçadão. O vento desapareceu assim que passámos pelo Arpoador, o mar abrindo-se aos barcos que esperavam para entrar no porto da prosperidade brasileira. Lá ao fundo, apesar de desfocados pela maresia, estavam o Hotel Sheraton e a favela do Vidigal. Fomos avançando em silêncio, amparados entre o som das ondas e o galopar do trânsito. Camus desapertou o casaco e decidiu ir pela praia, onde arregaçou as calças e tirou os sapatos e as meias. De cigarro na boca entrou mar adentro, molhou-se até aos joelhos e saiu da água directamente para o quiosque onde pediu duas cervejas de lata. “Bem geladas”, disse, tentando imitar um carioca da gema. Sorria, por fim, o escritor. Sorriu com o barulhinho bom da cerveja assim que o dedo abriu a lata. Sorriu ao ver passar um rapaz de bicicleta que puxava uma garota de patins. Sorriu diante de um jogo de vólei de praia entre equipas femininas com calçõezinhos que encolheram na máquina de lavar.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se quiser podemos ir até ao Vidigal, um amigo meu vive lá, bebemos mais umas cervejas, vai rolar uma festa lá perto. Tudo tranquilo, malta do bem. Há uns quantos franceses a viver no Vidigal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Fez-me a primeira pergunta da noite. Seguiram-se várias enquanto caminhávamos entre o posto 9 e o posto 11.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Que festa é essa?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma festa numa casa antiga, uma vista animal, alto jardim, e paga-se para entrar. É organizada por gente de lá, da comunidade, mas é frequentada por muitos estrangeiros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Caminhamos?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Podemos ir de van.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“O que é uma van?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;São veículos para quinze pessoas que por vezes levam vinte. Basta levantar o braço e a van pára para te apanhar ou largar em qualquer lado. Tudo isso com a emoção da velocidade e o privilégio de ouvir as conversas telefónicas dos outros passageiros. Só custa dois reais e trinta. Do Leme à Rocinha. Da Barra ao Centro. E algumas até oferecem ar condicionado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Entrámos numa van e Camus quis pagar ao cobrador que, com metade do corpo enfiado na janela, gritava para a calçada: “Vidigal, Rocinha, tem lugar sentado”. O escritor recebeu o troco e pôs-se a olhar pela janela. Decidi calar-me. Tinha prometido que não pediria um autógrafo, que não me armaria em stalker da Feira do Livro, que não declamaria a primeira frase de “O Estrangeiro” nem juntaria as mãos gratas, informando que “A Peste” me levou a ser escritor. A fase em que eu tinha sido grouppie de Camus não era apenas resultado do pretensiosismo do rapazote adolescente que descobrira um escritor. Eu admirava Camus como admirava o Homem-Aranha, o Sherlock Holmes ou algum detective privado numa série de TV. Mais do que escrever, queria ser como Camus – o sucesso precoce e o destino trágico dos ídolos têm um enorme poder de atracção nas mentes e nos corações jovens. Eu queria ser Camus e fumar aqueles cigarros e usar aqueles casacos e aparecer naquelas fotografias a preto e branco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A van deixou-nos na entrada do Vidigal. Saltámos para a confusão, cheirava a churrasquinho e a gasolina. Expliquei como íamos subir o morro.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu pago o mototáxi. Não se importa de ir sem capacete?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Quais são as probabilidades de ter um acidente mortal duas vezes?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tem razão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Cada um saltou para a sua moto e os nossos condutores aceleraram morro acima, desviando-se de outros veículos e animais e pessoas, produzindo em mim – e aposto que em Camus - essa contradição entre o medo da queda e a voragem pela velocidade. Entrámos na rua onde vivia o meu amigo português, comprámos cervejas de garrafa no bar do Carlão e gritei para a janela.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Rodrigo, Rodrigo, sou eu. Ele deve estar a dormir ou a tomar banho, vamos até ao fim da rua, tem ali um mirante, vai-se passar com a vista.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(O escritor acendeu novo cigarro e afastou um mosquito da cara. Eu disse: “Cuidado com o dengue.” Ele disse: “Não será um problema tendo em conta a minha condição.” E outra vez o silêncio seguido de um sorriso. Ele abriu uma das garrafas, usando o isqueiro para fazer saltar a carica, e bebeu e sorriu outra vez, os seus olhos voando sobre o Rio, sobre as luzes do calçadão que delimitam a costa, sobre a praia branca onde ainda há pouco ele tinha molhado os pés.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu não disse que era uma vista do cacete? Vamos lá ver se o meu mano Rodrigo já abriu a pestana.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Em pouco tempo chegaram mais pessoas, estrangeiros e locais, uma mistura de idiomas e sotaques, um festa antes da festa, mais cerveja e música, o escritor dançando com uma mulata, ouvindo histórias sobre o tráfico, bebendo mais, ouvindo mais histórias, sempre atento e com a mesma alegria que mostrara no mirante. Eu olhava para ele e era como se visse um menino sábio, uma criatura capaz de deslumbrar-se ainda com tudo mas detentora de clarividência e de paz, como se estivesse drogado ou tivesse super poderes ou fosse exactamente aquilo que eu gostaria de ser. Saímos de casa. Rodrigo não trancou a porta – “Aqui ninguém rouba nada”. O meu amigo portuga, que abandonara o corporate business de S. Paulo para montar a sua micro empresa na favela do Vidigal, começou a chinelar pela calçada e explicou ao escritor a origem do nome da festa onde íamos. “Lamparina. É a festa do Lamparina mas a maioria das pessoas que lá vai não faz ideia de quem era o Lamparina. Um dia foi dormir e não acordou.” O escritor perguntou-lhe a causa da morte. “Olha, porque se cheirava desde os 14 e já tinha uns 40. Mas cheirava como quem fuma cigarros.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Passámos em frente a um bar – balcão, três mesas e seis cadeiras na rua – e alguém comprou alguma coisa ao mulato com uma bolsinha a tiracolo. O mulato, na sua esquina, era guardado por dois brothers com metralhadoras. O escritor cumprimentou toda a gente, parecia habitante da comunidade, vizinho de longa data. O Rodrigo disse-me: “Este teu amigo é cá um ninja.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entrámos na festa com um desconto conseguido pelo Rodrigo, que passou parte da noite a conversar com o escritor e a apresentá-lo aos convivas. Eu perdi-me. Havia muita gente nos dois níveis do jardim. Também me lembro de um longo corredor, com areia e velas, que ia desembocar no banheiro feminino. Encontrei o escritor nesse corredor.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não lhe faz confusão estar numa festa, na favela, no meio de gente que podia estar numa festinha em Berlim? Não o faz pensar? Não estou a dizer que está bem ou mal, mas não o faz pensar?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Eu queria mostrar ao escritor que reflectia sobre as coisas, que me preocupava com a existência dos outros, que tinha interesses. Ele olhou para o lado e uma mulher, negra e magra como uma pantera que faz ginástica, saiu da casa de banho para os seus braços. Deixei-os a sós. E mais uma vez ele sorriu. Sobre a festa posso dizer que tinha muitas mulheres bonitas e bem vestidas e encantadas pela música e pela vista. O escritor dançou, bebeu e flirtou. Já era quase de manhã quando voltei a falar com ele.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vou andando.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Eu vou também.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(Descemos o Vidigal a pé, a comunidade amanhecia e já cheirava a café e a pão na chapa. Meninas sofisticadas e meninas hippies desciam também, saídas da festa, cruzando-se com o ruído dos mototáxis e com as negras a caminho do trabalho na zona sul. O escritor entrou na primeira van que viu. Descemos na praia de Ipanema quando o sol, da cor da lava, aparecia sobre a pedra do Arpoador. Disse que tinha de ir ao supermercado. O escritor sacou de uns óculos escuros e perguntou: “Está aberto?”)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Está aberto 24 horas por dia. Tenho de comprar pão e água. Não beba água da torneira. Quer dizer, você deve poder beber e comer tudo que nada lhe faz mal. Quer alguma coisa?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(O escritor tinha a serenidade de um guerreiro Jedi. Queria falar com ele sobre as favelas, sobre o Rio, sobre a matéria-prima literária a cada esquina. Queria que ele tivesse orgulho de mim. E foi então que ele falou como se tivesse escutado os meus pensamentos. “Não te preocupes. Gostei muito desta noite. Não te preocupes tanto e com tantas coisas. Eu estou muito bem.” Ele sabia mais que eu, entendia mais que eu, está em algum lugar de lucidez que eu ainda desconheço. Bastou olhar para ele e percebi que não tinha de explicar-lhe nada sobre favelas ou sobre as idiossincrasias do Rio. Ele deslizava acima do meu conhecimento, fluido e silencioso como um jacto telecomandado.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Podemos ir ali ao corredor dos doces? Tenho uma cena inacreditável para te mostrar. Quando vi isto pela primeira vez os meus olhos quase saltaram como nos desenhos animados. Vê bem isto e tripa. Ovomaltine para barrar no pão. O Brasil no advento da inovação. Felicidade pura e à colherada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“É isso aí.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(O escritor abriu o frasco, enfiou o indicador lá dentro, e lambeu-o.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“É isso aí.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;(E depois voltou a sorrir.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-4733331649989856418?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/4733331649989856418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/monsieur-camus-e-o-amigo-portugues.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4733331649989856418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4733331649989856418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/monsieur-camus-e-o-amigo-portugues.html' title='Monsieur Camus e o amigo português'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-SLxfc0cY6iw/TsPahAQmWXI/AAAAAAAAAsA/GGCRyY2uVG0/s72-c/camus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-5015823844676902410</id><published>2011-11-10T04:44:00.000-08:00</published><updated>2011-11-10T04:45:49.769-08:00</updated><title type='text'>Preto, branco e poucos cinzentos</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/ojeJ-DCMtls" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cerca de um ano subi a favela do Cantagalo e dei por mim fora de pé, num planeta distante, tão perdido e sem referências que, ingenuamente ou porque não sabia o que dizer, perguntei ao antigo armeiro dos traficantes se o seu ofício de arranjar e limpar armas de bandidos era uma actividade perigosa. Ele olhou para mim como se eu fosse uma criança atrasada mental incapaz de entender o seu mundo e disse: “Moço, eu trabalhava para traficantes e era procurado pela polícia.” O meu interlocutor, de cognome ACME, é hoje um artista plástico que descobriu Jesus, casou, teve filhos e se livrou do vício do crack e de ser fuzilado por um dos maus da fita – contou-me como um traficante não quis acreditar que uma das armas mais caras, que lhe entregara para limpar, já estava escangalhada quando chegou ao seu barraco/oficina. ACME explicou-me ainda que foi preciso sorte e perseverança para convencer o chefe dos bandidos a tirar o dedo do gatilho, convencendo-o de que não era responsável pelo defeito do fuzil. Safou-se mas não foi a única vez que teve uma arma apontada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando visitei o Cantagalo, experimentei cheiros inéditos e um calor opressivo, que escorria das paredes de tijolo como suor numa cela solitária. Tudo era tão novo como estranho e desconfortável e fascinante. Muitas vezes fiquei calado, sem que a minha expressão facial soubesse reagir a histórias como: “Se um moleque rouba roupa do varal leva um tiro na mão dos traficantes.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Comigo (e com a amiga que me acompanhou nesta viagem) seguiu durante algum tempo um bêbedo que me avisava da merda de cachorro no chão e que me disse: “Isso aqui é ruim de mais, mas isso aqui é bom de mais.” Há pouco tempo, um amigo português, que também vive no Rio, contou-me o que dizia Tom Jobim: “Viver em Nova Iorque é bom, mas é uma merda. Viver no Rio é uma merda, mas é muito bom.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E este fim-de-semana, lendo um artigo sobre a falta de civismo no trânsito numa rua do chique bairro do Leblon – carros em terceira fila, atropelamentos, flanelinhas (arrumadores) – um taxista entrevistado dizia: “Todos têm razão e ninguém tem razão.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É o maior lugar-comum sobre o Brasil mas é a verdade: os contrastes aqui são tão intensos como o calor num dia de verão com a humidade a bater no vermelho. Um dia passo-me da cabeça com a burocracia medieval e no outro dia espanto-me com a qualidade de alguns serviços. Um dia oiço na rádio que o estado do Mato Grosso anda a ceifar a floresta sem pejo ou consciência e, no mesmo dia, leio que o estado do Rio de Janeiro vai plantar milhões de árvores até 2016. Uma dia vejo um grupo de crianças miseráveis e meio nuas a pedir na calçada e no mesmo dia estou numa festa com gente que fala francês e que bebe gin Hendrick’s com pepino.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Há aqui uma constante sensação de choque e deslumbramento. De manhã espanto-me com a notícia que na última década foram desviados 720 mil milhões de reais de dinheiro público e de tarde espanto-me com o trabalho comunitário na favela do Cantagalo – workshops de música, a construção de um museu, a solidariedade entre os habitantes desse espaço onde me senti um extraterrestre.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma das tendências inevitáveis de quem vive no estrangeiro é comparar o lugar onde está com o lugar de onde veio – fiz isso quando vivi em Nova Iorque ou em Madrid. Faz parte da condição humana. Já ouvi aqui portugueses a queixar-se do Brasil e brasileiros a queixar-se de Portugal. Disse a um amigo que tinha sido mal tratado numa repartição pública e ele, carioca, disse-me que fora enxovalhado no aeroporto da Portela. É muito fácil ceder a esse impulso de comparação, mas começo a perceber que é um exercício ingrato e desgastante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um amigo português que vive em Madrid há quase dez anos, mas que está a pensar mudar a sua empresa para São Paulo, disse-me em tempos: “Não é importante ser o mais forte mas o que melhor se adapta.” É isso que tento fazer aqui. Se assim não for, mais vale a pena fazer as malas e voltar para casa dos papás onde tudo é confortável e conhecido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ninguém disse que ia ser fácil. Ninguém disse que ia ser apenas sol e meninas bonitas na praia e caipirinhas de tangerina a meio da tarde.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Hoje, um deputado responsável pela investigação das milícias (polícias mafiosos que controlam os serviços ilegais de fornecimento de luz, tv cabo e protecção em algumas favelas), está a caminho da Europa, com a família, a convite da Amnistia Internacional, porque corre risco de vida. Hoje, ouvi a nova música de Marisa Monte e vi cajus frescos numa feira e li um poema de Drummond de Andrade e beijei uma mulher bonita.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ninguém disse que ia ser fácil, mas já me disseram que, no final, vai valer a pena. E essa é a eterna e a maior esperança do Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-5015823844676902410?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/5015823844676902410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/preto-branco-e-poucos-cinzentos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5015823844676902410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5015823844676902410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/preto-branco-e-poucos-cinzentos.html' title='Preto, branco e poucos cinzentos'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/ojeJ-DCMtls/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-8247359444404297496</id><published>2011-11-04T07:30:00.000-07:00</published><updated>2011-11-04T07:38:11.342-07:00</updated><title type='text'>Santíssima trindade sob a influência do calor</title><content type='html'>Escreve aí no teu bloquinho a minha história. Há coisas que precisam ser ditas e gente jovem para impressionar. Tu metes isto num blog ou num jornal? Podes ligar o gravadorzinho. Depois manda-me o ficheiro de som para guardar nos meus arquivos. Ontem esteve cá a Rolling Stone Brasil e para a semana vou ao Jô Soares. Já visitaste S. Paulo? Ias gostar. E já andaste de helicóptero? Bebes dry martinis? Querias ser tão bem sucedido como eu?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estás pronto?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu tinha chegado ao Rio de Janeiro com a crise a morder-me os calcanhares. Em Portugal não tinha trabalho, voltei a viver com os meus pais, a minha namorada emigrou para Londres e ao fim de uns meses mandou-me um email a dizer que tinha conhecido uma pessoa e que cenas à distância só nos filmes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Soube que havia aqui emprego e apanhei o avião. Mas as coisas pioraram antes de melhorar. Dividia casa com Wilson, um rockabilly que tomava speed e fazia versões de Sinatra na sua guitarra heavy metal. O apartamento mantinha-se em bom estado porque, por vezes, depois de tomar um speed, ele se punha a fazer a faxina em fast forward enquanto eu espiava o Facebook da galdéria londrina. Fiz uns biscates como designer gráfico e quando o meu pai telefonou e lhe disse:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Ando a fazer uns bicos para me safar.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tive de explicar que aqui “bicos” são biscates. Entre nós esta historieta tem graça, ficava bem numa página de revista. Podes usar. Mas em algum momento o meu pai visualizou a imagem do filho a soprar na gaita de outro homem. E isso não tem piada nenhuma.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em frente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eram tempos de desalento e chovia muito. Um dia o Wilson entrou no meu quarto e disse: “Portuga, quero que você conheça um amigão do peito.” Enchemos a cara de cachaça e fumámos tudo. Eu e o Wilson, porque o convidado, The Show Man, um gadelhudo de túnica, com cara de último dos moicanos, não intoxicava o corpo seco e musculado de mestre de kung fu.&lt;br /&gt;The Show Man vendia sanduíches vegetarianas na praia, dava seminários de pinanço tântrico e tinha máximas pouco originais para todas as ocasiões.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Escuta o que o teu corpo te segreda.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu não ouvia nada a não ser o zumbido da minha consciência alterada por substâncias várias. Pode ter sido da moca, mas o momento foi místico. Wilson via porno no computador, eu acendia um baseado e The Show Man comia melancia. Levantou um dedo e repetiu várias vezes, criando um mantra:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“Maconha Sexo Melancia.”&lt;br /&gt;“Maconha Sexo Melancia.”&lt;br /&gt;“Maconha Sexo Melancia.”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Escuta, eu nem sou muito espiritual, mas uma pessoa chega a esta terra e sente a força dos morros e da selva e do bafo verde. Fosse o que fosse, aquele mantra mudou a minha vida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No dia seguinte acordei muito cedo. Fui dar um mergulho e lutar contra as ondas. É o que te digo, há aqui uma cena marada, não é por acaso que há terreiros, pulseirinhas do Bonfim e igrejas em todas as esquinas. Já reparaste na quantidade de autocolantes (eles dizem adesivo) a favor de Jesus Cristo colados em quiosques, portas de barracos e tabliers de taxistas? Há muita gente a explorar a cena mística. É um grande negócio. Maior do que o meu.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas adiante, fosse o que fosse, tive uma visão. Pus o plano em marcha. Primeiro tinha de testar o produto. Pedi erva ao Wilson, combinei um chope com uma amiga gótica do Wilson e pus a melancia cortada em cubos – que o Wilson tinha comprado – dentro do frigorífico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já estiveste com uma gótica? Pois, eu também gostava de dizer que tudo começou com a prima mais jovenzinha da Malu Mader, mas foi com uma gótica que testei o produto. No entanto, faça-se justiça: ela ficava muito melhor nua do que vestida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Maconha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fumámos um, ligámos as colunas ao computador, começámos a ouvir os instrumentos musicais com mais precisão, percebemos a sensibilidade apurada da pele, o aquecimento dos músculos, a doce tesão do fumo espalhando-se no sangue.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sexo&lt;br /&gt;Desapertámos botões e forçámos as costuras da roupa, beijámo-nos como se fosse uma viagem numa nave espacial, fornicámos tresloucadamente, depressa e devagar, mais beijos na boca e mãos amarradas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Melancia&lt;br /&gt;Quando os corpos regressaram à calma, o peito arfando e a cabeça num lugar qualquer, um lugar mais leve, então levantei-me e fui buscar a melancia: a boca ficou fresca, os olhos reagiram, a polpa desfez-se na língua e activou de novo o sangue. Estava fechada a minha peça magistral.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Maconha Sexo Melancia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Experimentei com outras mulheres antes de fechar um plano de negócio. Projectei workshops, apresentações na televisão, um livro, claro, centros de atendimento espalhados por todo o país, mais tarde pelo mundo, uma rede de pessoas que seguiriam a santíssima trindade do self help para a felicidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Maconha Sexo Melancia&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dois anos mais tarde: todas as minhas previsões foram cumpridas. Sou uma história de sucesso, o português que deu certo no sonho brasileiro. Daqui a cem anos haverão de falar de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-8247359444404297496?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/8247359444404297496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/santissima-trindade-sob-influencia-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/8247359444404297496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/8247359444404297496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/santissima-trindade-sob-influencia-do.html' title='Santíssima trindade sob a influência do calor'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-3753821031284293644</id><published>2011-11-03T08:37:00.000-07:00</published><updated>2011-11-03T08:39:50.436-07:00</updated><title type='text'>E agora José Portugal?</title><content type='html'>Poema de Carlos Drummond de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/R_4NS50okUc" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-3753821031284293644?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/3753821031284293644/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/e-agora-jose-portugal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/3753821031284293644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/3753821031284293644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/e-agora-jose-portugal.html' title='E agora José Portugal?'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/R_4NS50okUc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-5110045941588309145</id><published>2011-11-02T16:14:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T16:17:01.644-07:00</updated><title type='text'>Ai Phones e outros suspiros</title><content type='html'>Em tempos escrevi um longo artigo sobre Steve Jobs para uma revista. Das coisas que aprendi, nessas leituras e vídeos e entrevistas de pesquisa, são estas que melhor consigo recordar: as suas experiências com ácidos (open your mind, son), a bandeira de pirata que mandou pôr no topo de um dos edifícios da Apple, uma frase sua, aqui mal citada, que dizia qualquer coisa como: “Sempre admirei as pessoas que, depois do sucesso, arriscam o fracasso. Pessoas como Picasso ou Bob Dylan.” Faz sentido e fica muito bem num discurso motivacional.&lt;br /&gt;Não é difícil perceber o possível encanto da narrativa de Jobs, um inspirador americano, o nerd adoptado que perde no segundo acto (foi despedido da empresa que criou) e que regressa no terceiro acto como um homem diferente e capaz de fechar a epopeia criada por ele mesmo com iPods e iPhones e iPads.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando li uma biografia de Jobs, lembro-me do seu espanto quando viu um rato de computador pela primeira vez, antecipando o impacto que isso teria na utilização de computadores pessoais. Um rato, coisa que usamos hoje sem pensar, movendo a mão como quem conduz em piloto automático da casa para o emprego, foi em tempos causa de assombro. Com isto quero dizer que os feitos de Jobs (onde não se inclui a invenção do rato) fazem agora parte do nosso quotidiano automático e facilitado. Operamos um iPhone como passamos o cartão no torniquete do metro ou apertamos um botão num comando e uma televisão se acende para iluminar a sala. Tudo nos parece óbvio e garantido e funciona. Muito obrigado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Testemunhei as reacções à morte de Steve Jobs como habitante recente do Rio de Janeiro. Falou-se do assunto em mesas de botecos, os jornalistas escreveram, os cronistas também, apareceram os grouppies e os opositores da Igreja Universal do Reino de Jobs. Imagino que foi assim em muitas cidades do mundo durante um par de dias. (Já o transtorno Facebookiano da tragédia, com odes, citações e a palavra iSad, foi bem mais dramático, uma onda global de tristeza e elegias.)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O que mais me interessou, enquanto nos botecos se discutia o legado de Jobs, foi reparar nas mãos de meninas bonitas e viajadas escorrendo na face dos seus iPhones, foi perceber como as aplicações são temas de longas e profundas conversas, como mulheres e homens adultos falam igual a adolescentes diante de um videojogo. Trata-se de uma classe em expansão em muitas outras cidades. Mas aqui sinto sempre a presença dos iPhones em meu redor, nos passeios trópico-sofisticados do Leblon, na sala de espera para estrageiros do aeroporto, na praia, na pista de dança do Studio RJ, a fim de iluminar o caminho até ao banheiro, quando alguém precisa de saber um endereço ou comprar bilhetes de cinema ou descobrir qual a capital da Arménia. Há sempre um iPhone prestável.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já não é apenas um acessório para satisfazer a status anxiety. É um modo de vida, como usar sapatos ou andar de avião. Talvez alguns dos contributos de Jobs para a humanidade não sejam tão espectaculares como a possibilidade de fazer em apenas 10 horas, e pelo céu, o caminho que custou meses a D. João VI e à sua entourage. Seja qual for a real importância de Jobs nos hábitos de parte da humanidade, olhando para as pessoas que conheço e observo nesta cidade onde escolhi viver, percebo que está entre nós: num táxi onde os ocupantes superam o aborrecimento da viagem tacteando o ecrã, quando alguém usa o aparelho para, no Twitter, ver onde há um Blitz (operação Stop) ou na mesa onde os meus amigos saltam entre a conversa, a comida e o iPhone, tal e qual crianças com problemas de atenção.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No fundo, resume-se a isto: sou ainda demasiado novo para lamentar a tecnologia, mas já sou velho suficiente para perceber que aquilo que foi feito para nos obedecer não deveria comandar-nos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-5110045941588309145?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/5110045941588309145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/ai-phones-e-outros-suspiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5110045941588309145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5110045941588309145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/ai-phones-e-outros-suspiros.html' title='Ai Phones e outros suspiros'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-4747706240120851551</id><published>2011-11-02T14:02:00.001-07:00</published><updated>2011-11-02T17:51:33.826-07:00</updated><title type='text'>Novos discos a comprar</title><content type='html'>Marisa Monte: O que você quer ouvir de verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Luís: Tempo de Menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/SSOJfdSMPng" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/FH1N_5MDUYI" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;Dois discos para ouvir de ponta a ponta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-4747706240120851551?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/4747706240120851551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/musica-nova.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4747706240120851551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4747706240120851551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/11/musica-nova.html' title='Novos discos a comprar'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/SSOJfdSMPng/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-4883937223322170960</id><published>2011-10-31T09:50:00.001-07:00</published><updated>2011-10-31T09:53:06.884-07:00</updated><title type='text'>Miúda de Ipanema</title><content type='html'>Não és deste lugar. Chegaste aqui como tantos outros muito antes de ti, uma corrente de gente do teu país que passou a vida a procurar a vida longe do lugar onde nasceu. Não és deste lugar mas gostas de sucos (por vezes ainda dizes sumo) e da forma como o sol sobrevoa o morro Dois Irmãos antes de se afogar no Atlântico. Não és deste lugar mas passas na rua como as mulheres locais – linda, morena, com um balançado só teu. Gostava que fizessem uma música sobre ti, que te cantassem a coragem, a forma como pintas as unhas em dois minutos no banco de trás de um táxi ou como o teu corpo se enlaça no meu quando chega uma frente fria e não te apetece sair da cama por causa da chuva. Mas há coisas que quero guardar para mim. Coisas que jamais caberiam numa música, num poema ou sequer num romance com milhares de páginas. Essas coisas não conto a ninguém, são minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já foste uma miúda de Cascais, da Graça e da Pena. Já passaste pelos poetas do Bairro Alto e pelos bêbedos do Cais do Sodré. Agora és uma miúda de Ipanema: a mesma menina que fazia ginástica em pequena e que talvez nunca tivesse imaginado que um dia seria inspiração para escritores em dias de chuva. És menina se compras chocolates no quiosque. És mulher em entrevistas de emprego. És menina quando pedalas junto ao mar. És mulher de corpo inteiro quando falas da tua família. És menina quando sentes saudades. És mulher quando avanças pela Visconde de Pirajá e homens e mulheres reparam que passas, que estás aqui, que cruzaste o oceano como tantos outros antes de ti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca imaginaste que irias dizer geladeira, banheiro, varal, ônibus. Nunca imaginaste que esta seria a tua cidade. Mas esta é agora a tua cidade, o teu bairro, a tua casa. Tudo isto é novo e lindo e por vezes assustador. Gostaria de compor uma música para garantir que tudo vai correr bem, que acendes a Praça General Osório se caminhas para a praia. Mas não sou músico e, nestes dias de chuva, falta-me talento para te cantar. É por isso que me vou levantar assim que passares por aqui. E se não passares, vou para casa, esqueço a música, esqueço a frente fria que faz o Rio parecer Lisboa em Dezembro. Vou para casa: esse lugar em ti onde regresso sempre. Porque aquilo que és não pode ser afectado pelo boletim meteorológico ou pela minha falta de talento para te cantar. Aquilo que és só eu sei. E essa é a minha maior dádiva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-4883937223322170960?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/4883937223322170960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/miuda-de-ipanema.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4883937223322170960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/4883937223322170960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/miuda-de-ipanema.html' title='Miúda de Ipanema'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-2296492025890843716</id><published>2011-10-26T07:45:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T08:19:32.469-07:00</updated><title type='text'>Mulheres</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/h9ZGKALMMuc" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tipo entra no Rock in Rio para ver Stevie Wonder e dá-se conta que entrou no Shopping in Rio. Eram mais de 72 marcas a piscar-nos o olho dentro do recinto/parque de diversões: a montanha-russa Chilli Beans (óculos de sol), a roda gigante Itaú (banco), os camarotes Coca-Cola (remédio para a ressaca), a Rua do Rock com mais marcas e voyeurs de montras que Oxford Street. No palco, tocava ainda Ke$ha, cujo uso de um cifrão no nome não chega para desvelar o mau gosto da sua música ao vivo – um sucedâneo de Lady Gaga, um ídolo teen com mais maquilhagem e guarda-roupa do que afinação. Ela gritava: “Let’s party Rio”, e sentia-me numa discoteca ao ar livre, em Benidorm. Ke$ha guinchou o tempo inteiro enquanto os visitantes do Shopping in Rio esperavam em filas para receber um brinde (T-shirts, óculos de sol, poltronas insufláveis) ou avançavam como peregrinos hipnotizados para as barracas de cerveja (Heineken) ou de comida (Bob’s – hambúrgueres de franchize). Rock in Rio: uma espécie de Planet Hollywood + Hard Rock Café + Disneyland. Uma espécie de delírio futurista em que seremos alimentados, vestidos e entretidos por uma mega empresa universal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Rock in Rio não deixa de ser um assombroso feito de logística, trabalho, entretenimento e money making – a economia da cidade terá recebido cerca de 350 milhões de euros. Mas o Rock in Rio, que recebeu cem mil pessoas por dia, parece querer reduzir-se ao mantra contemporâneo da felicidade imediata: coma um hambúrguer, compre uma T-shirt, use o seu telefone para fazer fotos, receba coisas grátis e veja alguma celebridade no palco, não importa qual, até pode ser Ke$ha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não consigo encontrar apelo, beleza ou sensualidade em Ke$ha ou no Rock in Rio. São robots da adoração colectiva, produtores chatos de $, euros, reais e dólares, são chapa 5, produto mastigado, empacotado e aprovado para todas as idades. A ideia que tudo é comprável e a uniformização das coisas e das pessoas deixa-me aborrecido. Especialmente a uniformização de algumas mulheres. O Rio, capital das mulheres bonitas – olha uma loira alta e descalça num skate, olha uma mulata a cair na água, olha a executiva tão segura nos seus saltos –, o Rio que já criou mais poetas amantes do que qualquer outra cidade, também se vai deixando levar pelas capas das revistas, os vídeos MTV, o Photoshop, a lipoaspiração e o botox. Falo da uniformização dos corpos e das expressões faciais, uma traição à génese e ao milagre deste lugar: a diversidade, a mistura, a criatividade, a possibilidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois das roliças dos quadros renascentistas, das pin-ups pós II Guerra ou das magrelas com ombros de cabide Calvin Klein, surgiram agora as mulheres Fruta – tão trabalhadas como uma melancia esculpida para efeitos decorativos num buffet de hotel. Podem ter implantes nas mamas e na bunda, podem ter botox em vez de rugas sorridentes, podem ser tão bem desenhadas como uma heroína de BD, podem até vestir-se como Ke$ha, mas arriscam-se a ter o mesmo sabor plástico do Rock in Rio, provocando a mesma sensação descartável, rápida, que não deixa marca.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É por isso que peço a todas as mulheres que acreditem que uma estria, uma mancha, um peito descaído que não se pareça com uma perfeita bola siliconizada, enfim, que muitas das coisas que vocês insistem em eliminar com uma ferocidade castigadora, não vos faz ser menos mulheres do que aquelas que injectam produtos na testa e jejuam e se levantam às cinco da manhã para fazer ioga ashtanga. Acreditem, há mais verdade e tesão numa mulher de corpo vivido do que numa mulher de corpo encomendado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto originalmente publicado no blog &lt;a href="http://sinusitecronica.blogs.sapo.pt/"&gt;Sinusite Crónica&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-2296492025890843716?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/2296492025890843716/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/mulheres.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2296492025890843716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/2296492025890843716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/mulheres.html' title='Mulheres'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/h9ZGKALMMuc/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-5638709682615320703</id><published>2011-10-20T12:39:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T12:48:11.204-07:00</updated><title type='text'>Afternoon Delight</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-SFj23gwv5X0/TqB5rpk90nI/AAAAAAAAArc/tThAIiJ89Ac/s1600/136.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-SFj23gwv5X0/TqB5rpk90nI/AAAAAAAAArc/tThAIiJ89Ac/s200/136.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665662122034319986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arco do espasmo do teu corpo&lt;br /&gt;vai do Rio a Lisboa&lt;br /&gt;e regressa trinta e quatro vezes&lt;br /&gt;dá voltas e voltas&lt;br /&gt;cose-nos as pontas &lt;br /&gt;incendeia toca torce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é mais que música &lt;br /&gt;é euforia desamarrada&lt;br /&gt;chicote da língua e resguardo da palavra&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-5638709682615320703?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/5638709682615320703/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/poema-menor-de-alguns-mais-pequenos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5638709682615320703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/5638709682615320703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/poema-menor-de-alguns-mais-pequenos.html' title='Afternoon Delight'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-SFj23gwv5X0/TqB5rpk90nI/AAAAAAAAArc/tThAIiJ89Ac/s72-c/136.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7545824246991930548</id><published>2011-10-20T10:53:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T10:58:32.761-07:00</updated><title type='text'>Contratempos e acasos do mercado imobiliário carioca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-okLEsz_qlm4/TqBhNzOV4lI/AAAAAAAAArQ/QkUGaQHnbno/s1600/onibus.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 156px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-okLEsz_qlm4/TqBhNzOV4lI/AAAAAAAAArQ/QkUGaQHnbno/s200/onibus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665635220948640338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era um prédio no Rio de Janeiro mas podia estar nalguma cidade russa que nunca saiu nas notícias da televisão. Os ônibus avançavam em manada pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana e faziam estremecer as coisas na calçada: montras de lojas com roupa barata, velhas que lhe pareceram iguais às velhas de um bairro lisboeta, pretos pedalando velozes para entregar encomendas, um pedinte, outro pedinte, um pedinte júnior, cadeiras de plástico amarelo num boteco pé sujo, a porta para as galerias onde deveria encontrar a entrada do prédio. Era estrangeiro mas já aprendera que galerias eram um shopping de outros tempos, outras décadas, lugares de luz morta e muitos espelhos nas paredes. Passou por uma loja de flores: a única coisa bonita que havia naquele túnel. As galerias eram o lugar onde os sonhos com um tumor nos testículos iam finar-se. No entanto, lado a lado, estavam duas promessas de salvação, duas igrejas evangelistas. Uma de cores azuis e outra de cores vermelhas. Benfica – Porto, pensou. TMN e Vodafone. Blackberry e iPhone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou para a entrada do prédio. O porteiro lia um tablóide, alguma coisa sobre a Mulher Maçã e mais umas quantas notícias de abusos e estupros. A agenda noticiosa do costume. Nem ergueu o focinho do jornal. Ele entrou no elevador, puxou a grade ferrugenta que guinchou todos os nove andares. Foi uma viagem lenta, com o espectáculo das pastilhas elásticas coladas na parede em movimento e mensagens escritas a vermelho: “Nina boqueteira racista só chupa brancos”. Abriu a porta e, entrando nos corredores brancos de sanatório antigo, pensou nalgum filme de terror que vira na infância. Encontrou o apartamento e bateu na porta. Nada. Rodou a maçaneta e entrou. No lado esquerdo encontrou um banheiro encolhido, onde sexo no duche só seria possível para um casal de contorcionistas bem ensaboados. Depois havia um espaço comum com kitchenete e sala. Uma só janela, ao fundo, tinha vidros martelados, baços como uma tarde de chuva. Ele avançou até ao meio da sala. Uma vez que não era proprietário de móveis, falta de espaço para as suas coisas não seria um problema. Abriu a janela e o estertor do trânsito trepou prédio acima, um desconcerto de escapes e buzinas e motores de camiões. Ouviu uma voz:&lt;br /&gt;“Ainda bem que abriu essa janela. Como é que aguenta este fedor?”&lt;br /&gt;“Que fedor?”&lt;br /&gt;“Só pode estar brincando. Esse cheiro de fraldas para velhos incontinentes.”&lt;br /&gt;“Você é a Letícia? Com quem falei ao telefone para ver a casa?”&lt;br /&gt;“Oi? Fala devagar moço.”&lt;br /&gt;“Eu estou aqui para ver o apartamento.”&lt;br /&gt;“Isso já deu para perceber.”&lt;br /&gt;“E devia falar com uma Letícia, você é a Letícia?”&lt;br /&gt;“Claro que não. Eu lá entraria num apartamento que queria alugar dizendo que cheira a fralda usada de velho.”&lt;br /&gt;“Desculpe, mas como é que a senhora sabe a que cheiram fraldas de velho? Qual é a diferença entre fraldas de velho e de bebé?”&lt;br /&gt;“Você é português, né?”&lt;br /&gt;“Nota-se?”&lt;br /&gt;“Um pouquinho.”&lt;br /&gt;“Piadinhas à parte, qual a diferença entre o cheiro de fraldas para velhos e para bebés?”&lt;br /&gt;“Lá em Portugal você tem parentes mais velhos?”&lt;br /&gt;“Sim.”&lt;br /&gt;“Já foi nesses lugares onde os mais novos botam os mais velhos?”&lt;br /&gt;“Um lar de idosos?”&lt;br /&gt;“Deve ser isso aí. Não conhece o cheiro? O cheiro de fraldas de velhos que ficam vendo TV o dia todo, confundido o enredo da novela das sete com a história da novela das oito? Isso aqui é Copacabana, um gigante lar de idosos. Dizem que é o bairro mais envelhecido do Rio. Nesse apartamento viveu algum velho que esticou o pernil recentemente. Aí a família deu uma limpezazinha e botou o apê para alugar.”&lt;br /&gt;“O seu sotaque é meio estranho. Você é de onde no Brasil?”&lt;br /&gt;“Está-me paquerando portuga? Conversinha de flirt de boteco às dez da manhã num cemitério de velhinhos? Não vem com garfo que hoje é dia de sopa. Mas, vem cá, quero-te falar de coisas mais sérias. Vou-te dar uma dicas para procurar casa no Rio. ”&lt;br /&gt;“Muito obrigado.”&lt;br /&gt;“Tão educado, que bonitinho. O Ubaldo Ribeiro escreveu que os portugueses têm boas bundas, como os forcados, mas esqueceu de dizer que são muito polidos no trato.”&lt;br /&gt;“Está a tentar engatar-me?”&lt;br /&gt;“Oi?”&lt;br /&gt;“Falávamos do mercado imobiliário do Rio.”&lt;br /&gt;“Isso. Está tudo muito caro, esqueça esses bairrinhos perto da praia. Leblon só se tiver disposto a pagar duas vezes mais que o empresário do novo sucesso brasileiro ou alguma vedetinha da MPB. Ipanema esquece, tem mais americanos que a Disney. Só se você fosse viado. Talvez encontrasse um sugar daddy de Ipanema e viveria feliz entre a Farme de Amoedo e as viagens para a Europa.”&lt;br /&gt;“Não sou viado. Mas também não sou homofóbico. Esses comentários são lamentáveis.”&lt;br /&gt;“Está pregando moral e bons costumes, portuga?”&lt;br /&gt;“Não devias ser tão amarga. Quem é que a deixou nesse estado bélico?”&lt;br /&gt;“E você pensa o que, que só porque sou brasileira e você tem um sotaque eu vou dar para você? Mil anos de história e bigodinho safajeste e não sei quê? Tem juízo portuga.”&lt;br /&gt;“Voltemos ao mercado imobiliário. Você está a procurar casa?”&lt;br /&gt;“Faz dois meses. Do Jardim Botânico à Lapa, passando pelo Humaitá, Botafogo e Flamengo. Depois considerei Copacabana e, veja só, acabei aqui, num quarto de geriátricos com um português de bigode. Você quer tomar um chope e eu te conto tudo sobre o mercado imobiliário.”&lt;br /&gt;“Claro, mas não devíamos esperar pela Letícia?”&lt;br /&gt;“Eu deixo um bilhetinho. Tem papel? Aqui vai: Querida Letícia, desculpe mas eu e o português achamos que o alto preço que você pede pelo apê não esconde o cheiro de merda. Especulação faz mal ao coração. Se cuide.”&lt;br /&gt;Eles saíram juntos e desceram no elevador enquanto ele assobiava a música do “Tubarão.” Nas galerias entraram numa das igrejas, ouviram as palavras do pastor. Na rua, assim que passou mais um ônibus truculento, ela disse:&lt;br /&gt;“Queres mesmo ir beber um jola?”&lt;br /&gt;“Não sei, afinal de contas pouco passa das dez da manhã.”&lt;br /&gt;“És uma seca.”&lt;br /&gt;“E tu voltaste a chegar atrasada, se a Letícia tem aparecido antes de ti eu tinha alugado aquele apartamento. Preciso de ti para negociar.”&lt;br /&gt;“Não sobrevivias um dia em Marraqueche.”&lt;br /&gt;“O teu sotaque zuca está a melhorar. Mas ainda vacilas nalgumas coisas.”&lt;br /&gt;“Preferias que fosse brasileira?”&lt;br /&gt;“Para quê ser uma coisa se podes ser duas?”&lt;br /&gt;“Então vamos transar? &lt;br /&gt;“E porque não, afinal, só temos um apartamento para ver ao meio dia.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7545824246991930548?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7545824246991930548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/contratempos-e-acasos-do-mercado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7545824246991930548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7545824246991930548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/contratempos-e-acasos-do-mercado.html' title='Contratempos e acasos do mercado imobiliário carioca'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-okLEsz_qlm4/TqBhNzOV4lI/AAAAAAAAArQ/QkUGaQHnbno/s72-c/onibus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7416260819125166284</id><published>2011-10-17T10:13:00.000-07:00</published><updated>2011-10-17T10:15:58.201-07:00</updated><title type='text'>Punk love</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-JltC_S-8Po4/TpxiyEN6QAI/AAAAAAAAArE/X_jUHdjDkR0/s1600/sport-skate.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-JltC_S-8Po4/TpxiyEN6QAI/AAAAAAAAArE/X_jUHdjDkR0/s200/sport-skate.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664511043590307842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lili era uma menina de faculdade com tatuagens: no gémeo esquerdo (uma trepadeira com flores vermelhas) e nas costas (uma geisha decotada com peito avantajado). Roger era malandro da praia, dizia que tocava numa banda e carburava maconha com o entusiasmo do Santo Ofício acendendo fogueiras. Lili andava de skate, os pés descalços na lixa da prancha e as havaianas nas mãos. Ele, com corpo de capa de Men’s Health, corria sem T-shirt, exibindo a definição da sua anatomia para gringas que lhe compravam roupa, peruas infiéis no terceiro casamento e menininhas deslumbradas diante do poder do sexo com homens mais velhos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Roger não ia para novo e o seu corpo, apesar do exercício diário, dava os primeiros sinais de decadência: duas cáries, um menisco maltratado por causa das peladinhas, problemas de estômago, uma unha encravada e catarro constante resultado de cigarros, whisky nocturno e do ar condicionado sempre a mil durante todo o ano. Lili, por sua vez, e apesar dos joelhos esfolados em várias quedas de skate, tinha o poder miraculoso das jovens teen: a constante renovação das células da sua beleza. Recuperava das ressacas sem sofrimento, arriscava-se em half pipes, competia com os rapazes na velocidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Roger não era homem de uma mulher só. Mas quando conheceu a lisura da barriga e do púbis de Lili, a tendência dela para ler Mônicas e Cebolinhas após um orgasmo, a despreocupação com a integridade do seu corpo, começou a agarrar-se ao vigor daquela mulher com atitude de menina radical inquebrável. Uma deusa dos rolamentos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Roger foi abandonando todos os casos temporários de cama e as mecenas femininas do seu estilo de vida. Talvez aquilo fosse amor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Lili apareceu certa tarde com os cotovelos rasgados e um lanho no lábio. Mesmo assim atirou-se para a cama e começou a despir-se, esticando a coluna como os gatos, atiçando a fome de Roger. Ele, em vez de despir a sua sunga gigolô, foi buscar água oxigenada e algodão. Soprou nas feridas e disse: “Você tem que se cuidar.” Ela respondeu: “Não gosta de um pouquinho de dor, não?”, e beliscou-lhe os mamilos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Roger não quis sexo nesse dia. E sempre que Lili aparecia com mazelas da sua actividade sobre rodas, ele mostrava-se mais enfermeiro que devorador. Foi enchendo o armário da casa de banho com produtos farmacêuticos, analgésicos, gaze, pomadas cicatrizantes. Pedia-lhe: “Por favor, não estrague seu corpo.” Ela respondia: “Deixa de ser bobo, o corpo é para gastar.”´&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Roger resolveu que a profilaxia era melhor que os curativos e comprou-lhe um capacete. Depois joelheiras e cotoveleiras. O seu medo era tão grande que lhe ofereceu uma protecção para os dentes. Ela, depois de abrir o presente, disse: “Será que consigo fazer sexo oral com isto?”&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Roger andava diferente, mais atencioso e menos cafajeste. Todo ele era cuidado e betadine e protecções almofadadas para a única mulher da sua vida – deixou de atender velhinhas aperaltadas e de usar cartões de crédito de estrangeiras para comprar relógios. Só Lili lhe importava, só Lili ocupava os seus tempos livres. Começou a espiá-la de longe: Lili e os amigos teen em descidas perigosas, Lili e suas amigas em noites de balada, Lili, que aparecia cada vez menos lá em casa, obrigando-o a intensificar as operações de vigilância.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se ela chegava, Roger apressava-se a investigar o seu corpo, procurando feridas. Ele queria Lili intacta e perfeita, chegou a ligar para os pais dela, um telefonema anónimo alertando para os males do skate. Mas Lili continuava a deslizar no calçadão, ouvindo punk rock no seu mp3, as solas dos pés dando impulso no asfalto, a sua velocidade cheia de curvas e pele morena chamando à atenção dos homens e das mulheres por quem passava. Lili não era só de Roger. O corpo era dela e de quem ela escolhesse. Lili fazia o que bem entendia com as articulações, com a boca, com as pernas que deixaram de enlaçar a cintura de Roger.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Depois Lili foi estudar para a Europa e Roger, como tantos outros cariocas nas estatísticas de atropelamentos, atravessou a rua com o semáforo vermelho. O ônibus, como tantos outros ônibus nas estatísticas cariocas, vinha em excesso de velocidade e indiferente às pessoas que atravessam a rua. Roger foi catapultado alguns metros. Os seus ossos quebraram como galhos num dia de trovoada. As suas vértebras estilhaçaram. O seu porte de macho ficou reduzido a metade. Roger pode ser visto hoje nas ruas da zona sul do Rio de Janeiro. Tem uma crista de duas cores e move-se pela rua, sentado num skate de prancha XXL, com capacete, cotoveleiras e joelheiras, as mãos fazendo as vezes dos pés. Um paraplégico radical. Lili ficou a viver na Europa e largou o skate. Agora é relações públicas de uma marca de roupa e casou-se com um cantor lírico. Roger é conhecido como o punk aleijadinho. Todos os botecos lhe dão chopp grátis. Há quem diga que alguma coisa ainda funciona da cintura para baixo. Ele não gosta de falar disso. Mas tendo em conta a forma como olha para as pernas das mulheres, no rés-do-chão do seu skate, é provável que o ônibus assassino não tenha escangalhado todas as partes importantes do seu corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto originalmente publicado no &lt;a href="http://sinusitecronica.blogs.sapo.pt"&gt;Sinusite Crónica&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7416260819125166284?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7416260819125166284/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/punk-love.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7416260819125166284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7416260819125166284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/punk-love.html' title='Punk love'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-JltC_S-8Po4/TpxiyEN6QAI/AAAAAAAAArE/X_jUHdjDkR0/s72-c/sport-skate.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-3355372519547328323</id><published>2011-10-17T10:11:00.001-07:00</published><updated>2011-10-17T10:12:49.179-07:00</updated><title type='text'>Switch on Portugal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-pq4daNG4Vy8/Tpxh-BVvsTI/AAAAAAAAAq4/9ZolVGII7f4/s1600/021.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-pq4daNG4Vy8/Tpxh-BVvsTI/AAAAAAAAAq4/9ZolVGII7f4/s200/021.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664510149464666418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotografia tirada em Santa Teresa, Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-3355372519547328323?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/3355372519547328323/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/switch-on-portugal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/3355372519547328323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/3355372519547328323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/switch-on-portugal.html' title='Switch on Portugal'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-pq4daNG4Vy8/Tpxh-BVvsTI/AAAAAAAAAq4/9ZolVGII7f4/s72-c/021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-7553394453671193882</id><published>2011-10-17T10:07:00.001-07:00</published><updated>2011-10-17T10:10:25.458-07:00</updated><title type='text'>Bicicletário carioca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-VsaPcAaKLro/TpxhWUJYPAI/AAAAAAAAAqs/bufZqNe2nV4/s1600/bici.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-VsaPcAaKLro/TpxhWUJYPAI/AAAAAAAAAqs/bufZqNe2nV4/s200/bici.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664509467318303746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os pneus rodam pelo calçadão e a música nos auscultadores transforma o passeio num videoclip. Tudo isto podia ser um lugar-comum musicado, um anúncio dos Jogos Olímpicos, com meninas correndo, pedalando e patinando junto ao mar, uma melodia de beleza em movimento e os efeitos especiais da poeira da maresia, dos morros como pano de fundo, da humidade escorrendo das árvores. Começou a primavera a sul do trópico do umbigo do planeta, há gente no areal a meio da manhã, uma água de coco custa quatro reais (‘tá cara pra cacete esta cidade), os painéis publicitários anunciam 24 graus, esta galera anda bem-disposta, de peito feito, salários altos (inflação também) em contra ciclo anímico com a Europa. E isso acentua a sensação de videoclip, uma vez que acabei de chegar ao Rio de Janeiro depois de cruzar, nos últimos anos, a espessura e o ruído da crise portuguesa nos telejornais e nas manifestações e nas conversas de pastelaria. Um dia estou numa cidade que amo – Lisboa –, inquieto como os meus compatriotas, e no dia seguinte estou numa cidade que desejo – Rio – a pedalar numa bicicleta emprestada, MPB sintonizada nos headphones, aproveitando a incredulidade do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Voltar a andar de bicicleta todos os dias, como nas tardes das férias grandes, longas de luz e de eventos heróicos, permitiu-me viver num lugar afastado da crise, recuperando uma liberdade apenas conseguida durantes aqueles três meses de verão, sem escola ou TPC, quando uma bicicleta nos bastava para ir a todo o lado. Nessas aventuras em duas rodas só interessava o entusiasmo das descidas arriscadas, a exploração de novos caminhos, o pneu traseiro derrapando sobre a terra. É assim que me sinto nestes primeiros dias no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;Não esqueço o lugar de onde venho – aliás, sempre que alguém não compreende o que digo e questiona “oi?”, recordo-me que sou português de fonética fodida e vogais fechadas. Não esqueço o que se passa em Portugal. Mas não ser contaminado pela electricidade mediática, não debater o Alberto João Jardim num jantar ou comentar o estilo oratório do ministro das Finanças, é tão bom como andar de bicicleta num videoclip.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Saio da praia e entro nas ruas, aproveitando a largura dos passeios para fazer trajectórias de videojogo ao ritmo da música, desviando-me das pessoas, ignorando semáforos vermelhos, escolhendo uma corcunda da calçada para executar um pequeno salto. Por vezes tenho onde ir, outras vezes avanço nas ruas da cidade, vou mais longe, perco-me na Lagoa, vejo clubes de remo e os prédios da fartura carioca, festas em coberturas e crianças com babás trajadas de branco; atravesso a nuvem de maconha criada pelos fumetas precoces do Posto 9, vou por aí até que seja hora de incendiar a tocha da paz na pedra do Arpoador enquanto o sol desce atrás do morro.  &lt;br /&gt;Porque acabo de chegar, ainda não tenho as coisas pegadas a mim, parece que deslizo por tudo com olhos de investigador dos bichos humanos. Daí a sensação de videoclip, mesmo quando vejo pedintes sem pernas ou me contam que os mendigos são afastados da rua com choques eléctricos ou quando o porteiro insiste em abrir-me a porta da garagem, se saio de bicicleta, ainda que lhe tenha dito que não era preciso abandonar a sua secretária, que posso muito bem fazer aquilo sozinho – há aqui um servilismo constante, a clara divisão das classes, a herança da corte portuguesa e da escravatura. Uns servem, outros são servidos. (Muitas vezes chamam-me doutor. Prefiro quando a garçonete da cafetaria Rio-Lisboa diz: “Bom dia, meu anjo? Que vai ser, meu amor?”)  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Porque ando de bicicleta todos os dias, porque é o meu principal meio de transporte no Rio, passo por tudo com olhos curiosos, confiando que a velocidade a que viajo me permite ir conhecendo esta cidade. Tudo é ainda cartão postal e alegria de estreante e imagens melhoradas pelo Photoshop das noites de cachaça e chopp. Chegará o dia em que, espero, escreverei sobre o Rio de Janeiro com a mesma segurança e empenho com que escrevi sobre Lisboa. Que falarei da Praça Tiradentes com tanto conhecimento de causa como quando falo do Rossio. Por enquanto, limito-te a viver e a escrever como se montado numa bicicleta, protagonista de um videoclip. Sei que o céu aqui é diferente, que passarei a usar a palavra “malemolência”, que a cerveja está sempre gelada, que há muitos portugueses no Rio, que uso mais o gerúndio, que há muitas mulheres com capacidade para alterar a temperatura de uma sala de espera, que fui recebido com atenção, ternura e uma bicicleta emprestada. Tudo isto é um videoclip com final feliz porque sofro de jet lag existencial e porque, de facto, estou feliz. Haverá dias em que me zangue com o Rio, haverá dias em que voltarei a escrever com fúria ou saudades sobre Portugal. Haverá dias em que ouvirei discos de Amália e em que não me apeteça pegar na bicicleta. Mas isso, pelo menos por agora, não me interessa nada – tal como não me interessa o Alberto João Jardim ou o reality show da TVI. Porque a maior evidência, desde que aqui cheguei, apareceu-me (como é óbvio) através da música e enquanto pedalava: “É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Texto originalmente publicado no &lt;a href="http://sinusitecronica.blogs.sapo.pt/"&gt;Sinusite Crónica&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-7553394453671193882?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/7553394453671193882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/bicicletario-carioca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7553394453671193882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/7553394453671193882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/bicicletario-carioca.html' title='Bicicletário carioca'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-VsaPcAaKLro/TpxhWUJYPAI/AAAAAAAAAqs/bufZqNe2nV4/s72-c/bici.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2322260534019684808.post-109382560915476765</id><published>2011-10-17T08:28:00.000-07:00</published><updated>2011-10-17T08:45:45.570-07:00</updated><title type='text'>Terra à vista</title><content type='html'>&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/5XrO30hZ3BU" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 10 horas de ruído transatlântico – barulho de motores, sonzinho estranho de filme de avião, cintos desapertados antes do tempo –, entro por fim no silêncio de um aeroporto antes do nascer do sol. Não há filas nem crianças aceleradas por Happy Meals nem taxistas gritando propostas para gringos recém-chegados. O céu clareia, mas pouco. O comandante do avião já avisara que o Rio estava coberto por uma peruca gorda de nuvens. O taxista confirma um boletim meteorológico que impede mergulhos na praia e, rodando a chave, dá-me música de rádio. Não toca uma canção de jeito durante todo o percurso – duetos românticos e baladas melosas –, mas o gargarejar do trânsito, tão denso ao raiar da manhã, seria bem pior para quem acabou de chegar, acentuaria a estranheza de estar noutro fuso horário, noutro hemisfério, pronto para iniciar uma vida nesta cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rádio toca enquanto a paisagem de barracos de tijolo e antenas parabólicas, em dia cinzento com possibilidades de chuva, se prolonga durante quase toda a viagem. Em muitos daqueles barracos estará tocando um rádio a pilhas, um Cd antigo, um iPod ligado a colunas de som. Eles despertam com música, tomam café com música, têm celulares que providenciam música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio do táxi e um bar de sucos na Gávea, onde tomo o primeiro pequeno-almoço, oferece banda sonora. Cruzo a estrada, chego ao apartamento das amigas que me recebem, ainda estremunhadas, e logo escolhem um Cd para tocar oferecendo-me o segundo pequeno-almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas primeiras semanas nesta cidade fui recebido por música: o concerto de Roberta Sá e o seu samba com elegância marota em palco; os Primal Scream, no Circo Voador, entre coqueiros e os arcos da Lapa e os arranha-céus espelhados do Centro. O Rio é toda esta mistura: meninas vestidas como londrinas, agarradas ao seu iPhone, moleques negros e magros a pedalar em bicicletas, transportando gelo para as barracas de praia, os Primal Scream a tocar no Circo Voador e lá fora, na confusão descamisada e transpirada da Lapa, travestis e putas e turistas e indígenas hedonistas suando com a batucada. O Rio é o encanto perpétuo de Marisa Monte e o pop cristão do padre Marcelo. O Rio é Chico Buarque e funk de palavras que incentivam à sacanagem com mulheres sem calcinhas (“as preparadas”).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi vinis, descobri cantores, fui ler sobre compositores. Há uma banda sonora nesta nova vida. Pedalo pela cidade com a rádio tocando nos headphones. Escuto histórias sobre a escandalosa Angela Rô Rô (Oiçam “É de mais”) ou sobre o gosto de Tim Maia por senhoras prostitutas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ruas têm nomes de músicos, o hino do Rio é uma marcha de Carnaval – “Cidade Maravilhosa”, e até o aeroporto onde aterrei tem nome de artista: Tom Jobim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do ruído aéreo da viagem, depois do silêncio do aeroporto ainda por despertar, entrei no Rio guiado pela música, e sei que esta só poderá ser uma história de amor com banda sonora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2322260534019684808-109382560915476765?l=malemolenciazuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/feeds/109382560915476765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/terra-vista.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/109382560915476765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2322260534019684808/posts/default/109382560915476765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://malemolenciazuga.blogspot.com/2011/10/terra-vista.html' title='Terra à vista'/><author><name>Hugo Gonçalves</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11377202945046426897</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_2A97T3mGzcs/SO3te6Zf0JI/AAAAAAAAACg/ueZN_oh8MII/S220/_MG_6979_1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/5XrO30hZ3BU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
